Revista Virtual O TEOSOFISTA Abril 2011

 

Caros Amigos e Irmãos:  Estamos distribuindo em nome do website www.FilosofiaEsoterica.com , a edição de  Abril   de  2011  do boletim  O TEOSOFISTA

 



Uma nota dos editores informa:

 

“A  edição de abril começa abordando temas esotéricos complexos, e conclui discutindo cinema.  Primeiro, é examinado o processo da reencarnação no caso de almas que já experimentam em vida a bem-aventurança do Devachan.  Em seguida, há um estudo sobre a vida e a missão de Alessandro Cagliostro e os seus pontos em comum com o esforço de Helena Blavatsky, desenvolvido um século depois.  Finalmente,  O TEOSOFISTA  traz artigos sobre três  filmes recentes, de sucesso e disponíveis  em DVD.  Dois dos filmes abordam corretamente a vida e a obra de Confúcio, o sábio da China antiga. O outro filme, também excelente para mostrar à família e aos amigos, populariza a visão da teosofia original sobre a fronteira e as relações entre a vida física e a vida após a morte.”

 

A reprodução de “O TEOSOFISTA” de abril  é livre, uma vez que seja citada a fonte - o website www.FilosofiaEsoterica.com .

 

Convidamos nossos leitores a  visitarem  sempre os nossos blogs  www.VislumbresdaOutraMargem.com  e www.TeosofiaOriginal.com Em língua inglesa,  temos  os sites www.TheosophyOnline.com e  www.Esoteric-Philosophy.com, e o e-grupo E-Theosophy

 

Os interessados em um estudo diário da filosofia esotérica original   devem  escrever alutbr@terra.com.br  , perguntando como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo  SerAtento

 

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O Teosofista

Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico   

 

 

O Boletim Mensal do Website  www.FilosofiaEsoterica.com

Ano IV - Número 47 - Edição de Abril de 2011-  lutbr@terra.com.br 

 

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“Não venho de nenhum lugar, e não pertenço a tempo algum.

Fora do tempo, meu ser espiritual vive sua existência eterna.”

 

(Alessandro Cagliostro)

 

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Reencarnação Consciente e Imediata

O Exemplo da Vida Anterior de Nicolau Copérnico

 

 

O astrônomo Nicolau Copérnico (1473-1543), que é conhecido como autor da teoria segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, pode ter sido uma reencarnação consciente e imediata do cardeal Nicolau de Cusa (1401-1463).

 

O cardeal de Cusa antecipou em livro algumas das principais idéias de Copérnico. Há outros aspectos em comum entre as duas vidas, e eles foram abordados por H.P. Blavatsky.

 

A reencarnação consciente e rápida é conhecida no Tibete como “Tulku”. A tradição oriental a atribui aos vários Dalai-Lamas.  Antes de analisá-la, porém, é preciso ver como ocorre, como norma geral, o processo entre duas vidas.

 

Segundo a filosofia esotérica clássica, o ciclo da reencarnação é geralmente involuntário e demora milênios. Com a morte do corpo, há uma primeira transição de curto prazo. Depois o foco de consciência fica, durante meses, ou anos, em kama-loka, o “local dos desejos”. Na verdade kama-loka não é um “local”, mas um padrão vibratório. Tal padrão é conseqüência dos aspectos terrestres e materiais da vida que se encerrou.   

 

Quando essa fase de sonho é concluída, há um “período de gestação” ou preparação. Vem então o despertar no devachan, o “local” divino. Há agora outro sonho, mas desta vez é vivida uma consciência abençoada, e um descanso “eterno” traz a realização subjetiva dos nossos ideais altruístas e espirituais. Na primeira fase do devachan (rupa-devachan), tal sonho inclui imagens ou formas. As imagens desse sonho são tiradas da vida anterior, mas sua substância diz respeito apenas à alma imortal (atma-buddhi).

 

Terminada esta etapa, segue-se um longo período de devachan marcado por “sono sem sonhos”, ou arupa-devachan. Depois dele, a alma entra finalmente no processo de transição que a levará a encarnar novamente. Isso ocorrerá de acordo com as afinidades e os desafios cármicos acumulados na vida anterior.  

