Encontrar-se-á um resumo mais completo no capítulo
II de O que é o Espiritismo:
1. – O homem possui uma alma ou Espírito, princípio
inteligente, no qual residem o pensamento, a vontade, o senso
moral, e do qual o corpo não é senão um envoltório material. O
Espírito é o ser principal, preexistente e sobrevivente ao corpo, que
não passa de um acessório temporário.
Quer durante a vida carnal, quer depois de a ter
deixado, o Espírito é revestido de um corpo fluídico ou perispírito,
que reproduz a forma do corpo material.
2. – O Espírito é imortal; só o corpo é perecível.
3. – Desprendidos do corpo carnal, os Espíritos
constituem o mundo invisível ou espiritual, que nos rodeia e em
cujo meio vivemos.
As transformações fluídicas produzem imagens e
objetos tão reais para os Espíritos, eles próprios fluídicos, quanto o
são as imagens e os objetos terrestres para os homens, que são
materiais. Tudo é relativo em cada um desses mundos. (Vide A
Gênese segundo o Espiritismo, capítulo dos fluidos e das criações
fluídicas).
4. – A morte do corpo em nada modifica a natureza do
Espírito, que conserva as aptidões intelectuais e morais adquiridas
durante a vida terrena.
5. – O Espírito traz em si os elementos de sua felicidade
ou de sua infelicidade; é feliz ou desgraçado em razão do grau de
sua depuração moral; sofre as suas próprias imperfeições, cujas
conseqüências naturais suporta, sem que a punição resulte de uma
condenação especial ou individual.
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A infelicidade do homem na Terra provém da
inobservância das leis divinas. Quando conformar seus atos e suas
instituições sociais a essas leis, será tão feliz quanto o comporte a
sua natureza corporal.
6. – Nada do que o homem adquire durante a vida
terrena em conhecimentos e em perfeições morais para ele é
perdido; ele é, na vida futura, aquilo que realizou na vida presente.
7. – O progresso é a lei universal, em virtude da qual o
Espírito progride indefinidamente.
8. – Os Espíritos estão em meio de nós; rodeiam-nos,
vêem-nos, escutam-nos e participam, em certa medida, das ações
dos homens.
9. – Não sendo os Espíritos senão as almas dos
homens, são encontrados em todos os graus de saber e de
ignorância, de bondade e de perversidade que existem na Terra.
10. – Segundo a crença vulgar, o céu e o inferno são
lugares circunscritos de recompensas e punições. Segundo o
Espiritismo, trazendo os Espíritos em si mesmos os elementos de
sua felicidade ou de seus sofrimentos, são felizes ou infelizes em
qualquer parte onde se encontrem; as palavras céu e inferno não
passam de figuras que caracterizam um estado de felicidade ou de
infelicidade.
Há, por assim dizer, tantos graus entre os Espíritos
quantas as nuanças nas aptidões intelectuais e morais. Todavia, se
se considerarem os caracteres mais marcantes, podem ser
agrupados em nove classes ou categorias principais, que se podem
subdividir ao infinito, sem que essa classificação nada tenha de
absoluta. (O Livro dos Espíritos; 2a Parte, cap. I, no 100 – “Escala
Espírita”.)
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À medida que os Espíritos avançam em perfeição,
habitam mundos cada vez mais adiantados fisicamente e
moralmente. Por certo é o que entendia Jesus por estas palavras:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (Vide O Evangelho segundo
o Espiritismo, cap. III.)
11. – Os Espíritos podem manifestar-se aos homens, de
diversas maneiras: pela inspiração, pela palavra, pela vista, pela
escrita, etc.
É um erro crer que os Espíritos têm a ciência infusa;
seu saber, no espaço como na Terra, está subordinado ao seu grau
de adiantamento, e há os que, sobre certas coisas, sabem menos que
os homens. Suas comunicações estão em relação com os seus
conhecimentos e, por isto mesmo, não poderiam ser infalíveis. O
pensamento do Espírito pode, além disso, ser alterado pelo meio
que ele atravessa para se manifestar.
