A Antroposofia e as Provas físicas da existência de fenômenos espirituais

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(imagem adicionada por Henrique

site da Sociedade Antoposófica Brasileira - Artista ERICH OTTO BLAICH)

Olá a todas/os,
Com referência à palestra "A física quântica e a mediunidade" (não consegui inserir um comentário na página dela), gostaria de colocar aqui uma concepção minha: é impossível provar fisicamente a existência de processos não físicos ou espirituais. Se isso fosse possível, não haveria liberdade de se escolher entre ser espiritualista ou materialista, o que denomino de "hipótese existencial fundamental".
Qualquer prova física da existência de processos espirituais, inclusive a mediunidade (por exemplo, tentando detectar alguma energia física sendo transmitida) é no fundo uma aplicação do materialismo. O mesmo se aplica a qualquer uso da mecânica quântica (MQ) e de sua teoria para justificar fenômenos espirituais. É fundamental separar-se o que é físico, como a MQ, do que é espiritual. É importante reconhecer-se que fenômenos físicos são expressões físicas de fenômenos espirituais (como, por exemplo, a forma dos seres vivos), e não o contrário.
aaaaaaaaaaaaaaaa, VWS.
Comentário de Valdemar W. Setzer em 9 junho 2012 às 21:27
Olá a todas/os,
(A.S.: fiz algumas correçõezinhas de erros de digitação e adicionei umas coisinhas em 14/6 às 14h32.)
Nosso apreciado coordenador Henrique transformou a minha postagem que abre este assunto em um novo assunto, o que agradeço muito.
Em minha opinião (que é inspirada pela Antroposofia, mas não a representa), a física quântica (FQ) tem um papel muito importante para o espiritualismo: ela mostrou que é impossível compreender materialmente o átomo e as partículas atômicas. Isso se deve a várias razões, por exemplo:
1. Alguns elementos que aparecem nas equações da FQ, como o spin de todas as partículas, não têm limite clássico, isto é, não podem ser compreendidos com os conceitos da física clássica, newtoniana. Ora, esta última é baseada em nossos sentidos físicos, de modo que o resultado é que é preciso abandonar a prisão dos nossos sentidos para abarcar o mundo atômico.
2. Há fenômenos incompreensíveis do ponto de vista clássico, como por exemplo o salto quântico, postulado por Bohr para resolver um problema do modelo planetário do átomo introduzido por Rutherford em 1909. Neste último, os elétrons são bolinhas e giram em torno do núcleo. No entanto, segundo a teoria de James Maxwell, como eles têm carga elétrica e devem ser acelerados para mudarem de direção (a fim de percorrerem uma órbita em torno do núcleo), necessariamente deveriam irradiar energia eletromagnética e, assim, fariam uma espiral e acabariam caindo no núcleo, o que obviamente não acontece. Aí Bohr postulou que as órbitas eram estáveis, sem irradiação de energia (o que contraria a mecânica clássica), mas podiam passar instantaneamente para uma órbita inferior (emitindo um fóton de energia) ou para uma superior (absorvendo um fóton). Só que esse denominado salto quântico, por ser instantâneo, mais uma vez contraria a mecânica clássica (onde a mudança de órbita deveria ser contínua) e nossa compreensão.
3. Outro fenômeno incompreensível é o "emaranhamento" (entanglement) de partículas, já provado experimentalmente: em certos experimentos pode-se produzir duas partículas "emaranhadas", e qualquer mudança que se faça numa ocorre também na outra, novamente de modo instantâneo e, o pior, independente da distância entre elas (já houve comprovação experimental a quilômetros de distância). Esse fenômeno é denominado de não localidade. É como se uma informação fosse transmitida de uma partícula para outra instantaneamente.