 

Esta é a regra geral.  Ao contrário do que dizem as crenças populares sobre reencarnação, o período entre uma vida e outra dura em geral de mil a quatro mil anos, o que justifica a imagem simbólica do catolicismo segundo a qual se “vive uma eternidade no paraíso”.

 

O estudo desse processo da reencarnação - cuja regra geral inclui vários grupos de exceções - tem importância fundamental para que possamos compreender a nós próprios e à vida. Tal ensinamento está publicado em “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett “(Ed. Teosófica), e há boa quantidade de material a respeito no website www.FilosofiaEsoterica.com .[1]

 

Esse, porém, é o processo de reencarnação inconsciente.  Há também a reencarnação consciente e imediata, ou quase imediata, que constitui uma das exceções à regra geral.

 

As almas mais avançadas no caminho espiritual vivenciam em vários graus a energia do devachan durante a própria vida física, e por isso se libertam - em todo ou em parte - dos mecanismos inconscientes da reencarnação.

 

A fundadora da filosofia esotérica moderna, Helena P. Blavatsky (HPB) abordou este tema. Ela usava a palavra “Adepto” no sentido amplo, que inclui discípulos e Adeptos adiantados, ou Iniciados que se libertaram da  necessidade de  reencarnar. Tais Iniciados também são conhecidos como Rishis, Buddhas, Mahatmas, Arhats, Raja-Iogues e Imortais. Em uma frase que requer exame atento, HPB afirmou:

 

“Das encarnações voluntárias e conscientes de Adeptos há dois tipos - as encarnações dos Nirmanakayas e as encarnações realizadas por chelas (discípulos) em suas provações.” [2]

 

A palavra “Nirmanakayas”, aqui, significa os Buddhas ou Mahatmas. Os “chelas” ou discípulos são almas avançadas que ainda não chegaram à maestria espiritual. Pouco mais adiante, HPB escreve frases que também merecem ser lidas e relidas lentamente:

 

“Todo homem tem um eu interior, um ‘Eu Superior’, e também um Corpo Astral. Mas poucos são aqueles - fora dos níveis mais altos do Adeptado - que podem guiar o corpo astral, ou qualquer um dos princípios que o animam, depois que a morte completou sua curta vida terrestre. E no entanto essa orientação, ou a transferência desses princípios do corpo morto para um corpo vivo, é não só possível, mas também ocorre freqüentemente, segundo ensinamentos Ocultos e Cabalísticos.  Os graus dessa capacidade naturalmente variam muito. Irei  mencionar apenas três deles. O mais inferior desses graus permite, a um Adepto que esteve grandemente envolvido em uma vida com o estudo e o uso dos seus poderes, escolher depois da morte outro corpo em que ele poderá prosseguir seus estudos interrompidos, embora, normalmente, ele perca toda lembrança da sua encarnação prévia. O grau seguinte permite a ele, além disso, transferir a memória da sua vida passada ao seu novo corpo. No grau mais alto, dificilmente existe alguma limitação  no exercício dessa capacidade maravilhosa.” (C. W., vol. XIV, p. 377) 

 

Em seguida, HPB cita o caso de Copérnico:

 

“Como exemplo de um Adepto que dispunha do primeiro poder mencionado, alguns cabalistas medievais citam um personagem bem conhecido do século XV - o cardeal de Cusa. Devido à sua maravilhosa devoção ao Estudo esotérico e à Cabala, o Carma levou o sofrido Adepto a buscar uma recuperação intelectual e um descanso da tirania eclesiástica no corpo de Copérnico. Se não é verdade, pelo menos faz muito sentido. O estudo das vidas dos dois homens pode levar facilmente quem acredite em tais poderes a aceitar o fato alegado.” [3]

 

Considerado até hoje um dos maiores expoentes da filosofia cristã, Nicolau de Cusa trabalhou nos alicerces ocultos da Renascença.  Sua obra mais conhecida, “A Douta Ignorância” , publicada em 1440, é claramente baseada na geometria, na matemática e no pitagorismo. Nela, Nicolau de Cusa antecipa as conclusões astronômicas de Copérnico.

