. Tradução de The Ocean of Theosophy, de William Q. Judge, The Theosophy Co., Los Angeles, Califórnia, EUA, 1987, 172 pp. Primeira edição, 1893. Na presente edição, as notas dos tradutores estão marcadas com “(NT)”. As notas que não têm sua autoria expressamente indicada são de William Judge. O leitor deve levar em conta que no século 21 muitos espíritas têm profundo interesse em teosofia. O movimento espírita como um todo tem se aproximado da filosofia esotérica. (NT) CAPÍTULO XVII Fenômenos Psíquicos e Espiritismo Na história dos fenômenos psíquicos, os registros do assim chamado “espiritismo” na Europa, América do Norte e demais locais ocupam um lugar importante. Advirto que jamais um termo foi tão mal aplicado como “espiritismo” para o mencionado culto na América e Europa, já que não há nada do espírito nele. As doutrinas divulgadas nos capítulos precedentes são as do verdadeiro espiritismo, as mal denominadas práticas dos médiuns modernos e assim chamados espíritas constituem a adoração dos mortos, na realidade a antiga necromancia, que foi sempre proibida pelos mestres espirituais. Elas são a materialização grosseira da ideia espiritual, e lidam mais com a matéria do que com seu oposto. Dizem alguns que esse culto se originou há cerca de quarenta anos na América, em Rochester, NY, sob a mediunidade das irmãs Fox, mas era conhecido em Salem durante a onda de bruxaria, e na Europa, há cem anos, buscava-se as mesmas práticas, fenômenos similares eram vistos, médiuns se desenvolviam, e sessões aconteciam. Por séculos tem sido bem conhecido na Índia, onde é acertadamente chamado de “adoração de bhutta”, significando a tentativa de comunicar-se com o espírito ou com os restos astrais das pessoas falecidas. Este deveria ser o seu nome aqui também, pois através dele as partes grosseiras, demoníacas ou terrenas do homem são provocadas, sofrem apelos e se comunicam. Mas os fatos do longo registro de quarenta anos na America requerem um breve exame. Esses fatos todos os teosofistas estudiosos devem admitir. A explicação e as deduções teosóficas, entretanto, são totalmente diferentes daquelas do espírita médio. Não se desenvolveu uma filosofia nas fileiras ou literatura espíritas; só a teosofia dará a verdadeira explicação, apontará os defeitos, revelará os perigos, e sugerirá remédios. Como é sabido que clarividência, clariaudiência, transferência de pensamentos, profecia, sonhos e visão, levitação, aparições de espectros, são poderes conhecidos há eras, as questões mais prementes no tocante ao espiritismo são relativas à comunicação com as almas daqueles que deixaram esta terra e estão agora desencarnados, e com espíritos não classificados, que não estiveram encarnados aqui, mas pertencem a outras esferas. Talvez também a questão de materialização de formas nas salas de sessão mereça alguma atenção. Comunicação inclui falas em transe, escritas na lousa ou em outros meios, vozes independentes no ar, falas através dos órgãos físicos de vocalização do médium, e precipitação de mensagens a partir do ar. Os médiuns se comunicam com os espíritos dos mortos? Os nossos amigos que partiram percebem a condição da vida que deixaram, e retornam algumas vezes para falar conosco? As respostas estão implícitas nos capítulos anteriores. Os nossos seres queridos que partiram não nos vêem aqui. Eles estão liberados da terrível angústia que tal visão infligiria. De vez em quando, um médium de mente pura, não pago, pode ascender, em transe, ao estado no qual está a alma de uma pessoa falecida, e pode lembrar-se de fragmentos do que foi escutado lá; mas isso é raro. Aqui e ali, no curso de décadas, alguns altos espíritos humanos podem retornar por um momento e, por meios inequívocos, comunicar-se com os mortais. No momento da morte a alma pode falar com algum amigo da terra antes que a porta seja finalmente fechada. Mas a grande quantidade de supostas comunicações, feitas dia após dia através de médiuns, são de remanescentes não inteligentes dos homens, ou em muitos casos, apenas a produção, invenção, compilação, descoberta e arranjo feito pelo corpo astral frouxamente fixado do médium vivente. Há algumas objeções à teoria de que os espíritos dos mortos se comunicam. Algumas delas são: I- Em nenhum momento esses espíritos revelaram as leis que comandam quaisquer desses fenômenos, exceto em alguns casos, não reconhecidos pelo culto, onde a teoria teosófica se adiantou. Como isso destruiria as estruturas, tais como as construídas por A. J. Davis, estes espíritos em especial caíram em descrédito. II- Os espíritos discordam entre si, um descrevendo um pós-morte muito diferente do outro. Essas discordâncias variam segundo o médium e as supostas teorias do falecido durante sua vida. Um espírito admite a reencarnação, e outros a negam. III- Os espíritos nada descobriram a respeito da história, antropologia, ou outros assuntos importantes, parecendo ter menor competência nesse campo do que os homens vivos; e embora frequentemente reivindiquem serem homens que viveram em antigas civilizações, eles mostram ignorância no assunto, ou apenas