Revista Virtual O TEOSOFISTA Maio 2011

Caros Amigos e Irmãos:  Estamos distribuindo em aberto, abaixo, e  em nome do website www.FilosofiaEsoterica.com , a edição de  Maio   de  2011  do boletim  O TEOSOFISTA

Os editores informam:

“A edição de maio, cuja publicação coincide com o plenilúnio, abre examinando o efeito alquímico da concentração.  Em seguida, abordamos a força e o poder do sentimento de amizade, em sua relação com a ética. Mais adiante, discutimos o surgimento da nova civilização que terá como base a ação solidária.  Para saudar a lua cheia de maio,  reproduzimos um documento que transformou o movimento esotérico moderno: a Declaração da Loja Unida de Teosofistas.”

Convidamos nossos leitores a visitarem os nossos blogs  www.TeosofiaOriginal.com  e  www.VislumbresdaOutraMargem.com  

 

Os interessados em um estudo diário da filosofia esotérica original devem  escrever a lutbr@terra.com.br  , perguntando como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo  SerAtento.   

 

O Teosofista

Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico   

 

 

O Boletim Mensal do Website  www.FilosofiaEsoterica.com

Ano IV - Número 48 - Edição de Maio de 2011-  lutbr@terra.com.br

 

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“De todos os bens que a sabedoria proporciona para produzir

a felicidade por toda a vida, o maior, sem comparação, é a amizade.”

 

(Epicuro)

 

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O Efeito Alquímico da Concentração

A Busca da Ação Correta Elimina Ilusões e Dispersão

 

No reino das boas intenções e das decisões generosas, cada ser humano tem um poder quase infinito. No  reino das ações práticas, porém, o indivíduo é limitado pelo carma.  

 

Sempre que alguém deixa de sonhar acordado e parte para o trabalho efetivo, troca o reino das possibilidades ilimitadas pelo plano da realidade condicionada.  Sonhar não tem limites, mas ações concretas devem ser colocadas em prática em terreno árido.  

 

Mesmo quando a intenção é boa, a ação pode estar ausente, ou pode ser o tipo errado de ação. Ainda quando a ação é ao mesmo tempo altruísta e sábia, os resultados talvez sejam invisíveis por longo tempo.  As sementes plantadas não são vistas.  A renúncia a resultados de curto prazo é, portanto, essencial.  

 

Em conseqüência disso, a prática da ação correta  ensina lições de modéstia, simplicidade e desapego.  A forma como tais lições vêm até o aprendiz pode ser agradável ou não.  É graças aos esforços nessa área que  o ser humano aprende pouco a pouco a perceber a verdadeira  substância da autodisciplina. Emerge então gradualmente a capacidade de concentrar-se no que é elevado, e de colocar sua energia vital no cumprimento do dever. 

 

O poder da concentração em uma meta nobre possui um efeito alquímico, porque transforma para melhor a natureza inteira do indivíduo. Ele faz isso de um modo quase imperceptível, do ponto de vista externo.

 

O Poder da Amizade

Todo Progresso é Resultado de Cooperação

 

A amizade é uma forma de afeto em que há um sereno respeito pela liberdade e pela autonomia de cada um.

 

Livre de apegos cegos, o sentimento de amizade não é necessariamente dirigido apenas a este ou aquele indivíduo em especial. Os sábios são amigos de todos os seres: a amizade pode ser incondicional. Por outro lado, cada amizade tem suas características específicas e possui uma capacidade própria de resistir a adversidades.  “Amigos na dificuldade, amigos de verdade”, diz o ditado popular em língua inglesa.