 

O título de “A Douta Ignorância” é claramente socrático. A obra visa buscar modos de tornar douta, ou sábia, a nossa ignorância. Ora, a “sábia ignorância” é a ignorância socrática. Esse é o conceito fundamental de Sócrates, segundo o qual o sábio é sábio porque sabe que nada sabe, enquanto que os ignorantes são ignorantes porque, nada sabendo, pensam que sabem muito. O mesmo ponto de vista alimenta toda a mística cristã e reaparece nas obras de São João da Cruz através da imagem da “noite escura da alma”.

 

Ao discutir o universo em “A Douta Ignorância”, Nicolau de Cusa contraria os dogmas científicos e religiosos da sua época. Ele antecipa as idéias de Copérnico, de Galileu Galilei e da ciência moderna [4],  quando afirma que:

 

1) A Terra não está no centro do universo (pp. 151-152);

 

2) A Terra não está imóvel (pp. 153 e 155);

 

3) A terra não é esférica, apesar de se aproximar da esfericidade (p. 155);

 

4) A Terra faz um movimento circular imperfeito (p. 156);  

 

5) O Universo não tem um centro único, mas seu centro está em todas as partes (o que antecipa a Astrofísica de hoje) (p. 155); e

 

6) Há outros planetas habitados além da nossa terra, mas seus habitantes não são comparáveis aos nossos (pp. 158-160).

 

Nicolau Copérnico nasceu em 1473, uma década depois da morte de Nicolau de Cusa.

Copérnico conseguiu escapar (por pouco) da perseguição criminosa do Vaticano, que só se materializou décadas mais tarde, em 1633, contra o sábio Galileu Galilei.

 

(C. C. A.)

 

NOTAS:

 

[1] Veja a seção “Lei do Carma e Reencarnação”, em www.FilosofiaEsoterica.com  .

 

[2] Veja o texto de H. P. B. intitulado “The Doctrine of Avataras”, incluído em “Collected Writings of H.P. Blavatsky”, TPH, volume XIV,  pp. 370-385, e especialmente p. 375.

 

[3] “Collected Writings of H.P. Blavatsky”, TPH, volume XIV, pp. 377-379.

 

[4] “A Douta Ignorância”, Nicolau de Cusa, EDIPUC-RS, Porto Alegre, 2002, 248 pp., ver capítulos 11 e 12 do livro segundo da obra, pp. 151 a 162. Há outro livro de N. de Cusa disponível em português: “A Visão de Deus”, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal, 1998, 242 páginas.

 

O Mistério de Alessandro Cagliostro

Místico do Século Dezoito

Antecipou Missão de Helena Blavatsky

 

O conde Alessandro Cagliostro foi um dos maiores místicos do século 18.   Ele foi também incompreendido e perseguido até a morte -; ou, pelo menos, até o momento em que desapareceu misteriosamente da sua cela, em uma inacessível prisão do Vaticano.   

Todo aquele que contraria a ignorância organizada é alvo de ataques. Segundo a lenda dos evangelhos cristãos, Jesus Cristo foi condenado à cruz como castigo por ser um charlatão.  Cagliostro ainda hoje é chamado de charlatão, assim como ocorre com Saint-Germain, Helena Blavatsky e outros sábios e filósofos de diferentes épocas.

 

Apesar das calúnias, o trabalho de Cagliostro na segunda metade dos anos 1700 tem uma relação interna com o impulso que um século depois criaria o movimento teosófico moderno,  em 1875. 

 

Famoso por seu dom de curar, Cagliostro trabalhou em níveis superiores de consciência. Seu esforço se somou às ações de outros pensadores do século 18, entre eles os filósofos iluministas de vários países da Europa. Ele ajudou a provocar grandes transformações sociais. Ele também fez uma tentativa de resgatar o movimento maçônico da sua decadência.   Cagliostro criou em Lyon, na França, em 1786, uma maçonaria aberta à participação de mulheres e para a qual criou um Rito Egípcio.  Mais tarde, Annie Besant e seus seguidores iriam usar o nome “rito egípcio” para fazer um ritual sem valor e sem relação com o rito egípcio autêntico.  