4. Um outro fenômeno da FQ é a expressão da localização de partículas atômicas usando uma "onda de probabilidades"; uma partícula pode estar em todas as posições, mas ao se detectá-la (o que é chamado de "colapsamento") ela estará apenas em uma, seguindo uma certa probabilidade de estar naquele local, isto é, repetindo-se a medida um montão de vezes, ela estará nos vários locais em um número de vezes em cada um dado pela onda de probabilidade. Ora, já nas ondas eletromagnéticas tem-se um problema incompreensível: "onda" é um conceito da mecânica clássica (uma partícula empurrando ou puxando outra ritmicamente, e com isso formando uma onda, como numa corda balançada, presa numa extremidade, ou nas ondas provocadas por uma pedra atirada num lago). Mas o que é que é puxado ou empurrado em uma onda eletromagnética, se ela se propaga no vácuo? Daí ter-se postulado que, no vácuo, a onda não é mais aquela, é um pacote de energia. De fato, penso que a onda só se manifesta quando existe interação da irradiação eletromagnética com a matéria. A luz é invisível; torna-se visível quando interage com a matéria, iluminando-a. Infelizmente os físicos estão acostumados a fazer extrapolações indevidas, por exemplo ao afirmarem que a luz é uma onda devido ao fenômeno de interferência, isto é, luz passando em duas fendas próximas e dando franjas em um anteparo posterior., devido à adição ou subtração das duas ondas, dependedo da fase de cada uma na confluência das duas. O máximo que cientificamente se deveria dizer é que no anteparo o fenômeno é de ondas ou, então, ao interagir com as fendas, a luz transforma-se em ondas; nada se deveria afirmar sobre a luz antes das fendas. Voltando às ondas de probabilidade da FQ, ora, raios, como é que se propaga uma "onda de probabilidade", se probabilidade é um conceito puramente matemático, inexistente no mundo "real"?
Infelizmente, uns e outros usam, em meu ponto de vista indevidamente, fenômenos físicos quânticos para justificar a existência do espírito, ou de "substâncias" e fenômenos não físicos (isto é, que não podem ser reduzidos a matéria e fenômenos físicos). Segundo pude compreender de sua teoria, esse é justamente o caso de Amit Goswami, o fundador do Ativismo Quântico. Em seu livro O Ativista Quântico, em lugar de dizer que devemos mudar de mentalidade, uma mudança anímica e espiritual, ele diz claramente que devemos fazer um "salto quântico". Não é uma metáfora; segundo compreendi, ele realmente acha que o que se passa espiritualmente é exatamente o salto quântico atribuído por Bohr aos elétrons, um fenômeno físico. É isso que eu chamo de visão materialista do espírito. Mais, ele explica fenômentos puramente espirituais, como a telepatia, por meio de um suposto emaranhamento de partículas que existiriam nos cérebros das pessoas envolvidas. Ora, emaranhamento é um fenômeno físico; pior, ele se passa quando se criam partículas emaranhadas. Existe uma conjectura de que durante o estapafúrdio "Big Bang" foi criada uma enorme quantidade de partículas emaranhadas. Que elas tenham ido parar no cérebro de pessoas que conseguem fazer um contato telepático é forçar muito a especulação...
Considero Goswami um espiritualista, mas infelizmente ele tenta justificar o espírito por meio de modos de pensar puramente materialistas. Isso não diminui seu valor, por exemplo quando ele critica a educação, a política, a economia etc. Com as suas justificativas quânticas (indevidas, em minha opinião), ele consegue atrair uma porção de gente que simplesmente não consegue pensar de maneira viva, espiritual, e precisa do pensar morto da ciência materialista. No entanto, aprecio o que ele consegue produzir de transformação de atitude nessas pessoas, por exemplo com o desenvolvimento da autoconsciência e do amor. E é, sem dúvida, um excelente "marqueteiro", tipicamente americano apesar de sua origem hindu. Imagino a quantidade de gente que fica felicíssima ao ouvi-lo, achando que a Física provou a existência do espírito.
Não sou físico, mas estudei um bocado de Física Moderna, desde a faculdade, há mais de 50 anos. Seria interessante se um físico comentasse minhas consideraçãoes sobre a Física Quântica., comprovando-as ou refutando-as. Se estiverem erradas, preciso mudar de argumentos...
aaaaaaaaaaaaaaa, VWS.

