O Livro dos Médiuns - Cap. I -– EXISTEM ESPÍRITOS?

 

 

   1.      A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade.....

Seja qual for à idéia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstrações das manifestações propriamente ditas, e raciocinemos por indução. Vejamos a que conseqüências chegaremos.


           2. Admitimos a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também:

                    1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais;

                2º) Que ela possuía consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência.

Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e o que é feito dela?  

...Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.

            Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a idéia dessas penas e recompensas é absurda e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro.

...As almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal.

...Encontramos os fatos nos fenômenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. ... Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma idéia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é verdade.

            Consideremos o Espírito, antes de mais nada, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semimaterial, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria.(1)

...Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituindo de substância elétrica, ou de outra espécie de matéria tão sutil como essa. Por que separado não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)


            4. A existência de Deus e da alma, conseqüência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: “Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte”? ... Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.


            5. Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encamados. ...Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize os meios que estão ao seu dispor?


              6. Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível.

            Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos fatos espíritas através das leis materiais. Que eles assim, possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:

1º) O ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;

2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou; 

3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;

4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;

5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;

6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;

7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;

8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;

9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe as perguntas nem transmitir-lhe pensamento.


(1)  O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o períspirito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas     da Metapsíquica    e da Parapsicologia tiveram de enfrentar, malgrado o materialismo dos   pesquisadores, a    existência desse corpo semi-material (N. do T. )

(2) Além das ações químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a ação da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks

Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas

age por via extra-física, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos,         materialistas

comprovaram a ação mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir   uma

energia material ainda não conhecida pelas ciências (N. do T. )

 

Allan Kardec, através de seu método singular, expõe uma prova experimental da preexistência, existência, sobrevivência e imortalidade da alma e não uma demonstração teórico-dogmática. Na preexistência ele desvela a lei da reencarnação, uma oportunidade perene de evolução para a consciência em busca do despertar de si mesma, sem retrocesso, ainda que nas mais intrincadas provações ou expiações; processo onde não há castigos ou premiações por parte da Inteligência Suprema, mas o amor integral que permeia a lei de causa e efeito, transfundindo-a para uma estrada de luz e ascensão íntima do espírito. Na existência ele diferencia o fenômeno de existir da arte de vivenciar a existência, o primeiro, estágio de conquista e desenvolvimento do livre arbítrio, a segunda, sublimação dele.

 

Finalmente, com a prova da sobrevivência e imortalidade após o deperecimento do corpo físico, ele enfatiza a misericórdia divina que nos permite a singularidade em qualquer parte da Creação Divina e a certeza de possuirmos novos desafios iluminativos. O Espírito André Luiz, através de Francisco Cândido Xavier, tece as seguintes considerações sobre o entrelaçamento entre destino e evolução:

 

“(...) ninguém recebe do Plano Superior a determinação de ser relapso ou vicioso, madraço ou delinqüente, com passagem justificada no latrocínio ou na dipsomania, no meretrício ou na ociosidade, no homicídio ou no suicídio. Padecemos, sim, nesse ou naquele setor da vida, durante a recapitulação de nossas próprias experiências, o impulso de enveredar por esse ou aquele caminho menos digno, mas isso constitui a influência de nosso passado em nós, instilando-nos a tentação, originariamente toda nossa, de tornar a ser o que já fomos, em contraposição ao que devemos ser”. (Xavier, 1971) 

 

              " Espíritas, amai-vos; este o primeiro ensinamento;

                       instruí-vos, este o segundo." 


                                             (O Evangelho Segundo o Espiritismo) 

                          


Exibições: 637

Os comentários estão fechados para esta mensagem de blog

Comentário de adão de araujo em 2 novembro 2011 às 20:40

Ontem vocês duas me fizeram rir como um doido com a história das bar......

Hoje a Marta me faz chorar ao recordar da minha santa velhina.

Vocês não prestam. Mas amo-as.

Comentário de claudie lopes em 2 novembro 2011 às 20:36

Difirciiii!!!

Mas, como pais falando com um filho pequeno, devemos procurar trazer o tema à realidade de quem ouve;

Não falamos de morte, com uma criança pequena, como falamos a um adulto. A ignorância não significa, obrigatóriamente, pouca evolução espiritual. Quando uma situação assim se apresenta, creio que devemos, com paciência e carinho, ir "sondando" a realidade do outro, ver o que pensa, como sente determinados assuntos...E, com vontade de ajudar, iremos encontrando a medida certa para lhe alcançar o entendimento.

Já me deparei com esta situação. Ainda que com pouco estudo (ou quase nenhum), quando há interese sincero da pessoa em entender, conhecer algo, é possível faze-lo, mas a paciência é indispensável!!

Tem que ter a boa-vontade de quem procura, e a boa-vontade de quem dá...

Bju!!

Comentário de adão de araujo em 2 novembro 2011 às 20:36
MARTA! Eu não sofro da Síndrome de Peter Pan!
Comentário de adão de araujo em 2 novembro 2011 às 20:33

Martinha, você está se referindo a minha querida, inesquecível e adorada mãezinha, desencarnada ha 30 anos.

