“Cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” Allan Kardec.  O Livro dos Espíritos, questão 642.
   Todas as religiões, em todos os tempos e em todos os lugares deste planeta, sempre pregaram que se deve fazer o bem, muito embora muitas tenham sido desvirtuadas em interpretações posteriores e a prática resultante de suas doutrinas tenha descambado em abusos e injustiças.
Mas o que é exatamente fazer o bem e por que isto é tão importante para o ser humano?
   Fazer o bem é ser útil ao todo. É produzir de forma consciente para o progresso comum. Você sabe a diferença entre uma ameba e um neurônio? A ameba simplesmente existe, sem uma razão que não seja sua própria existência. Ela se alimenta, respira e se reproduz pura e simplesmente para si. Já um neurônio, ou qualquer outra célula componente de órgãos, tudo o que faz é visando o bem comum do órgão e, em última instância, o organismo como um todo. Tem uma razão de existir infinitamente superior à ameba porque pertence a um coletivo organizado e produz para seu desenvolvimento. Faz parte e é útil para o todo. Raros seres humanos são como um neurônio no “todo humanidade”. A infinita maioria não passa de amebas. Percebeu a diferença entre fazer o bem e simplesmente existir?
   No dia a dia, infinitas possibilidades se nos apresentam de fazer o bem. Quantas delas você já aproveitou hoje? É bem verdade que uma significativa maioria da humanidade ainda vive e se compraz no mal, em prejudicar o próximo, por simples prazer animalesco. Alguns de nos, já conseguiram, a duras penas, superar esta fase. Não mais encontram satisfação alguma no mal. Até nos indignamos com ele muitas vezes e o repudiamos veementemente. Se você está neste grupo, parabéns. É uma conquista, sem dúvida. Mas será suficiente?
   Diante da imensidão de erros do passado e das dívidas pesadas com a Lei, é muito pouco o deixarmos simplesmente de aumentar o débito. Precisamos começar a pagar a conta, mesmo que em parcelas ínfimas.
   A Lei é inexorável. Não há como “escapar” dela. A própria consciência do réu é o acusador, advogado, juiz e carrasco. A readequação à Lei é realidade absoluta, não há possibilidade de não acontecer. Quanto mais demorar, pior para o infrator.
   Mas como readequar-se à Lei, uma vez tendo-a infringido?
   Três são os passos imprescindíveis para tal readequação, a saber:
   1 – O arrependimento verdadeiro. Mas não basta dizer: “estou arrependido” ou, como na parábola bíblica: “senhor, senhor”. Não basta adotar esta ou aquela doutrina religiosa que oferece o paraíso em troca de dízimo ou bens materiais. Não adianta “pagar promessas”. A Lei e a Divindade não estão à venda! O arrependimento real consiste em um estado de espírito onde o ser se auto conscientiza de que aquele ato cometido foi errado e, em hipótese alguma, poderia ter sido cometido; convence-se verdadeiramente de que fez o mal não apenas ao próximo, mas, sobretudo, a si mesmo e ao todo universal; mais ainda, tem em seu âmago a absoluta consciência de que aprendeu com este erro e jamais o repetirá. É a convicção de que fez o mal e de que isto não lhe ajudou em nada, pelo contrário, sofre muito pelo simples fato deste convencimento. Este é o primeiro passo.
   2 – A expiação. Diferentemente do que muitos podem pensar, expiação não consiste em mero sofrimento, como se fora reles espécie de “pena”, semelhante à aplicada pelas leis humanas, embora não deixe também de sê-lo, de certa forma. É uma fase de fixação do aprendizado, tem um profundo caráter educativo. O infrator precisa passar por este papel “invertido”, no lado passivo da ação que efetuou, para que possa aferir com precisão os resultados de sua ação danosa. É garantia de não reincidência. É da lei que ao feri-la ficam impregnadas na consciência e no períspirito do ser energias e substâncias negativas, auto produzidas pela vibração doentia da individualidade culpada. O ser precisa então ser “depurado” destas energias e substâncias nocivas, sem o que não consegue prosseguir em sua evolução, pois seu espírito e seu corpo astral estão “doentes”. Assim, a própria consciência culpada cria “locais” ou se vincula, por frequência, a outros seres assemelhados no erro, em locais ou circunstâncias onde a Lei lhe permite “depurar” tais efeitos impeditivos da continuidade evolutiva.
   3 – A compensação. A retribuição, à Lei, do dano causado. O efetivo “pagamento da dívida”. E aí reside o fazer o bem. Esta é a última fase do reajuste, onde o infrator já está readequado ao entendimento do bem e passa a pratica-lo por iniciativa e convencimento próprios. E não precisa necessariamente ser dirigido ao mesmo ser contra o qual o ato inicial foi praticado, visto que todo mal é, de fato, um atentado contra a Lei, o Todo e o próprio infrator. Por isso a máxima: “fora da caridade não há salvação”. A “caridade” reside exatamente em “fazer o bem, sem olhar a quem”, ou seja, faze-lo pelo prazer de servir, de ser útil, de integrar-se ao todo humanitário como um ser positivo, bondoso, produtivo.
   Sem passar por este caminho do reajuste, sem trilhar os três passos imprescindíveis para a recuperação, o ser não consegue sanar sua dívida com o Todo Universal. Mas você pode minimizar, em muito, o passo “2”, a expiação, se voluntariamente partir para o “3”, a compensação. É como antecipar pagamento de parcela a vencer da dívida. Se você tem uma dívida a pagar em parcelas, atrasou uma no passado, mas agora está adiantando as ainda não vencidas, claro que você merece toda confiança do credor. O raciocínio é, mais ou menos, esse, claro que respeitadas as devidas proporções. Infelizmente quase ninguém age assim com a Lei. O mais comum é ficarmos acumulando dívida sobre dívida, mal pagando os “juros e multas”.
   Por isso, meu irmão, conscientize-se de que somos todos grandes devedores. E as oportunidades de minimizar esta imensa dívida visitam-nos diariamente, várias vezes. Só não as aproveitamos por pura preguiça, orgulho, egoísmo ou ignorância. Reclamar é muito mais cômodo que fazer por merecer. A indolência é a mãe das lamentações.
Não perca as oportunidades que a vida lhe oferece, meu amigo leitor. Deus e o Universo são por você, trabalham por tua evolução. Só precisam que lhes dê uma “mãozinha”, um mínimo de esforço, pra fazer por merecer. Vamos lá!
   Paz e Luz!

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