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Comentário de Demerval Mendes Ferreira em 5 agosto 2015 às 21:09

Mais importante que a comprovação do mundo espiritual com o conhecimento do mundo material é a certeza de que se tem uma origem e uma identidade; embasados na consciência do valor dessa identidade temos condições de apreciar na natureza que frui todo outro(a) como obra do mesmo artífice que nos plasmou...

-Disso infere o que o mestre Jesus demonstrou, ele se identificou com o "Ser" que por falta duma definição melhor é o Deus ainda desconhecido; e os outros presentes na realidade espiritual e física; como qualquer um de nós deve ser considerado com potencial de perfeição já desperta ou ainda adormecida...

-Shalon adona!!!

Comentário de sueli rodrigues em 1 outubro 2014 às 20:41

boa noite muito bom texto grata .

Comentário de Maria Angela filgueiras em 28 setembro 2014 às 19:13
Exatamente! Para mim até mesmo um ativista como Goswami esbarra no materialismo e portanto, acaba sendo um materialista! É incrível a resistência para uma receptividade aos mundos e fenômenos espirituais!
Comentário de Vera Gonçalves Bueno de Freitas em 28 setembro 2014 às 17:28

Obrigada por compartilha esse texto. Muito bom!!!!

"A antroposofia não se trata de religião nem seita religiosa. Não é apenas uma prática médica. Também não é uma especulação filosófica, pois é fundamentada em fatos. A antroposofia é um caminho de conhecimento para guiar o espíritual do ser humano ao espiritual do universo. O objetivo do antropósofo é tornar-se "mais humano" ao aumentar sua consciencia e deliberar sobre seus pensamentos e ações, ou seja, tornar-se um ser "espiritualmente livre".

Abraços fraternos amigo Valdemar.

Comentário de Henrique em 28 setembro 2014 às 11:51

excelente texto para estudo e aprofundamento !!!

Comentário de Valdemar W. Setzer em 13 julho 2012 às 11:55

Olá, Renato, Mário e (certamente raros) leitores,

Renato, você ecreveu: 'Muitos processos físicos, como o dos seres vivos, são manifestações físicas de processos espirituais", isto soa bastante arbitrário, já que carece de provas.'

Que provas você quer? Físicas? Esqueça. Como escrevi no texto que abre este assunto, tenho a conjectura de que é impossível provar fisicamente a existência de algo não físico. O que existem são evidências, como a vida, a forma dos seres vivos, nosso pensar (especialmente a vivência que cada um pode ter de poder determinar seu próximo pensamento -- isso significa livre arbítrio, que não faz sentido do ponto de vista material), sentir (a subjetividade, individualidade, das sensações e sentimentos), querer, memória, consciência e autoconsciência. Tudo isso pode ser vivenciado por qualquer pessoa, mas são fenômenos ocultos, isto é, não podem ser demonstrados em laboratório. Além disso, outras evidências são a origem da matéria e da energia, bem como os limites do universo etc. Mas nada disso é uma prova científica.


Você ainda escreveu: "O materialista pode duvidar de que existam ou negar a argumentação, mas não negar a causalidade, já que igualmente depende de provas." Justamente, não se pode falar de causalidade física no mundo espiritual! Assim, o materialista pode perfeitamente negar que a causa de algum fenômeno não seja física. Por favor, cite um contra-exemplo disso!

Ainda: 'Por último, o que significa "pensar espiritualmente"?' Renato, com isso eu quero dizer pensar sobre fenômenos puramente espirituais. Por exemplo, que o ser humano tem "membros" puramente espirituais. Para isso é preciso libertar o pensamento dos fenômenos e causalidades físicas. Estude meu texto

http://www.sab.org.br/antrop/const1.htm

e verá que uso alguns pensamentos puramente espirituais, mostrando como aqueles membros manifestam-se fisicamente, mas não são físicos.