 

A verdadeira amizade surge do eu superior, ou alma imortal. Ela corresponde ao primeiro objetivo do movimento teosófico moderno, que busca ser um núcleo de fraternidade sem fronteiras. A mesma ideia está presente no budismo, no taoísmo, no hinduísmo e outras filosofias orientais e ocidentais. A prática da  amizade universal é pitagórica: Thomas Stanley, um filósofo do século 17, escreveu em sua obra sobre o ensinamento de Pitágoras:

 

“Há uma amizade e uma afinidade de todos por todos: entre deuses e homens, através da compaixão e do sentimento religioso; entre as diferentes doutrinas; entre a alma e o corpo (a parte racional e a parte irracional do ser humano) através da filosofia e das suas teorias; e entre os diferentes seres humanos...” [1]

 

A fraternidade universal é uma verdade básica que pode ser observada por todos. No mundo animal - assim como no reino humano - a regra geral é dada pela cooperação e pela amizade. A competição se dá no interior do processo de cooperação. É esta última que predomina. O escritor anarquista russo Piotr Kropotkin, um partidário da ação não-violenta, desenvolveu um cuidadoso estudo histórico mostrando de modo inegável que, ao contrário do que o darwinismo pensa, não foi a competição, mas sim a ajuda mútua, que possibilitou desde o início da vida a evolução das espécies.[2]  

 

Tudo o que rodeia um cidadão - mesa, computador, ônibus, roupas, ruas, prédios - é resultado da cooperação de ajuda mútua. A civilização materialista leva seus cidadãos a esquecerem disso. Muitos pensam que a competição é central, e isto os torna infelizes. A maneira natural dos seres humanos relacionarem-se é através da amizade.  Por que motivo é tão difícil seguir essa tendência natural? O ser humano cresce na luta com os paradoxos. Um poderoso jogo de pressões e conveniências ensina a ele desde cedo que é preciso desenvolver a competição. Assim se limita a amizade como impulso natural e se dificulta a plena ajuda mútua. Uma condição básica para que possamos voltar a viver plenamente a solidariedade consciente é ser autênticos, primeiro, com nós mesmos. Aceitar os outros como eles são, estimulando o melhor neles, e ser grato à vida inclusive pelas suas lições dolorosas, são hábitos realistas que nos tornam mais sábios e mais capazes de compreender a vida e de ser amigos.

 

Amar é melhor do que ser amado.  Ser amigo é mais importante que ter amigos. Mas a única base sólida para a afinidade entre os seres humanos é um respeito sagrado de cada um por si mesmo. Este sentimento surge da percepção de que pertencemos à alma imortal existente em nosso próprio coração. Não temos uma alma, mas a alma nos tem.  Nosso “eu superior” é nossa origem e nosso destino, e também nossa fonte de inspiração. O respeito por si mesmo está, pois, na origem do respeito pelos outros. Voltaire, o filósofo francês do século 18, escreveu:  

 

“Amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis, porque um monge, um solitário, pode não ser ruim e viver sem conhecer a amizade. Virtuosas, porque os maus não buscam mais que cúmplices. Os sensuais buscam companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantêm relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos.”[3]  

 

Assim, a verdadeira amizade é inseparável da ética e do altruísmo. O significado original da palavra “filosofia” é “amor pela sabedoria”, e Voltaire afirma:

 

“O filósofo é um amigo da sabedoria, ou seja, da verdade. Esse duplo caráter esteve presente em todos os filósofos. Não houve nenhum na Antigüidade que não desse exemplo de virtude aos homens e lições de verdades morais.” [4]            

 

Sem dúvida, é comum encontrar gente que ignora qualquer diferença entre ser amigo e ser cúmplice. Deste ponto de vista, dois amigos devem apoiar um ao outro “em qualquer situação”, inclusive em ações contrárias à verdade e ao equilíbrio.

 

Os mafiosos criam os seus próprios “códigos de ética” e “compromissos de lealdade”. O uso da amizade em jogos de conveniências gera confusão e sofrimento. O pensador romano Cícero (106 a.C.- 43 a.C.) esclareceu esta questão há pouco mais de dois mil anos. Em seu tratado sobre a amizade, ele escreveu:

 

“Uma associação de pessoas sem fé nem lei não poderia se abrigar sob a desculpa da amizade (...). Essa é, portanto, a primeira lei que se deve instaurar na amizade: não pedir a nossos amigos senão coisas honestas, não prestar a nossos amigos senão serviços honestos, sem esperar que eles nos sejam pedidos; permanecer sempre confiante, banir a hesitação, ousar dar um conselho em total liberdade. No domínio da amizade, é preciso que predomine a autoridade dos amigos mais bem avisados, e que esta influência se aplique em acautelar os outros, não só com franqueza mas com suficiente energia, se a situação o exigir, para que o conselho seja posto em prática.” [5]