repetem descobertas recentemente publicadas. IV- Nesses quarenta anos, nenhuma base lógica dos fenômenos nem do desenvolvimento da mediunidade foi obtida dos espíritos. É dito que grandes filósofos se comunicam através dos médiuns, mas proferem apenas disparates e lugares comuns. V- Os médiuns chegam à ruína moral e física, são acusados de fraude, expostos como culpados de trapaça, mas o espírito que os guia e controla não interfere, nem para impedir nem para salvar. VI- É admitido que guias e supervisores enganam e incitam à fraude. VII- Qualquer um pode ver, através de tudo que é dito dos espíritos, que suas asserções e filosofias variam de acordo com o médium e com os mais avançados pensamentos dos espíritas ainda vivos. De tudo isso, e de muito mais que poderia ser acrescentado, o homem da ciência materialista sai fortalecido na sua tentativa de ridicularizar, mas o teosofista tem que concluir que as entidades, se há qualquer uma se comunicando, não são espíritos humanos, e que as explicações devem ser encontradas em outras teorias. A materialização de uma forma no ar, independente do corpo físico do médium, é um fato. Mas não é um espírito. Como foi muito bem expressado por um dos “espíritos” não aprovados pelo espiritismo, uma maneira de produzir esse fenômeno é por acréscimo de partículas elétricas e magnéticas em uma massa sobre a qual matéria é agregada e uma imagem refletida a partir da esfera astral. Isso é tudo; tão fraudulento como uma coleção de máscaras e musselina. Como isso é feito é outra história. Os espíritos não são capazes de contar, mas nos capítulos anteriores fizemos uma tentativa para indicar os métodos e os instrumentos. O segundo método é pelo uso do corpo astral do médium vivo. Nesse caso, a forma astral que emanou do médium, gradualmente atrai sobre si partículas extraídas do ar e dos corpos dos presentes na sessão até que afinal, ela se torna visível. Algumas vezes lembrará o médium; noutras mostrará uma aparência diferente. Em quase todos os casos a penumbra é requerida, porque uma luz forte perturbaria a substância astral de maneira violenta, e tornaria difícil a projeção astral. Algumas das assim chamadas materializações são imitações vazias, já que são apenas chapas planas de substância elétrica e magnética, onde a Luz Astral é refletida. Estas parecem ser as fisionomias dos mortos, mas são apenas ilusões pintadas. Para alguém entender os fenômenos psíquicos encontrados na história do “espiritismo”, é necessário conhecer e admitir o seguinte: I- A completa hereditariedade do homem, astral, espiritual e psiquicamente, como um ser que sabe, raciocina, sente e age através do corpo, do corpo astral e da alma. II- A natureza da mente, sua operação, seus poderes; a natureza e poder da imaginação; a duração e efeitos das impressões. O mais importante nisso é a persistência das menores impressões, assim como das maiores; que toda impressão produz uma imagem na aura individual; e que por meio desta uma conexão se estabelece entre as auras de amigos e parentes, velhos, novos, próximos, distantes, e em graus distantes: isso daria uma ampla margem de possíveis visões a um clarividente. III- A natureza, extensão, função e poder dos órgãos e faculdades astrais internas do homem, compreendidos pelos termos corpo astral e Kama. Que estes não são impedidos de agir pelo transe ou sono, mas estão reforçados no médium quando em transe; ao mesmo tempo sua ação não é livre, mas governada pelo acorde da massa de pensamentos dos presentes à sessão, ou por uma vontade predominante, ou pela entidade que preside por trás da cena; se um investigador científico cético estiver presente, sua atividade mental pode inibir a ação dos poderes do médium, por algo que podemos chamar de um processo de congelamento, o qual não há termo em inglês que descreva adequadamente. IV- O destino do homem real após a morte, seu estado, poder e atividade lá, e sua relação, se há alguma, com aqueles que deixou para trás. V- Que o intermediário entre a mente e o corpo - o corpo astral - é descartado na morte, e deixado na luz astral para desaparecer; e que o homem real vai para o Devachan. VI- A existência, a natureza, o poder e a função da luz astral, e seu lugar como um registro na Natureza. Que ela contém, retém, e reflete imagens de toda e qualquer coisa que aconteceu a qualquer pessoa, e também cada pensamento; que ela permeia o globo e a atmosfera ao seu redor; que a transmissão da vibração através dela é praticamente instantânea, já que a velocidade é muito mais rápida que a da eletricidade tal como é conhecida agora. VII- A existência na luz astral de seres que não usam corpos como os nossos, de natureza não humana, tendo poderes, faculdades e uma espécie de consciência própria; entre eles estão incluídas as forças elementais ou espíritos da natureza, divididas em muitos graus, os quais têm a ver com cada operação da Natureza e cada movimento da mente do homem. Que esses elementais agem nas sessões automaticamente em seus vários departamentos, uma categoria apresentando imagens, outra produzindo sons, e outras