Mário, o fato de "quantum consciousness" ter busilhões de citações não prova que não seja mera especulação. Para começar, ninguém compreende a Física Quântica, como muito bem colocou ninguém menos que Richard Feynman. Mas o mais importante é que fenômenos quânticos poderiam ser usados como conjectura de que, por meio deles, algo não físico pode influenciar o mundo físico (eu tenho outra teoria, muuuuuito mais simples). O que critico é que no Ativismo Quântico do Goswami, ele parte do físico para justificar a existência do espírito. Por exemplo, Goswami diz que a telepatia é devida a um emaranhamento quântico das partículas dos cérebros das pessoas envolvidas, isto é, um fenômeno físico. O que eu faço, usando um pensamento espiritual? (Veja aí um exemplo, Renato.) Eu parto da existência de membros não físicos nas pessoas envolvidas. Digo que a telepatia é uma  "interação" não física entre esses membros de duas pessoas, que fica gravada na memória não física deles. Essa memória pode ser consultada não fisicamente pelo "Eu superior" da pessoa (não confundir com o "Eu inferior", onde estão nossos gostos, instintos, memória etc), tomando então consciência (que não é um fenômeno físico) do que foi "captado" não fisicamente. A partir da consciência, o Eu Superior pode chegar a agir fisicamente usando como intermediários os membros não físicos inferiores, até a ação física de falar algo, transmitindo o que foi "captado" não fisicamente. Desculpem eu ter usado tantas vezes as palavras "fisicamente" e "não fisicamente", isso foi necessário para separar bem o que é pensar de uma ou outra maneira.


Compreendo a dificuldade de uns e outros libertarem-se do pensar puramente físico, mas sem isso não se pode, em minha opinião, tornar-se um verdadeiro espiritualista. Sem pensar espiritualmente, o espiritualismo vira um materialismo disfarçado -- em seu pior disfarce possível.

aaaaaaaaaaaaaaaa, VWS.

Comentário de Valdemar W. Setzer em 17 junho 2012 às 22:10

Olá, Maurício e leitores,

Muitos processos físicos, como os dos seres vivos,  são manifestações físicas de processos espirituais. Mas um materialista sempre pode negar que os últimos existem. Por exemplo, em relação à telepatia, ele poderia dizer que se trata de uma energia física que não conhecemos, como o fez Rupert Shelldrake com seu "campo morfogenético", ou Goswami dizendo que se trata de um fenômeno quântico de emaranhamento de partículas (isso é uma conjectura, que ele não consegue provar). O conhecido filósofo David Chalmers escreveu uma vez na revista Scientific American que só poderemos entender a consciência quando descobrirmos um tipo de energia física ainda desconhecida. Como se vê, os materialistas sempre se agarram a fenômenos puramente físicos. Um espiritualista deveria ser capaz de fazer a hipótese de que há fenômenos que se passam espiritualmente, e portanto não são detectáveis fisicamente. Para mim, uma pessoa que não consegue pensar espiritualmente é, no fundo, um materialista -- apesar de, em muitos casos, ela não o reconhecer.

aaaaaaaaaaaaaaaaa, VWS.

Comentário de Valdemar W. Setzer em 16 junho 2012 às 15:15

Olá, Maurício e leitores,

"... tudo que nos foi "dado" teve a permissão e anuencia do Espirito Maior."

Se for assim, Maurício, não temos livre arbítrio.

aaaaaaaaaaaa, VWS.

Comentário de Marco Aurelio Facanha em 15 junho 2012 às 14:13

      Enquanto tivermos uma concepção de mundo plana, ou mesmo tridimensional presa unicamente a um nivel de existência sem profundidade e sem possibilidade de expandir-se para outros universos, não será possível compreender os mecanismos da revelação do Cosmos e muito menos a Espiritualidade como uma forma de energia especial e divina.Precisamos entender o que é muito simples, deixando todas as vaidades e arrogâncias do Saber para trás.

Comentário de José Romero Rodrigues em 14 junho 2012 às 19:25

Einstein,escreveu Deus não joga dados com o mundo, ele é sutil, mas não é maldoso.Espiritualidade é a  energia vital,que uni o Homem ao criador.

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