 

H. P. Blavatsky informa que Cagliostro agia inspirado pela filosofia esotérica dos mestres do Oriente. Ele passou algum tempo na Rússia e na Inglaterra. Depois viveu na França. Perseguido, passou seis meses preso na Bastilha antes de ficar comprovada sua inocência no famoso caso do Colar da Rainha. Seu trabalho pela regeneração do ser humano coincide com o mesmo impulso interior humanista que fez surgir a declaração dos direitos do homem e originou as revoluções norte-americana e francesa.  Os excessos da revolução francesa, que degenerou em uma espécie de terrorismo de Estado, apenas mostram a necessidade da ação pacífica. O ideal básico da democracia e da liberdade do indivíduo é mais atual do que nunca, no século 21.  O lema “Liberdade, Igualdade [de Direitos] e Fraternidade” é hoje a meta da Organização das Nações Unidas e de cada cidadão de boa vontade.

 

Passo a passo, a civilização se aproxima do momento em que será alcançado o ideal da paz perpétua entre todos os povos,  levantado na segunda metade do século 18 por Jean-Jaques Rousseau, por Immanuel Kant, pelo Barão de Holbach e outros humanistas, ao mesmo tempo que o  místico Cagliostro e o conde de Saint-Germain também trabalhavam, num plano mais esotérico, pela elevação da alma humana.  

 

Nascido em 1748, Cagliostro havia trabalhado longamente pelo ideal humanista quando foi preso pela Inquisição do Vaticano na Itália, em dezembro de 1789.

 

Naquele momento a revolução francesa estava começando. Feito prisioneiro, ele foi levado de uma prisão para outra. Cagliostro foi torturado, longa mas inutilmente, pelos carrascos católicos.  O objetivo dos verdugos do Vaticano era forçá-lo a confessar crimes que não havia cometido.

 

Em 7 de abril de 1791,  Cagliostro  foi condenado à morte. Seus livros e alguns dos seus objetos maçônicos foram queimados diante de uma multidão, na Piazza della Minerva, em Roma.

 

H.P. Blavatsky conta que pouco depois aconteceu algo curioso. Um estranho personagem, nunca antes visto no Vaticano, surgiu em Roma e solicitou uma audiência em particular com o Papa. Ao invés de dar seu nome, o desconhecido mandou ao Pontífice, pelo Cardeal Secretário, apenas uma palavra

 

A reação do papa foi receber imediatamente o desconhecido. Depois de alguns minutos de audiência privada, o personagem retirou-se. Em seguida, o papa deu ordens para um procedimento que deveria ser feito no mais absoluto segredo.  A pena de morte a que Cagliostro havia sido condenado deveria ser comutada para pena de prisão perpétua.  O conde de Cagliostro deveria ser encerrado no castelo de San Leo, que ficava no alto de uma rocha, e ao qual só se podia ter acesso por meio de uma cesta elevada e abaixada com uso de roldanas.  Era um elevador primitivo. [1]

 

Foi dali, há mais de 200 anos, que Cagliostro desapareceu  em 26 de agosto de 1795.

 

Segundo a versão oficial, ele morreu. De acordo com outras versões, mencionadas por Helena Blavatsky, ele teria saído vivo daquela cela inacessível graças a algum método especial.

 

Há de fato um mistério sobre o modo como terminou a vida deste personagem. Segundo W. R. H. Trowbridge [2] , que cita H. P. Blavatsky como fonte, ele parece ter saído da prisão de San Leo por um método do qual seus carcereiros não foram informados.  Esta afirmação de HPB está documentada. HPB narra esta possibilidade em seu artigo “Was Cagliostro a Charlatan?”, atualmente publicado em “Collected Writings”, volume XII, p. 88.

 

Além disso, Trowbridge menciona um relato segundo o qual, alguns anos depois da desaparição de Cagliostro, teria acontecido algo de grande interesse para os teosofistas.  Trowbridge cita HPB como fonte da sua afirmativa, mas não diz em que texto ela escreveu ou quando ela disse o que ele narra.  Segundo Trowbridge, HPB afirmou que Cagliostro foi visto por várias pessoas na Rússia, depois de sua suposta morte em 1795, e que passou algum tempo na casa do pai de Helena Blavatsky. 

 

A afirmativa de Trowbridge deve ser investigada, porque não está demonstrado que H. P. B. fez tal afirmação.