 

Amizade verdadeira é inseparável de sentimentos nobres, e Cícero explica:

 

“A amizade nos foi dada pela natureza como auxiliar das nossas virtudes, e não como cúmplice dos nossos vícios, para que a virtude de um, não podendo alcançar sozinha o supremo bem, o alcance apoiada na virtude do outro”. Para o filósofo romano, “há uma simpatia quase inevitável entre os bons entre si, que é o princípio da amizade instaurado pela natureza.”

 

Em outro trecho do seu tratado sobre a amizade, Cícero afirma:

“O amor, de onde provém a palavra amizade, é no seu primeiro fundamento simpatia recíproca (...). Na amizade nada é fingido, nada é simulado, tudo é verdadeiro e espontâneo.”[6]   

 

O nível da franqueza existente entre amigos é um indicador da solidez do vínculo. Quando  dois amigos usam muita cautela para não se ferirem mutuamente, a amizade pode ser superficial. Uma amizade mais profunda produz certa ausência de cuidado com as palavras, e torna possível um grau maior de espontaneidade. Às vezes isso só surge com o tempo: a confiança mútua raramente se constrói em um dia.

 

Toda amizade enfrenta testes, e, para Aristóteles, “somente a amizade entre pessoas boas é imune à calúnia”. Ele explica:

 

“É entre pessoas boas que encontramos a confiança, o sentimento de que uma nunca fará mal à outra, e tudo mais que se espera em uma amizade sincera. Nas outras espécies de amizade, todavia, nada impede o aparecimento de suspeitas”. [7]

 

Platão fazia deste sentimento uma virtude social e política, elemento auxiliar importante para a construção da sociedade ideal. Mas Epicuro, que viveu em um período de decadência política, via a amizade como um fim em si e dava a ela importância suprema.

 

Considerado um sábio por Helena Blavatsky, Epicuro tinha uma filosofia próxima à dos estóicos. Ele fundou uma comunidade em Atenas para viver com os amigos, o Jardim, e sua vida foi um exemplo de ética e autodisciplina. Para Epicuro, “de todos os bens que a sabedoria proporciona para produzir a felicidade por toda a vida, o maior, sem comparação, é a amizade”.  E acrescentou: “A mesma convicção que nos inspira a confiança de que nada existe de terrível que dure para sempre, nem mesmo por muito tempo, também nos habilita a ver que dentro dos limites da vida nada aumenta tanto a nossa segurança como a amizade.” [8]

 

Na Bíblia, o Eclesiástico parece concordar com Epicuro. Primeiro o texto aconselha cautela (em 6: 7):  “Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses a confiar nele”. Pouco depois,  o Eclesiástico acrescenta:

 

“Afasta-te de teus inimigos e acautela-te com teus amigos. Um amigo fiel é um poderoso refúgio; quem o descobriu, descobriu um tesouro. Um amigo fiel não tem preço, é imponderável seu valor. Um amigo fiel é um bálsamo vital, e os que temem o Senhor o encontrarão. Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é seu amigo (6:13-17).”

 

Amigos cometem erros. Mesmo numa amizade sincera pode ocorrer decepção. Por outro lado, devemos respeitar nossos adversários.  O texto clássico de teosofia “Luz no Caminho”, de Mabel Collins, afirma o seguinte, sem meios termos: “A inteligência é imparcial; nenhum homem é teu inimigo, nenhum homem é teu amigo. Todos são igualmente teus instrutores.” [9]

 

Carlos Castaneda ensina que o adversário é sempre um instrumento precioso do nosso crescimento, porque identifica as falhas que devemos corrigir e mostra como funcionam em nós o medo e o ódio, para que, então, estes  dois sentimentos sejam extirpados pela luz da compreensão.

