Justiça Divina e Humana - OPINIÃO EM TÓPICOS - Novembro 2016

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Em busca de justiça

Os leitores do jornal Zero Hora se surpreenderam e, com certeza, se comoveram, ao ver, em uma de suas edições diárias do mês de setembro, o desabafo de um pai, numa página inteira do mais importante periódico da capital gaúcha, no dia em que se completavam 11 anos do assassinato de seu filho, sem que, até então, se tenha identificado e punido o autor do homicídio.
Diante da impunidade, que é regra nos casos de delitos contra a vida, no Brasil, onde só cerca de 8% dos homicídios dão origem a processos criminais, os religiosos, a título de consolo, dizem: a justiça dos homens falha, mas a divina jamais.

Justiça divina/justiça humana

A dicotomia justiça divina/justiça humana pode ser consoladora, mas não aplaca o sofrimento de quem vê se perenizar a impunidade. Afinal, nem todos creem em Deus ou em algum sistema infalível de justiça a se operar, ali adiante, depois da morte. Querem que ela se faça aqui mesmo.
Pergunta-se, então: Seria possível conceber uma justiça infalível? Só mesmo numa sociedade em tudo o mais infalível, composta também de infalíveis indivíduos. Mas aí estamos falando em perfeição, coisa que ninguém ousa atribuir a um indivíduo ou a qualquer comunidade deles.

Para sair do caos

Definitivamente, então, estaria a humanidade condenada ao caos? Se os mecanismos da vida não lhe asseguram a realização da justiça, a própria vida não tem sentido. Parafraseando Dostoievski, que em Os Irmãos Karamazov afirma, através de um de seus personagens, que “se não existe Deus, tudo nos é permitido”, poderíamos apregoar: se a justiça não existe, tudo está liberado.
Há um jeito de se sair disso. Ele não está, a meu ver, exatamente na fé em uma divindade capaz de compensar, tão logo morramos, todas as injustiças aqui cometidas. Está na crença da perfectibilidade do ser humano, enquanto sujeito a uma lei natural de evolução e que se opera, gradualmente, pelas instâncias todas da vida. Superar o dualismo vida/morte pela dialética nascer/morrer/renascer/progredir sempre, nos permite vislumbrar a perfectibilidade da justiça. É também o jeito de identificar uma Inteligência imanente às leis naturais.

Justiça e vingança

Fora disso, só restam duas alternativas: negar a existência da justiça como valor inerente à vida, ou relegá-la a dimensões para além do humano. Se inviável a realização da justiça, inviáveis também a bondade, o perdão, a tolerância, que o humanismo nos legou. Quando não alcançável a justiça, que, com razão, queremos se perfectibilize, sobrará apenas a dissimulação do desejo de vingança, mesmo que verbalizado como de justiça.
Por certo, não é o que deseja aquele pai, mas é o que a sociedade estimula, quando descura de seu dever de, permanentemente, buscar a justiça, alimentando a crença de ser ela humanamente viável sem que, para isso, se tenha de ferir a dignidade humana.

(Coluna pulicada nas edições de novembro dos jornais "Opinião", do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, e "Abertura", do Instituto Cultural Kardecista de Santos).
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