 

É certo, porém, que Cagliostro viveu alguns meses na Rússia entre 1779 e 1780.  H. P. B. nasceu no império russo poucas décadas depois da morte de Cagliostro.  Um estudo comparado entre as personalidades e circunstâncias de vida de ambos mostra grande número de elementos similares. H. P. B. escreveu bastante sobre Cagliostro.  Ela também usava a jóia maçônica que pertencera a ele, e que hoje faz parte dos arquivos da Sociedade Teosófica de Adyar, na Índia [3]

 

Em carta a Alfred Sinnett, Helena Blavatsky conta que um colaborador dela, Darbargiri Nath,  visitou durante uma hora a cela de prisão em que esteve Cagliostro. Darbagiri pode ter desenvolvido ali alguma atividade meditativa especial.  Na mesma citação, HPB  menciona o Sr. Hodgson, um dos que a acusaram de charlatã nos anos 1880:

 

“Serei eu maior, ou de alguma maneira melhor, do que foram St. Germain, e Cagliostro, Giordano Bruno e Paracelso, e tantos outros mártires cujos nomes aparecem nas Enciclopédias do século 19 com os meritórios títulos de charlatães e impostores? Será carma dos juízes cegos e maldosos - não meu carma. Em Roma, Darbargiri Nath foi à prisão de Cagliostro no forte Sant Angelo, e permaneceu naquele buraco horrível durante mais de uma hora. O que ele fez lá daria ao Sr. Hodgson elementos para outro Informe ‘cientifico’ se ele pudesse investigar o fato.” [4]

 

É interessante registrar um detalhe numerológico que mostra a relação oculta entre Cagliostro e Helena Blavatsky.   

 

Cagliostro foi condenado à morte dia 7 de abril de 1791. Helena Blavatsky morreu no dia 8 de maio de 1891, exatamente um século, um mês e um dia depois da condenação  de Cagliostro.  

 

É consenso em meios esotéricos que no século 18 Cagliostro trabalhou em cooperação com o conde St. Germain. Henry Olcott, co-fundador do movimento teosófico moderno,  escreveu algo significativo sobre uma das pessoas mais próximas de HPB, a sua tia Nadya Fadeef.  

 

Referindo-se a St. Germain, Olcott disse:

 

“Se a Sra. Fadeef - tia de HPB - pudesse ser induzida a traduzir e publicar certos documentos da sua famosa biblioteca, o mundo teria um enfoque mais bem informado do que existe até hoje sobre a missão europeia pré-revolucionária deste Adepto Oriental.” [5]

 

De fato, HPB termina o artigo intitulado “Count de Saint-Germain”, publicado na sua revista “The Theosophist”, com as seguintes palavras:

 

“Uma pessoa respeitada, integrante da nossa Sociedade [Teosófica] e residente na Rússia, possui alguns documentos sobre o Conde de Saint-Germain que são altamente importantes para resgatar a memória deste que é um dos maiores personagens da época moderna. Esperamos que os elos perdidos da sua história incompleta possam ser publicados em breve nestas colunas.”

 

Boris de Zirkoff, editor das obras de HPB, acrescenta que tal teosofista morando na Rússia era certamente Nadya, a tia de HPB, e que os documentos mencionados nunca foram colocados à disposição do público. [6]    

 

Henry Olcott também afirma em suas Memórias que H. P. B. e ele pensaram, em 1878, em fazer com que o movimento teosófico retomasse o trabalho de Cagliostro. [7]

 

Na primeira metade da sua missão, HPB fez fenômenos psíquicos de certo modo semelhantes aos realizados por Cagliostro.

 

O estudioso Marc Haven escreveu uma longa e excelente biografia de Cagliostro,“Le Maître Unconnu”. É um dos poucos estudos de grande porte sobre Cagliostro que lhe fazem  justiça, e até hoje está publicado apenas em francês. Neste livro vemos o que Cagliostro disse a seus juízes, quando lhe perguntaram quem, afinal, era ele:

 

“Não venho de nenhum lugar, e não pertenço a tempo algum. Fora do tempo, meu ser espiritual vive sua existência eterna. E se me retiro em minha consciência e retrocedo ao longo do curso das idades, e se levo meu espírito até uma forma de existência que está muito longe da pessoa que vocês vêem diante de si, então me torno um com meu ser espiritual. Enquanto estou conscientemente participando do Ser Absoluto, estou ao mesmo tempo ajustando minha atividade às minhas circunstâncias. Meu nome é o nome da minha função, e eu a escolhi, porque sou livre; meu país é aquele em que eu estiver trabalhando em qualquer momento dado.”

