Salvacionismo - Um ciclo perverso

Na obra Um Modo de Entender - Uma Nova Forma de Viver, psicografada pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, encontramos edificante página do instrutor espiritual Hammed, que esclarece sobre a armadilha psicológica do “salvacionismo”, situação indesejável na qual nos envolvemos, muitas vezes inadvertidamente, for falta de orientação segura. O salvacionismo é uma das muitas táticas de autocondenação que utilizamos, de forma consciente ou não, fazendo uso da seguinte armadilha psicológica: “ter a pretensão de mudar o que não está em nosso alcance mudar”. Ilusoriamente assumimos o papel de “salvadores de almas”, intentando sermos arrumadores da felicidade alheia, buscando, a qualquer preço, resgatar as pessoas de um conflito ou situação crítica.

As sensações reveladoras do ciclo perverso do salvacionismo são as seguintes: “pena”, por acreditarmos que a pessoa que estamos auxiliando é indefesa, incapaz de realizar algo sozinha; “culpa”, por não termos a capacidade e a competência para amenizar o conflito alheio; “santidade”, por acreditarmos que temos um compromisso espiritual para solucionar as dores de outrem; “ansiedade”, por querermos recuperar, da noite para o dia, todo o bem perdido pelo infeliz, devolvendo-lhe a alegria de viver; “raiva”, “medo”, “frustração”, sucessivamente, por nos colocarmos diante do dilema dos outros, com a enorme responsabilidade de resgatar alguém do emaranhado em que se encontra e a frustração por não percebermos a diferença entre “caridade e salvacionismo”.

As características da segunda etapa do ciclo salvacionista: autopiedade, humilhação por termos sido tratados como algo sem importância. Só queríamos ajudar, fazer o bem ou – quem sabe? – resgatar débitos do passado e mesmo afastar espíritos obsessores. Quando o próprio mestre Jesus ensinou que “aquele que quiser vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua a cruz e siga-me”, ofereceu-nos roteiro para que evitássemos o papel de vítimas que assumimos quando sentimos que a criatura a quem ajudamos, que julgamos ter reabilitado, não segue os ensinos que oferecemos, visto que demonstra ingratidão pelos benefícios recebidos e desprezo pela nossa dedicação. Em concordância com a ideia cristã, o filósofo e matemático grego Pitágoras sintetizou o assunto com a máxima: “Ajuda teu semelhante a levantar sua carga, porém não a levá-la.”

De forma inconsciente ou não, nos atormentamos magoados e ressentidos com o indivíduo a quem “socorremos” tão prontamente. Tentamos solucionar seus problemas, dissemos “sim” quando queríamos dizer “não”, esquecemos de nós para pensar nas suas dificuldades, gastamos muita energia e ficamos raivosos pela incompreensão alheia. Desconsolados, nos perguntamos: Por que isto está sempre acontecendo comigo? E chegamos a justificar o nosso desalento, acusando a tudo e a todos; as pessoas são ingratas, a sociedade é cruel, o mundo á assim mesmo. Devemos nos perguntar: o que realmente fizemos para estar infelizes e frustrados? O que temos que modificar em nossas ações e comportamentos para sermos mais felizes e nos realizarmos?

O mentor espiritual Hammed nos ensina que esse esquema mental de “querer forçar a mudança de sentir, pensar e agir dos outros” nos levará a descuidar da própria existência e a viver em constante estado de inadequação. Paulo, o apóstolo dos gentios, identificou essa armadilha ao prescrever em sua epístola aos romanos: “Feliz aquele que não se condena na decisão que toma” (Paulo aos Romanos, 14:22). Repetir e validar o “ciclo perverso” do salvacionismo, cuidar e proteger sem limites, depois se vitimizar, acreditando que é desventurado, que foi usado e enganado e, mais além, atormentar, é a atitude de todo aquele que “se condena na decisão que toma”.

O apóstolo Paulo prossegue, orientando-nos na mesma carta aos romanos: - “Guarda a Fé esclarecida para ti diante de Deus”. Deus age em tudo que existe, tudo tem sua razão de ser, e não tem nada errado conosco, nada a corrigir em nós ou nos outros, a não ser melhorar a nossa forma de ver. A criatura difícil que surge em nosso caminho é uma lição essencial para nossa paz e crescimento, desde que fujamos do ciclo vicioso e perverso do salvacionismo, em todo e qualquer segmento religioso que vise a formar o homem de bem.

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