 

Outros autores, como Plutarco, destacam que os amigos freqüentemente acobertam nossas falhas, nos acostumam mal e nos levam a ficar preguiçosos, enquanto que os adversários nos mantêm alertas, nos obrigam a crescer e a superar a rotina que, de outro modo, nos engoliria. Tais testemunhos reforçam a idéia de que a verdadeira amizade é um processo livre de apego, em que o afeto não é colocado acima da sabedoria nem dos valores éticos, mas sim a serviço deles.  A verdadeira amizade é nobre, e Khalil Gibran escreveu:

 

“Não deve haver outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito. Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação do seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente coisas inúteis são apanhadas nela.”[10]

 

A frase de Gibran pode ser dura, mas ela é realista. Quanto mais cedo renunciarmos à auto-ilusão, melhor para nós. A verdadeira amizade requer desapego.  Os “Versos de Ouro” de Pitágoras expressam a sabedoria teosófica, e neles podemos ler o seguinte sobre a combinação de firmeza com flexibilidade: 

 

“Escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso. Aproveita seus discursos inspiradores, e aprende com os seus atos úteis e virtuosos. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro, porque a força da vida é limitada pela necessidade.” [11]

 

(C. C. A.)

 

NOTAS:

 

[1] “Pythagoras, His Life and Teachings”, de Thomas Stanley, Philosophical Research Society, Califórnia, EUA, 1970.

 

[2] “El Apoyo Mútuo, Un Factor de la Evolución”, de Piotr Kropotkin,  Ed. Proyección, Buenos Aires, 1970, 328 pp. Há uma edição em inglês:  “Mutual Aid, a factor of evolution”, Peter Kropotkin, Dover Publications Inc., Mineola, New York, 2006, 312 pp. 

 

[3] “Dicionário Filosófico”, Voltaire, Ed. Martin Claret,  p. 23.

 

[4] “Dicionário Filosófico”, p. 232.

 

[5] “A Amizade”, texto de Cícero incluído no volume “Saber Envelhecer”, Ed. L&PM, Porto Alegre, 151 pp.  Ver respectivamente as   pp. 104 e 105.

 

[6] “A Amizade”, texto de Cícero incluído no volume “Saber Envelhecer”,  Ed. L&PM, Porto Alegre, 151 pp.  Ver respectivamente as  pp. 91 e 131.

 

[7] “Ética a Nicômacos”, de Aristóteles, Ed. UnB, Brasília, terceira edição, 238 pp., ver p.157.

 

[8] “Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres”, Diógenes Laertios, Editora UnB, Brasília, 1977, 357 pp., ver p. 319.

 

[9] “Luz no Caminho”, Mabel Collins, Ed. Pensamento, SP, 85 pp., ver pp. 33-34.

 

[10] “O Profeta”, Gibran Khalil Gibran, Ed. ACIGI, RJ, 89 pp., ver p. 56.

 

[11] A íntegra de “Os Versos de Ouro de Pitágoras” pode ser facilmente encontrada pela Lista de Textos por Ordem Alfabética, ou na seção de “Filosofia Ocidental, Clássica e Moderna” do website  www.FilosofiaEsoterica.com .

 

A Civilização da Solidariedade

O Movimento Teosófico Abre Caminho Para

Uma Nova Maneira de Viver em Nosso Planeta

 

O dia sete de setembro de 1875 foi um momento decisivo para o surgimento da nova era de Aquário.  Nesta data, ocorreu em Nova Iorque a primeira reunião do movimento esotérico moderno, que iria emergir nas semanas seguintes sob a liderança de Helena Blavatsky. 

 

O primeiro objetivo do movimento não é modesto. Ele propõe nada menos que a formação de “um núcleo da fraternidade universal da humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor”. O seu lema possui um conteúdo anticlerical. Considerando inúteis e prejudiciais as burocracias teológicas, ele afirma:

 

“Não há religião mais elevada que a verdade”.