 

Cagliostro prossegue:  

 

“Não nasci da carne nem da vontade de seres humanos. Nasci do espírito. Meu nome é coisa minha, e é este com o qual escolhi aparecer diante de vocês, este é o nome que quero. O nome da minha juventude (.....), este eu o deixei como uma roupa velha que não  tem mais utilidade para mim.”.

 

E ainda:

 

“Todos os povos são meus irmãos; todos os países são amados por mim. Estou viajando para que por toda parte o Espírito possa descer e encontrar um lugar entre vocês. Peço aos reis, cujo poder eu respeito, apenas hospitalidade em seus países, e quando a recebo, trabalho para estimular, no que é possível, as boas ações.” [8]

 

Assim como Helena Blavatsky, Alessandro Cagliostro teve coragem e grandeza diante dos seus perseguidores.  Quando o interrogaram sobre suas atividades, ele respondeu:  

 

“Em cada lugar a que vou, largo uma parte de mim mesmo (....)  deixando a vocês uma pequena claridade, um pequeno calor, uma pequena força; até que, por fim, eu esteja definitivamente no final da minha carreira, no momento em que a rosa florescer na cruz.” [9]

 

De fato, H.P. Blavatsky escreveu que Cagliostro foi o último dos verdadeiros rosa-cruzes.[10]   As palavras dele no trecho citado acima parecem sugerir duas coisas:

 

1) Que a missão de “Cagliostro incluía várias vidas; e

 

2) Que sua missão terminaria com a vitória definitiva da sabedoria e da ética universais,  na comunidade humana.

 

(C. C. A.)

 

NOTAS:

 

[1] “Was Cagliostro a Charlatan?”,  artigo de H. P. B. publicado em  “The Collected Writings of H. P. Blavatsky”,  TPH, Adyar, India, volume XII, pp. 87-88.  O artigo completo vai da p. 78 à p. 88. 

 

[2] “Cagliostro - Maligned Freemason and Rosicrucian”, W.R.H. Trowbridge, Kessinger Publishing Co., Montana, USA, 312 pp., ver  pp. 306-307.

 

[3] Sobre a acidentada trajetória da jóia maçônica de Cagliostro, veja o artigo “The Mysterious Life and Transitions of the Cagliostro Jewel”, de Nell C. Taylor, na revista “Theosophical History”, edição de julho de 1990, Califórnia, EUA, pp. 79 e seguintes. Discípulos avançados têm a possibilidade de reencarnar rapidamente, porque experimentam em vida altos níveis de consciência e não necessitam, para este “descanso na esfera celestial”, de um longo intervalo entre duas vidas. Segundo alguns pesquisadores, como a autora inglesa Jean Overton Fuller, as encarnações de Paracelso, Cagliostro e H. P. B. podem ter sido três vidas em sequência, da mesma alma imortal, cuja meta é ajudar na preparação de um novo ciclo da evolução humana. As semelhanças entre estas três vidas também podem ser resultado de outras causas. Ver comentário sobre “An Unsolved Mystery”, na Nota sobre fontes bibliográficas, mais abaixo.

 

[4]“The Letters of H. P. Blavatsky to A.P. Sinnett”, transcribed by A.T. Barker, Theosophical University Press, Pasadena, California, USA, 1973, 404 pp., ver Carta XLVI, p. 110.  H. P. B. dá o nome de Sant Angelo para a Fortaleza. Cagliostro foi preso inicialmente em Sant Angelo. O Vaticano afirma que ele morreu mais tarde na fortaleza de San Leo (“Collected Writings”, ver volume XII,  pp. 86-88.)  Há ilustrações sobre San Leo e a cela supostamente ocupada ali por Cagliostro na obra “Cagliostro”, de Roberto Gervaso (ver nota “Outras Fontes Bibliográficas”, a seguir). 

 

[5]  “Old Diary Leaves”, Henry Olcott, First Series (volume I), TPH, India, 1974, 490 pp., ver p. 241, nota de pé de página.

 

[6] “Count de Saint-Germain”, artigo de HPB, em “Collected Writings”, volume III, pp. 125-129, ver p. 129.

 

[7] “Old Diary Leaves”, Henry Olcott, First Series (volume I), obra citada, pp. 468-469.

