Religião e Moral ! OPINIÃO EM TÓPICOS - Setembro 2016

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               O vôlei e o véu

                A imagem das atletas egípcias vestindo véu islâmico e calças compridas, no vôlei de praia da Olimpíada do Rio, pode simbolizar o caráter plural e universalista dos jogos. Mas, também permite refletir sobre o tema da moral religiosa e moral laica.

                A moral de um povo é fruto dos valores que lhe são impostos ou que são ali construídos. Quando impostos, partem de crenças ou ideologias muitas vezes contrárias às leis da natureza. Quando livremente construídos, esses valores aproximam-se da natureza e da razão a ela inerente.

                Pode-se imaginar coisa mais antinatural do que disputar um esporte genuinamente praiano, nas areias de Copacabana, que não seja com roupa de banho?

                Religião e moral

                Moral vem da expressão latina mos-mores, que significa costume. Nem sempre os costumes evoluem. Às vezes, sofrem processos involutivos. Ideologias totalitárias e fundamentalismos religiosos são responsáveis por tais retrocessos. No Antigo Egito, as mulheres gozavam de independência financeira e jurídica. Podiam trabalhar e recebiam salários iguais aos dos homens. O fundamentalismo islâmico, que hoje domina o país, colocou-as em posição de submissão. Mostrar o corpo é pecaminoso, como o foi no Ocidente, enquanto dominado pelas teocracias cristãs.

                Livros sagrados, vistos pela religião como revelações divinas, não são mais que expressões dos costumes vigentes no tempo e no espaço em que surgiram. Tomá-los como mandamentos de uma moral universal e imutável tem sido, na História, causa de retrocesso e de estagnação cultural.

               A “moral espírita”

               A chamada moral espírita não tem características religiosas. Ao identificá-la com a lei natural, gravada na consciência do ser humano, Allan Kardec recusou proviesse ela da revelação, conferindo-lhe caráter eminentemente racional, humano, progressista e laico. Por lidar o espiritismo com valores universais e atemporais, rigorosamente não existe uma moral espírita. O fato de O Livro dos Espíritos apontar Jesus de Nazaré como “modelo e guia da humanidade” não atrela sua filosofia à chamada moral cristã. Esta, historicamente, mostrou-se, em inúmeros aspectos, divorciada da racionalidade e preservadora de costumes que obstaculizaram o progresso humano.

                 Espiritismo e modernidade

                 A proposta espírita, em meados do Século XIX, opôs-se corajosamente a arraigadas concepções que integravam a moral cristã. Proclamou a plena igualdade de direitos entre homens e mulheres; demonstrou que a indissolubilidade do casamento contrariava a lei natural; defendeu a licitude do aborto em circunstâncias como a da preservação da vida da genitora, priorizando, assim, o princípio da dignidade da mulher; posicionou-se a favor da inteira liberdade de pensamento, de opinião e de crença, quando a religião se opunha à separação entre ela e o Estado e pregava que fora da Igreja não haveria moral nem salvação.

(Coluna publicada nos jornais OPINIÃO, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, e ABERTURA, do Instituto Cultural Kardecista de Santos, em suas edições de setembro/2016)

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Comentário de Milton Rubens Medran Moreira em 15 setembro 2016 às 22:59

A questão 359 de O Livro dos Espíritos, Anelise, é expressa no sentido de que o aborto é permitido, pela lei divina ou natural, quando se trata de preservar a vida da gestante, como, corretamente, se manifestou Nizomar. Quanto ao chamado "tríplice aspecto" do espiritismo, que seria ciência, filosofia e religião, esse conceito não está na obra de Kardec. Ao contrário, Kardec defendeu expressamente que o espiritismo não é uma religião, mas uma ciência de consequências filosófico-morais. Nada impede, porém, que você, ou quem quer que seja, faça do espiritismo uma religião, como, de fato, se tornou no Brasil. Mas, no meu entender, essa uma distorção que sofreu o espiritismo em terras brasileiras. Distorção conceitual que, no entanto, não desmerece o caráter eminentemente ético da doutrina espírita.

Comentário de Nizomar Sampaio Barros em 11 setembro 2016 às 15:30

Olá Anelise!

O que o articulista quis dizer é que o Espiritismo não se opõe à interrupção da gravidez quando esta visa eminentemente à preservação da vida da genitora. Porém, como o livre arbítrio é soberano, entende-se que a mãe não deve ser forçada a correr risco se não o desejar, cabendo-lhe o todo o direito de tomar a decisão, especialmente quando há outros filhos para criar. Não é uma regra absoluta, mas uma questão consciencial.

Para poder agir com verdadeira liberdade e responsabilidade, o Homem precisa conhecer muito mais do que sabe sobre os mistérios do nascimento e da 'morte'. 

Quanto ao Espiritismo, nãoa deve ser considerado como religião, como o próprio Kardec propôs, mas como doutrina, ciência e filosofia. Doutrina que, racionalmente, constrói uma senda de evolução.  

Jesus é caminho de Verdade e de Vida porque é Lei, é Virtude, Moral e expressão da Unidade Divina. Na verdade, no caminho evolutivo, cada homem e cada mulher podem ser para si mesmos caminho, verdade e vida, porque em cada ser humano está a própria essência do divino cosmo, a Unidade de tudo o que existe. Mas só o são quando, pelo esforço e dedicação incessantes no domínio da natureza inferior, despertem em si as suas próprias luzes espirituais.

"Ninguém vai ao Pai senão por mim" significa exatamente isso!   

Comentário de Anelise em 10 setembro 2016 às 18:23
Outro questionamento, a moral espirita tem caráter religioso sim já que Jesus é nosso guia e modelo e a religião espírita é formada por um tríplice aspecto, ciência, filosofia e religião! Ser racional e inteligente é para os espíritas admitir que Jesus é o caminho a verdade e a vida e que ninguém vai ao pai senão por ele, mas acho que devo ter entendido errado o que o autor quis dizer....só pode!
Comentário de Anelise em 10 setembro 2016 às 18:15
Desculpe, acho que não entendi, o artigo está dizendo que o espiritismo se coloca favorável ao aborto em alguma situação? Não devo ter entendido,pois sei que o espiritismo não é favorável ao aborto em nenhuma situação e por nenhum motivo!

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