 

O despertar da mente superior rompe os dogmas da ciência, da filosofia e a religião convencionais. Do ponto de vista astrológico, esta é uma tarefa do planeta Urano, co-regente do signo de Aquário.  O movimento teosófico é a semente e o germinar de uma nova consciência, mas ele requer vários séculos para desenvolver-se. Já no berço ele rompeu a separação entre oriente e ocidente e espalhou-se pelo mundo como um esforço coletivo por uma nova era de solidariedade.  Mas ainda é muito jovem e está apenas começando sua missão. A visão teosófica requer liberdade de pensamento. Iluminada pelo espírito imortal, ela destrói os jogos institucionais de poder político e religioso. Ao perceber a fraternidade essencial que une todos os membros da humanidade,  a percepção teosófica da vida deixa à mostra  as pernas curtas da  mentira “espiritual” e põe no chão mais de um sonho romântico da era de Peixes.

 

O pouco convencional e renovador planeta Urano não trabalha sozinho. Longe disso. Do ponto de vista esotérico, todo o nosso sistema solar pode ser visto como uma grande escola espiritual de bilhões de anos. Cada planeta atua como um instrutor, ou como um conjunto de instrutores, desta escola; e tem determinado tipo de sabedoria a transmitir. [1] As lições de Urano - prioritárias nos próximos dois mil anos - têm ganhado peso na vida humana ao mesmo tempo em que a nossa humanidade compreende melhor as lições de Netuno,  dominantes  durante a já terminada era de Peixes.

A sabedoria de Urano está à nossa disposição há muito tempo, mas esta é a hora de dar-lhe uma relativa prioridade, inclusive porque ela permitirá compreender os desafios da era de Peixes que ainda estão por ser resolvidos.  Entre eles estão o fanatismo religioso, a auto-ilusão supostamente espiritual, e o pseudo-esoterismo. É necessário ter uma mente clara, livre, independente e altruísta (Urano-Aquário) para despertar a intuição e perceber sabiamente a unidade de todas as coisas (Netuno-Peixes), abandonando o uso das muletas da crença cega, que constituem o aspecto negativo da era de Peixes. Quando a razão e a intuição estão juntas, há equilíbrio e harmonia.       

 

Urano, Netuno e Plutão são os três planetas mais afastados do Sol. Eles são considerados os planetas “transpessoais”, ou impessoais. Eles trabalham em equipe, provocando o despertar da alma imortal na mente e no coração humanos.

 

Helena Blavatsky escreveu que a conexão de Netuno com o nosso sistema solar é “maiávica”, isto é, ilusória.[2] Dane Rudyar, astrólogo do século 20 e leitor atento de H. P. B., qualificou Urano, Netuno e Plutão como “embaixadores da galáxia”.  Para ele, os três só pertencem em parte ao nosso pequeno sistema solar.[3]

 

Assim como o Sol simboliza a totalidade do nosso eu individual, Urano, Netuno e Plutão representam mais diretamente a consciência cósmica. Para compreendê-los, é preciso aceitar a energia impessoal e universal que os anima e aprender a trabalhar com ela. Enquanto não somos capazes de fazer isso, a energia dos planetas “exteriores” é capaz de causar boa quantidade de confusão e atrapalhar bastante as tentativas humanas de organizar o mundo com base na ignorância. Por isso Helena Blavatsky escreveu que quando começasse a era de Aquário os psicólogos teriam trabalho extra para fazer, e as idiossincrasias psíquicas da humanidade entrariam em uma grande transformação. No mesmo texto, ela indicou o ano de 1900 como o do início da nova era aquariana. 

 

Segundo H. P. Blavatsky, “um dos vários ciclos notáveis” que terminaram no final do século 19 é “o ciclo messiânico dos judeus samaritanos  (e também cabalístico)  do homem conectado com Peixes”. Blavatsky explicou: “É um ciclo histórico e não muito longo, mas muito oculto, que dura cerca de  2.155 anos, mas ele só tem verdadeiro significado quando é calculado pelos meses lunares. Ele ocorreu em 2.410 e 255 a. C., ou quando o equinócio entrou no signo de Carneiro,  e novamente no de Peixes.” [4]

 

Geoffrey Barborka, um estudioso do século vinte que escreveu diversos livros sobre os ensinamentos da Sra. Blavatsky, comentou:

 

“Já que 2.155 anos é o período de tempo para a duração de cada um desses ciclos ou eras de Áries e de Peixes, e como a era de Peixes começou em 255 a. C., a data de início da era de Aquário é o ano de 1.900.” [5]

 

Embora o ano central tenha sido 1900, a transição de uma era astrológica para outra é um processo complexo. Os seus efeitos demoram alguns séculos para tornarem-se plenamente visíveis. No plano oculto, o alvorecer da era de Aquário ocorreu ao longo de 215 anos. Ele culminou em 1900, mas terminou, matematicamente, apenas durante a primeira década do século 21. [6] 

 

A era de Peixes foi marcada pelo contraste dramático entre os ideais elevados e as práticas egoístas. A exploração do homem pelo homem, a intolerância e o fanatismo arruinaram alguns dos nossos melhores sonhos. Houve um combate doloroso entre céu (o aspecto positivo de Urano) e inferno (o aspecto negativo de Plutão) dentro da alma humana, e esta viveu a crucificação pela dualidade. A luz infinita e imortal era rejeitada pelo subconsciente. A redenção só poderia ocorrer pelo despertar da percepção espiritual, possibilitado por Urano, e impulsionado pelo poder regenerador que o aspecto positivo de Plutão simboliza.

 

A astróloga Pauline Stone mostra que, nos últimos séculos, a descoberta de cada novo planeta coincidiu com fortes transformações culturais e históricas. O planeta Urano foi descoberto em 1781, pouco antes da revolução francesa, cujo auge, em torno de 1793, marcou o ano inaugural da perigosa transição para a era de Aquário.[7] Desde então, a liberdade de pensamento e os direitos humanos de cada indivíduo passaram a figurar com destaque entre as prioridades do debate político em todo o mundo. A proclamação universal dos direitos  do homem é de 1789.

 

Como vimos, uma das lições centrais ensinadas por Urano é  a fraternidade universal, que combina a amizade por todos os seres e o respeito à independência pessoal. Como parte da transição que vivemos, o casal humano e as nossas famílias têm buscado cada vez mais -  não sem sofrimento - combinar amor e liberdade, solidariedade e independência, ética e desapego, respeito pelos outros e por si mesmo. Esta combinação é um aspecto central da energia aquariana, e foi definida em 1875 como a meta número um do movimento filosófico que abriu caminho para a nova era.

 

Astronomicamente, Netuno, o gigante azulado, foi descoberto em 1846.  Dois anos depois, a publicação do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels proclamou o sonho visionário de uma humanidade sem fronteiras econômicas, políticas, sociais ou religiosas. Faltava discernimento. Na literatura, o romantismo chegava ao auge em todo o mundo.  Ilusão, sonho e idealismo andavam juntos. 

 

Nem sempre é fácil a tarefa de compreender o ensinamento de Netuno. Ele nos mostra a unidade de todas as coisas e faz com que a alma humana tenha uma vivência nobre e amorosa de fusão do mundo pessoal com a energia maior do universo. No entanto, esta lição deve ser compensada pela noção de limites, pelo bom senso e pelo discernimento, coisas que a alma humana aprende com outro instrutor, o rigoroso Saturno, o senhor do tempo, dos limites e das estruturas.   Ao lado de Urano, Saturno é co-regente do signo de Aquário. A era aquariana exige independência, cooperação, compreensão, responsabilidade e discernimento, para que se cumpra com eficiência o ideal da fraternidade, erguido durante a era de Peixes.  

 

Equilibrando espírito e matéria, teremos a cabeça no céu e os pés na terra. À medida que recebemos a influência crescente dos planetas impessoais, o grande planeta da lei do carma, Saturno, nos ensina um novo sentido de ética superior. O ensinamento se dá através dos próprios desafios que enfrentamos. As crises sociais, econômicas e ecológicas são colheitas do que nós mesmos plantamos. Estamos aprendendo a perceber nossa co-responsabilidade pela vida da humanidade e dos outros seres em nosso planeta. 