 

[8] “Le Maître Unconnu: Cagliostro” (Etude historique e critique sur la Haute Magie), de Marc Haven, Editions Dervy, Paris, Quatrième Edition, 1995.  Ver  pp.  241-244.    

 

[9] “Le Maître Unconnu: Cagliostro”, obra citada, ver pp. 242-243.      

 

[10] “The Collected Writings of H. P. Blavatsky”,  TPH, Adyar, India, volume I, pp. 103-104, artigo intitulado “A Few Questions to ‘Hiraf’ ”.   No mesmo volume, ver também p. 141, texto “The Science of Magic”.

 

OUTRAS FONTES BIBLIOGRÁFICAS SOBRE CAGLIOSTRO:

 

Veja, além dos livros e textos citados acima:

 

* “Rituel de la Maçonnerie Egyptiene”, Édition des Cahiers Astrologiques, Nice, France, Annoté par le Docteur Marc Haven, 1948, 147 pp.

 

* “Cagliostro et le Rituel de la Maçonnerie Égyptienne”, Robert Amadou, SEPP, Paris, 1996, 117 pp. Ver, às pp. 34-37 deste pequeno livro, uma especulação de Amadou sobre o final dos tempos em torno do ano 2000.

 

*“L’Esprit Des Choses”, Publication du  C.I.R.E.M.,  (Centre International de Recherches et D’Etudes Martinistes), France; volume 4 (1995)  et volume 5 (1996).

 

* “The Phoenix, an Illustrated Review of Occultism and Philosophy”, Manly P. Hall, second edition, The Philosophical Research Society, 1995, 176 pp. ver capítulo “Cagliostro and the Egyptian Rite of Freemasonry”,  pp. 152-159.

 

* “Compendio de la Vida y Hechos del Conde Calliostro”. A  compilação do processo da Inquisição contra Cagliostro, edição fac-similar do livro editado em Sevilla, Espanha, 315 pp.

 

* Artigo “Who Was Cagliostro?”, Will C. Burger,  na revista “The Theosophist”, Adyar, Madras / Chennai, India, March 1962, pp. 384 e seguintes.  

 

* Artigo “The Mystery of Cagliostro’s Mission”, Will C. Burger, em “The Theosophist”, July 1962, Adyar, Madras / Chennai, India, pp. 252 e seguintes.

 

* Artigo “Blavatsky About Cagliostro”, Will Burger, “The Theosophist”, Outubro de 1964, pp. 8 e seguintes.

 

*Artigo “Great Theosophists - Cagliostro”, “Theosophy”, Los Angeles, October 1938, pp. 530-536.

 

*Conto ou relato de H. P. B. intitulado “An Unsolved Mystery”, com comentários do editor Boris de Zirkoff, em “Collected Writings of H. P. Blavatsky”,  TPH, volume I, pp. 151-162.  O texto, que possui tons fantásticos, conta um suposto episódio de Cagliostro e sua esposa, ambos usando outros nomes, em Paris, em 1861. O conto pode ser um modo de HPB dar pistas falsas sobre “o mistério de Cagliostro”, protegendo o segredo que deve cercar a vida de todo iniciado. Pode ser também verdadeiro no sentido literal, embora não faça sentido que uma pessoa não-avançada no Caminho, como a esposa de Cagliostro, pudesse reencarnar rapidamente.  Tampouco é correto pensar que Cagliostro estivesse fazendo exatamente as mesmas coisas um século mais tarde, ou que ele se envolvesse numa situação pessoal tão complicada como a mostrada pela narrativa.  Além disso, os fatos relatados teriam que haver aparecido nos jornais, e não há indícios de que isso ocorreu.   Porém, a narrativa é admirável e encerra profundas lições.

 

*Cagliostro é citado várias vezes na primeira parte da narrativa de HPB intitulada “The Silent Brother”, que está incluída em “Collected Writings”, volume II, pp. 366-377. Ver especialmente as duas páginas  iniciais.

 

* “HPB Speaks”, editado por C. Jinarajadasa, TPH, Adyar, India. Obra em dois volumes. Ver especialmente o volume II, pp. 27 a 36.  

 

*“Collected Writings of H.P. Blavatsky”, TPH, India, volume XV (Index), pp.  98-99.