despolarizando objetos com o propósito de movê-los. Agindo com eles nessa esfera astral estão os homens sem alma que vivem nela. A estes devem ser atribuídos o fenômeno, entre outros, da “voz independente”, sempre soando como uma voz em um barril porque é formada em um vácuo que é absolutamente necessário para uma entidade há tanto desprovida do espírito. O timbre peculiar desse tipo de voz não foi considerado importante pelos espíritas, mas é extremamente significativo do ponto de vista do ocultismo. VIII- A existência e operação de leis e forças ocultas na natureza, que podem ser usadas para produzir resultados fenomênicos neste plano; que essas leis e forças podem ser colocadas em operação pelo homem subconsciente e pelos elementais, tanto consciente quanto inconscientemente, e que muitas dessas operações ocultas são automáticas da mesma maneira que o congelamento da água sob o frio intenso, ou o derretimento do gelo sob o calor. IX- Que o corpo astral do médium, compartilhando da natureza da substância astral, pode se estender a partir do corpo físico, pode agir fora do mesmo, e pode também projetar, às vezes, qualquer porção sua, como mão, braço ou perna, e que por meio dessas movem objetos, escrevem cartas, produzem toques no corpo, e assim por diante ad infinitum. E que o corpo astral de qualquer pessoa pode ser levado a sentir uma sensação que, sendo transmitida ao cérebro, faz a pessoa pensar que está sendo tocada do lado de fora, ou que escutou um som. A mediunidade é cheia de perigos porque agora a parte astral do homem tem um funcionamento normal somente quando associada ao corpo; em um futuro remoto ela atuará normalmente sem o corpo, como já aconteceu no passado longínquo. Tornar-se um médium significa que você tem que se tornar desorganizado, fisiologicamente e no sistema nervoso, porque é através deste que ocorre a conexão entre os dois mundos. No momento em que a porta é aberta, todas as forças desconhecidas se apressam em entrar, e como a parte mais grosseira da natureza está mais próxima de nós, ela é a parte que mais nos afeta; a natureza inferior é também primeiramente afetada e inflamada porque as forças utilizadas são daquela parte de nós. Estamos então à mercê de pensamentos vis de todos os homens, e sujeitos à influência das cascas no Kama Loka. Se a isso for acrescentada a cobrança em dinheiro pela prática da mediunidade, há um perigo adicional, pois as coisas do espírito e aquelas relativas ao mundo astral não devem ser vendidas. Esta é a grande doença do espiritismo norte-americano, e ela deturpou e degradou toda a história; até que seja eliminada, nenhum bem virá dessa prática; aqueles que desejem ouvir a verdade do outro mundo devem devotar-se à verdade e deixar todas as considerações sobre dinheiro fora disso. Tentar adquirir o uso de poderes psíquicos por mera curiosidade ou para fins egoístas é também perigoso, pelas mesmas razões apontadas no caso da mediunidade. Como a civilização de hoje é egoísta no mais alto grau e está construída sobre o elemento pessoal, as regras para o desenvolvimento desses poderes e a forma correta não foram reveladas, mas os Mestres de Sabedoria disseram que a filosofia e a ética devem primeiro ser aprendidas e praticadas antes que qualquer desenvolvimento de outro tipo seja permitido; e sua condenação ao desenvolvimento massivo de médiuns é amparada pela história do espiritismo, que é uma longa história da ruína de médiuns por toda a parte. Igualmente impróprios são os modos das escolas científicas que, sem um pensamento para a verdadeira natureza do homem, favorecem experimentações em hipnotismo, no qual os sujeitos ficam prejudicados por toda vida, colocados em atitudes vergonhosas, e levados a fazer coisas para a satisfação de investigadores que nunca seriam feitas por homens e mulheres em seus estados normais. A Loja dos Mestres não se interessa pela Ciência, a não ser que ela vise uma situação melhor para o homem, tanto moral como fisicamente, e nenhuma ajuda será dada à Ciência até que ela olhe para o homem e para a vida a partir do lado moral e espiritual. Por essa razão, aqueles que sabem tudo sobre o mundo físico, seus habitantes e leis, estão promovendo uma reforma moral e filosófica antes que qualquer atenção maior seja dada aos estranhos e sedutores fenômenos possíveis para os poderes internos do homem. E no momento presente, o ciclo já quase completou sua trajetória neste século. Agora, como há um século, as forças estão desacelerando; por essa razão os fenômenos do espiritismo estão diminuindo em número e volume; a Loja espera que, no momento em que a nova maré comece a aumentar, o Ocidente tenha adquirido algum conhecimento da verdadeira filosofia do Homem e da Natureza, e esteja então pronto para suportar que se levante o véu um pouco mais. Ajudar o progresso da raça humana nessa direção é o objetivo deste livro, e deste modo ele é submetido aos seus leitores de todas as partes do mundo William Q. Judge.

                                                                            

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