RECORDAÇÕES DE UM MÉDIUM

Uma Experiência No Astral Inferior

Existe no Astral inferior vários núcleos populacionais formados por espíritos conturbados, talvez em maior número do que as cidades situadas no Astral superior. Não é uma experiência agradável visitar algum daqueles núcleos, embora a incursão possa ser muito instrutiva. Foi deste modo que interpretei certa vez que visitei fiz uma uma cidade astral convulsionada.  

Espíritos sinistros governam essas regiões, para onde convergem por simpatia vibratória milhões de habitantes da crosta terrestre, encarnados e desencarnados.  A atmosfera é asfixiante e penumbrosa, deixando passar apenas escassa claridade, sendo muito difícil encontrar um campo de saída.  A periferia é ainda mais escurecida. A sensação de perigo é onipresente.

A cidade a qual me refiro não tinha nome. Ninguém se importava com isso. As ruas também não tinham nomes. Não vi qualquer meio de transporte e nenhum animal doméstico. O único lugar mais ou menos urbanizado era uma praça redonda de terra batida, com algumas árvores de grosseira folhagem verde-escura. Havia flores rústicas em alguns canteiros da praça, no centro da qual erguia-se um grande falo de pedra, assinalando, sem qualquer dúvida, a natureza do ambiente.

As principais ruas desembocavam na praça. O casario era de pedra limosa. Estavam aparentemente vazias, pois uma multidão ensandecida aglomerada em torno de um andor na forma de um falo encanoado, onde se alinhavam algumas entidades sinistras, parecia comemorar uma despedida.  Depois soube que haviam recebido ordem para encarnar., como a última oportunidade de permanecerem na Terra. 

O falo dispunha de banquetas onde sentavam-se algumas entidades femininas, de aspecto dementado e debochado. Esse andor media cerca de seis metros de comprimento e era sustentado por cerca de dez pares de lacaios, também de cataduras sinistras. Na parte traseira erguia-se uma nicho em forma de concha onde acomodava-se o maioral daquela região, uma entidade sombria, de aspecto sinistro, ladeada por dois acólitos masculinos, também sombrios.  

Fiquei um tempo observando aquela multidão ensandecida, sem que ninguém me desse atenção. Ou não me viam ou pensavam que eu fazia parte do ambiente. Os corpos astrais (períspiritos) das entidades eram escuros, suarentos e avermelhados da cor de salmão.  Movido por curiosidade, afastei-me, então, com a intenção de explorar a redondeza. Fixei minha atenção num edifício cinzento, que me pareceu ser uma biblioteca. De fato, era. Entrei sem receio. No centro da sala rodeada de estantes havia uma mesa com cadeiras para os frequentadores. Uma entidade escura, de aspecto desagradável, arrumava cuidadosamente os volumes na estante, por sinal bem encadernados. Notei que havia várias edições do Kama Sutra.

A entidade observou-me com desconfiança por um instante, mas logo despreocupou-se e continuou a sua tarefa. Sua aura continha traços de um amarelo terroso, sinal de intelectualidade. Provavelmente, fora um escritor obsceno. Arrisquei-me a tirar um livro da estante. Pura licenciosidade. Saí dali antes que a minha repulsa fosse notada e me causasse um incidente desagradável.

Voltei para a rua e continuei a explorar os arredores. Vi uma casa de show e resolvi entrar. No tablado, ao fundo, uma dançarina requebrava-se lascivamente. Nas mesas, várias entidades bulhentas bebiam. Fixei meu olhar na dançarina e imediatamente ela veio na minha direção tentando envolver-me em sua vibração astral. Fitei-a com serenidade e ela imediatamente estacou, examinando-se e surpreendendo-se com o seu estado. Sem dizer qualquer palavra, voltou ao tablado, sentando-se profundamente pensativa. A música também parou de tocar. Era proveniente da mente dela. Pareceu-me que depois de muitos anos ela, finalmente, reconhecia o seu estado mental. O inferno para ela era não conseguir parar de dançar. Não constatei, mas creio que foi auxiliada. 

Nos fundos da boate, havia um meretrício com muitos quartos. Ambiente lúgubre. Camas largas, lençóis sujos, casais em compulsivos conúbios amorosos e, às vezes, grupos de espíritos em cenas chocantes. Parecia não terem outro interesse mental. As entidades, de faces macilentas, olhavam-me com ar inexpressivo. Algumas pareciam apreciar o que estavam fazendo. Os quartos multiplicavam-se infindavelmente. Bastava penetrar num corredor para surgirem dezenas e dezenas de outros quartos. Resolvi sair dali antes que me perdesse naquele labirinto e não pudesse encontrar mais o caminho de volta. Não vi ninguém com vontade de deixar aquele local. Os sentimentos que nutriram em vida ainda eram ainda muito fortes.  

Voltei para a rua deserta, de terra batida. Os moradores pareciam que estavam todos no grande cortejo da praça central. Decidi ir até à periferia para ver o que descobriria. Mas, à medida que me afastava do centro, aumentava minha dificuldade de caminhar por causa das profundas fendas no solo. O casario ia se tornando também mais rústico até virar taperas feias e desalinhadas, cercadas por espesso matagal.  Imaginei que haviam bichos peçonhentos e que, se continuasse, iria mudar de plano para algo ainda pior do que o lugar onde eu estava.

Achei que não tinha mais nada a fazer ali e desejei voltar ao corpo físico, acordando imediatamente. As impressões do que vi perduraram um pouco na minha mente, mas orei e recebi um passe astral dos meus amigos espirituais, sentindo-me bem. Nunca mais retornei àquela cidade.

Em cada situação observada, surpreendi a lei de causa e efeito compelindo os espíritos a refletirem sobre seus sentimentos e ações, colhendo o que plantaram. Não imaginei que houvesse tantas entidades comprometidas carmicamente. Os homens na Terra não têm ideia dos horrores que aguardam os espíritos viciosos.

Percebi que somente com o tempo, ao se esgotar a energia negativa, os espíritos se liberariam daqueles constrangimentos. Enquanto isso, era fundamental colherem o que plantaram como forma de despertamento espiritual. Os que se equivocaram certamente se arrependeriam e seriam ajudados e encorajados a mudarem de caminho, mas os inteiramente viciosos tonar-se-iam certamente obsessores espirituais e repetiriam os mesmos erros quando encarnassem, até finalmente cansarem.  Os tempos de seleção espiritual, porém, são chegados, não havendo mais delongas. 

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