 

*“Cagliostro”, Roberto Gervaso, Biblioteca Universale Rizzoli, BUR, copyright 1972,1976, 1992, Milano, Itália, 250 pp.

 

*“Cagliostro”, Philippe Brunet, copyright 1994, Rusconi Libri, Milano, Itália, 380 pp.

 

Bom Cinema Amplia a Noção de Vida

Filme Agradável Mostra Fronteira Entre Vida e Morte

 

Está disponível em DVD e nas locadoras o filme “Além da Vida (“Hereafter”).

 

Dirigido por Clint Eastwood, co-produzido por Steven Spielberg, estrelado por Cecile de France e Matt Damon, o filme traz um enfoque teosófico sobre o tema da morte, das experiências próximas à morte, e da necessidade de transcender o apego para compreender as leis da vida.

 

A obra aborda também as resistências da mente convencional, que se recusa a encarar a vida desde um ponto de vista mais amplo.

 

O filme é intuitivo e tem valor como meditação. O seu  início pode não ser muito agradável, mas em seguida a história se desenvolve bem. A abertura tem valor para ecologistas e estudantes da questão da mudança de ciclos geológicos, porque mostra como ocorre um tsunami de grande porte.

 

O personagem central é um sensitivo. Ele percebe que o fato de ter percepções extra-sensoriais nos níveis pessoais e inferiores de consciência é ruim, e tenta libertar-se deste suposto “dom”.

 

Em suas linhas gerais, além de ser uma obra popular, o filme coincide com os ensinamentos da teosofia original sobre a vida, a  morte, e a vida após a morte.  

 

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A Teosofia de Confúcio, em Dois Filmes

 

O filme em DVD  “A Batalha Pelo Império” é uma excelente narrativa sobre a vida do sábio chinês Confúcio,  e dá uma ideia correta do dilema enfrentado por místicos,  quando eles optam por atuar no mundo, desafiando a ignorância organizada.  

 

Confúcio combina a sabedoria filosófica com a luta pela ética na política. Além de examinar os desafios enfrentados pelo teosofista que pretende estimular o uso da sabedoria na política e nas relações sociais, o filme também mostra a força da cultura milenar chinesa. O filme dá noções de taoísmo e mostra um diálogo de Confúcio com seu mestre,  Lao-tzu. Ensinando a atitude serena diante das dificuldades, mostra a necessidade de renúncia para que se possa trilhar o Caminho.

 

Confúcio teve um padrão de vibração em boa medida similar aos de HPB, Cagliostro, Paracelso e  Saint- Germain, entre outros discípulos avançados. 

 

Sua missão incluiu peregrinar pela vida desafiando a ignorância organizada e plantando sabedoria e ética com um profundo auto-sacrifício.  

 

Refletir sobre a vida de Confúcio ajuda a compreender o mistério do Nível Necessário de Conflito,  algo que o estudante de filosofia deve observar cuidadosamente  em sua trajetória. É correto evitar todo conflito desnecessário. 

 

Embora seja uma obra de ficção, “A Batalha Pelo Império” tem base na realidade histórica e transmite ética e sabedoria.  É um filme bem feito, que merece estar em lugar de destaque de uma biblioteca teosófica. É fácil de obter nas locadoras. A duração é de 125 minutos. A distribuição é de  Flashstar.

 

Há também uma bem documentada biografia de Confúcio em DVD. O filme faz parte da Coleção “Vida e Obra”, do “Biography Channel”. Além disso, para compreender a filosofia de Confúcio, é fundamental o estudo do volume “Os Analectos” de Confúcio, que está disponível em várias edições.  A leitura reflexiva de alguns axiomas dessa obra, feita diariamente, fortalece a caminhada de todo estudante.   

 

 

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O Teosofista - Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico

 

Ano IV, Número 47,  Abril de 2011.  O Teosofista é o boletim eletrônico mensal do website www.FilosofiaEsoterica.com e do blog www.TeosofiaOriginal.com .  Entre em contato com os editores e faça perguntas e sugestões pelo e-mail: lutbr@terra.com.br .  

 

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http://filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1146

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Tags: Aveline, Blavatsky, Cardoso, Carlos, H.P., cagliostro, copérnico, nicolau, o, reencarnação, Mais...teosofista

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