Aos que perguntam para que servem as comunicações
dos Espíritos, já que não sabem mais que os homens, responde-se,
inicialmente, que servem para provar que os Espíritos existem e,
por conseguinte, a imortalidade da alma; em segundo lugar, para
nos ensinar onde se acham, o que são, o que fazem, e em que
condições se é feliz ou desgraçado na vida futura; em terceiro lugar,
para destruir os preconceitos vulgares sobre a natureza dos
Espíritos e o estado das almas após a morte, coisas estas que não
seriam sabidas sem as comunicações com o mundo invisível.
12. – As comunicações dos Espíritos são opiniões
pessoais, que não devem ser aceitas cegamente. O homem não
deve, em nenhuma circunstância, desprezar seu próprio julgamento
e seu livre-arbítrio. Seria dar prova de ignorância e de leviandade
aceitar como verdades absolutas tudo quanto vem dos Espíritos;
eles dizem o que sabem. Cabe a nós submeter os seus
ensinamentos ao controle da lógica e da razão.
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13. – Sendo as manifestações a conseqüência do
incessante contato dos Espíritos e dos homens, elas existiram em
todos os tempos; estão na ordem das leis da Natureza e nada têm
de miraculoso, seja qual for a forma sob a qual se apresentam.
Pondo em contato o mundo material e o mundo espiritual, essas
manifestações tendem a elevar o homem, provando-lhe que a Terra
não é para ele nem o começo, nem o fim de todas as coisas, e que
ele tem outros destinos.
14. – Os seres designados sob o nome de anjos ou de
demônios não são criações especiais, distintas da Humanidade. Os
anjos são Espíritos saídos da Humanidade e chegados à perfeição;
os demônios são Espíritos ainda imperfeitos, mas que melhorarão.
Seria contrário à justiça e à bondade de Deus ter este
criado seres perpetuamente votados ao mal, incapazes de voltar ao
bem, e outros, privilegiados, isentos de todo trabalho para chegar à
perfeição e à felicidade.
Segundo o Espiritismo, Deus não tem favores nem
privilégios para nenhuma de suas criaturas; todos os Espíritos têm
um mesmo ponto de partida e a mesma estrada a percorrer, para
chegar, pelo trabalho, à perfeição e à felicidade. Uns chegaram: são
os anjos ou Espíritos puros; os outros ainda estão na retaguarda:
são os Espíritos imperfeitos. (Vide A Gênese, capítulos sobre os
Anjos e os Demônios.)
15. – O Espiritismo não admite os milagres, no sentido
teológico da palavra, visto como, segundo ele, nada se realiza fora
das leis da Natureza. Certos fatos, supondo-os autênticos, só foram
reputados miraculosos porque se ignoravam as suas causas naturais.
O caráter do milagre é ser excepcional e insólito; quando um fato
se reproduz espontaneamente ou facultativamente, é que está
submetido a uma lei, e desde então já não é um milagre. Os
fenômenos de dupla vista, de aparições, de presciência, de curas
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pela imposição das mãos, e todos os efeitos designados sob o nome
de manifestações físicas estão neste caso. (Vide, para o
desenvolvimento completo desta questão, a segunda parte de A
Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.)
16. – Todas as faculdades intelectuais e morais têm sua
fonte no princípio espiritual, e não no princípio material.
17. – Depurando-se, o Espírito do homem tende a
aproximar-se da Divindade, princípio e fim de todas as coisas.
18. – A alma humana, emanação divina, traz em si o
germe ou princípio do bem, que é o seu objetivo final, e deve fazêla triunfar das imperfeições inerentes ao seu estado de inferioridade
na Terra.
19. – Tudo o que tende a elevar o homem, a desprender
sua alma das constrições da matéria, quer sob a forma filosófica,
quer sob a religiosa, é um elemento de progresso que o aproxima
do bem, ajudando-o a vencer os seus maus instintos.
Todas as religiões conduzem a esse objetivo, por meios
mais ou menos eficazes e racionais, conforme o grau de
adiantamento dos homens, para a prática dos quais elas foram
feitas.

Fonte: Revista espírita 1869 - pag 148 - 152

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