 

A descoberta de Plutão, em 1930, anunciou outra série de transformações. A psicanálise de Sigmund Freud, que ganhou dimensão mundial nos anos 30, trouxe a percepção consciente dos instintos do subconsciente humano e a possibilidade de transmutá-los para o bem, tarefa que, astrologicamente, corresponde ao inquieto Plutão, eternamente abraçado em luta com sua lua Caronte. Na mesma época, 1930, o movimento teosófico vivia uma verdadeira implosão; a economia mundial mergulhava na crise causada pela queda das bolsas de valores de 1929;  e poderosas forças destrutivas do subconsciente humano eram trazidas à tona por líderes políticos criminosos e assassinos,  como Adolf Hitler e Benito Mussolini.  

 

O século 20 não passou em vão.  Setenta anos depois da criação do movimento teosófico, a fundação da ONU em l945 estabeleceu pela primeira vez na história humana uma estrutura institucional capaz de reunir todas as nações e culturas, e voltada expressamente para a fraternidade universal.

 

Os cidadãos que criticam a ONU porque hoje ela é ainda um esboço precário de uma democracia mundial terão que descobrir, no futuro, que a história humana não é um esforço repentino. Cada nova era requer vários séculos para completar seu estabelecimento. Mesmo incompleta, a ONU já conta hoje com a ação consciente de numerosos movimentos espiritualistas e associações religiosas, comunitárias e ecológicas. Ela faz um trabalho cada vez mais importante promovendo a paz entre os povos, a justiça social, a defesa dos grandes ecossistemas do planeta, a discussão dos novos rumos econômicos e  uma definição adequada do futuro do  processo civilizatório.

 

Apesar do tumulto aparente, estamos vivendo um despertar espiritual. Quem não sabe o que está acontecendo fica assustado pelo aspecto freqüentemente caótico dos acontecimentos externos. Apesar das suas incertezas, o atual processo de globalização econômica e cultural abre caminho para um despertar espiritual único na história da humanidade. Na primeira metade do século 21, acabamos de cruzar o portal de ingresso em um novo período de cerca de dois mil anos cuja característica será o sentimento fraterno cada vez mais consciente dos seres humanos pelas inúmeras formas de vida. 

 

Se não for necessária uma catástrofe geológica tão grande que force um recomeço radical da experiência humana, haverá, então, um desenvolvimento não só mental mas também tecnológico incalculável, que nos fará adotar uma atitude inteiramente nova diante do mundo físico. Este grau de esplendor da sabedoria humana será apenas o começo da verdadeira “volta para casa” da nossa alma. Cada cidadão planetário poderá viver uma certa transfiguração, redescobrindo, dentro de si mesmo, a presença divina e a energia cósmica que antes considerava externas, ou que pensava haver perdido de vista.

 

Mesmo no caso de uma mudança geológica radical, o despertar da visão fraterna da vida - livre de manipulações clericais ou autoritárias - é algo certo, seguro e inevitável. Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, e se recicla. “O que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer”, ensina o Eclesiastes na Bíblia cristã (1: 9). A era de Urano e Aquário é um “novo aparecimento” da sabedoria eterna. Saindo gradualmente das águas do esquecimento, o conhecimento divino ressurge em meio às crises necessárias à transição, e assim traz paz e alívio aos cidadãos de boa vontade.

 

(C. C. A.)

 

NOTAS:

 

[1] Veja o livro “A Astrologia do Karma”, de Pauline Stone, Ed. Pensamento, 262 pp.

[2] Veja “The Secret Doctrine”, H. P. B., Theosophy Company, Los Angeles, volume I, p. 102, nota ao pé da página. Sobre Netuno, examine também “Blavatsky Collected Writings”, H. P. B., TPH, volume XIV, pp. 227-228.

 

[3] Dane Rudyar desenvolve esta análise em seu livro “A Dimensão Galáctica da Astrologia”, Ed. Pensamento, SP, 200 pp.

 

[4] Ver “Collected Writings of H. P. Blavatsky”, TPH, India, volume VIII, p. 174, nota de pé de página.

 

[5] Geoffrey Barborka, “Secret Doctrine Questions &  Answers”, Wizards Bookshelf, San Diego, EUA, 2003, 197 pp., ver p. 100.

 

[6] Na sua obra monumental “A Doutrina Secreta”, Helena Blavatsky afirma que a transição entre dois ciclos ou eras é de dez por cento da duração do ciclo. (“The Secret Doctrine”, HPB, Theosophy Co., volume II, p. 308, nota ao pé da página.)  As eras astrológicas que estamos examinando duram cerca de 2.150 anos.  Dez por cento disso são 215 anos. Para encontrar o inicio e o término deste período de “anoitecer e alvorecer”,  devemos tomar como ponto central o ano de 1900, indicado por HPB como o ano da transição, e recuar a metade de 215 anos para encontrar o início do alvorecer,  e avançar desde 1900 a metade de 215 anos para encontrar o final do alvorecer.  Recuando 107 anos e meio, encontramos 1.793, um ano de auge da Revolução Francesa, cujos ideais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” são tipicamente aquarianos. Avançando 107 anos e meio a contar de 1.900, encontramos o ano de 2007. Este ano marca, pois, o término numerológico e matemático do alvorecer de Aquário. 

 

[7] Sobre o ano de 1793, veja a nota número 6, acima.

 

A Declaração da Loja

Unida de Teosofistas (LUT)

 

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A Loja Unida foi fundada em Los Angeles, na

Califórnia, em Fevereiro de 1909, e hoje existe

em cerca de 15 países.A loja luso-brasileira da LUT

é a mais recente: foi registrada em novembro de 2009.

 

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O programa de ação dessa Loja consiste em devoção independente à causa da Teosofia, sem vinculação oficial a nenhuma organização teosófica. Ela é leal aos grandes fundadores do movimento teosófico, mas não se ocupa com desavenças ou diferenças de opiniões individuais.

 

O trabalho a que ela se dedica e a meta que ela mantém em vista são demasiado importantes e demasiado elevados para que haja tempo ou disposição para participar de questões laterais. O trabalho e a meta são a disseminação dos princípios fundamentais da filosofia teosófica, e a exemplificação prática desses princípios através de uma compreensão do EU SUPERIOR; uma convicção mais profunda da Fraternidade Universal. 

 

Essa Loja considera que a base inatacável para a união entre os teosofistas, independentemente de como e onde eles se situem, está na “similaridade da meta, do propósito e do ensinamento”, e, portanto, não possui nem Estatuto, nem Regimento Interno, nem Dirigentes.  O único laço entre os seus associados é a base mencionada acima. Essa Loja tem por objetivo disseminar essa idéia entre os teosofistas, promovendo a Unidade.

 

Ela vê como teosofistas todos os que estão engajados no verdadeiro serviço pela Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, situação pessoal ou organização; e –

 

Ela dá as boas vindas como associados a todos aqueles que estão de acordo com os seus propósitos declarados e desejam preparar-se, através do estudo e de outros modos, para serem mais capazes de ajudar e ensinar outras pessoas.

 

“O verdadeiro teosofista não pertence a nenhum culto ou seita, e no entanto pertence a todos eles”.

 

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Estando em simpatia com os propósitos dessa Loja, tal como estabelecidos nessa Declaração, eu registro por esse meio o meu desejo de ser inscrito como um associado; ficando entendido que tal associação não estabelece nenhuma obrigação da minha parte, exceto aquela que eu próprio determine.

 

[ Os parágrafos acima formam o documento assinado pelos Associados da Loja Unida de Teosofistas.  Visite o blog da LUT luso-brasileira,  www.TeosofiaOriginal.com .]

 

 

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O Teosofista Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico 

 

Ano IV, Número 48, Maio de 2011.  O Teosofista é o boletim eletrônico mensal do website www.FilosofiaEsoterica.com e do blog www.TeosofiaOriginal.com .  Entre em contato com os editores e faça perguntas e sugestões pelo e-mail: lutbr@terra.com.br .  

 

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Tags: Blavatsky, LUT, amizade, aveline, concentração, declaração, fraternidade, progresso, teosofia, teosofista

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