Minha mãezinha era analfabeta (aprendeu um pouco no antigo MOBRAL), embora analfabeta, era excelente médium psicofonica. Algumas vezes deramei lágrimas ouvindo as belas comunicações que recebia. Estou lembrando dela e me emociono. Quando ela me fazia a  pergunta, colocada por você, eu lia para ela o Evangelho (ela adorava), e dava-lhe um beijo na testa dizendo: Mamãe eu sou um ESPIRITO.

Marta. a vida é bela. Mas sem a mamãe, ficou mais cinzenta, muito mais cinzenta!

Beijos fillha. Te amo.

Comentário de Marta Valéria em 2 novembro 2011 às 19:49

Lindíssimo estudo!!!!

 

Trago para os meus dois Mestres (Clozinha e Adão) uma questão que eu enfrento no meu cotidiano e preciso de ajuda.

 

A pergunta do estudo é : existem espíritos?

 

Amados e quando essa pergunta vem de pessoas que não sabem ler e nem escrever e que não conhecem nem de longe as obras de Kardec ? Pessoas simples, que não acreditam que o homem foi a lua e que a simplicidade dos corações, ávidos por aprendizados...querem saber sobre os céus.....como falar-lhes na linguagem mais apropriada ?

O que vocês fariam???

 

 

Aguardo vocês!

Comentário de adão de araujo em 31 outubro 2011 às 20:05
ESTAMOS APRENDENDO !
Comentário de claudie lopes em 31 outubro 2011 às 19:56

Entendo que ela seja evolutiva, pois que a vida do espírito é evolução constante; ou seja, se evoluímos constantemente, temos que ter uma referência de orientação e estudo que não "envelheça" e fique caduca...

Além disso, há coisas que não nos foram reveladas, pois como dizem os espíritos superiores, ainda não possuímos condições para compreendê-las...

E sim, estou muito grata e feliz com esse nosso estudo. É um desafio, mas estou aprendendo muito!

Bjão!!

Comentário de adão de araujo em 31 outubro 2011 às 19:28

Exatamente querida! Leitura e interpretação corretíssima, fizeste.

Claudie, há poucos dias eu conversava com a Marta sobre a nossa responsabilidade naquilo que aqui postamos. A partir dessa premissa, irei paulatinamente colocando textos genuinamente kardequianos que são a expressão do pensamento do Espírito da Verdade.  Dessa forma, todos aqueles que por aqui passarem beberão a água puríssima, tal como  a água daquela fonte que Jesus ofertou à mulher Samaritana. Assim, querida, creio que estaremos também contribuindo para saciar a sede de tantos quantos tenham aquela mesma sede.

Kardec nos aponta extamente o que comentaste: a Doutrina Espírita começou com ele, mas ela é evolutiva e a última palavra ainda não foi dita. Portanto, não há condições para nós os espíritas, sermos dogmáticos e ou fechados para a evolução do pensamento.

Tomara, Claudie, que muitos possam ter  a mesma lucidez que você.

Fico feliz em colaborar com você e em saber que está gostando da forma como contribuo.

Um grande e afetuoso abraço.

Comentário de claudie lopes em 31 outubro 2011 às 18:35

Realmente, Adão! Vc é show de bola! Tá, já sei que vai dizer que o mérito cabe a Kardec, mas vc pinça textos que trazem excelentes observações pertinentes ao tema! Com um navegador como vc, não tem como eu me perder...rsrsrs

Vamos lá. No auge do pensamento materialista, inclusive alavancado pelo desenvolvimento tecnológico resultante da Revolução Industrial, não havia como se firmar uma doutrina que falava de "espíritos" (coisas intangíveis e chocantemente abstratas para a época), se não tivesse um cunho de estudo profundamente científico. E chama a atenção, justamente pelos moldes sérios com que foi elaborada, e por levar àqueles que lhe buscam conhecer, ao raciocínio e estudo profundo.

Todos nós que começamos a estudar as obras básicas da Doutrina Espírita, ficamos maravilhados com sua abrangência e atualidade, e estamos sempre estudando. Quanto mais sabemos, mais procuramos saber, e nossa percepção aumenta gradativamente...

Os espíritos superiores não vieram nos dar o peixe, mas nos deram a vara e ensinaram como pescá-lo...

Comentário de adão de araujo em 31 outubro 2011 às 10:26

Alô queridos amigos do Espirit Book.

No Livro "A Genese - Os milagres e as predições segundo o Espiritismo", em seu capítulo primeiro, Caracteres da Revelação Espírita, no item nº 50, Allan Kardec alerta os estudiosos da Doutrina de que,  embora a relação com o Mundo Espiritual, através da mediunidade seja uma" ferramenta" importantíssima para a evolução do homem, nem tudo os Espíritos devem revelar e "a doutrina não foi ditada totalmente, nem imposta a crença cega" (item 13 do mesmo capítulo).

No item 50 lemos: "A revelação Espírita, surgida numa época de emancipação e de maturidade intelectual, em que a inteligência desenvolvida não pode se conformar com um papel passivo, em que o homem nada aceita cegamente, mas quer saber onde o levam, saber o porquê e o como de cada coisa, tinha que ser ao mesmo tempo produto de um ensinamento e fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame. Os Espíritos ensinam exclusivamente o que é necessário para colocá-lo na trilha da verdade, mas abstém-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando por sua conta o cuidado de discutir, controlar e tudo submeter, ao cadinho da razão, deixando-o mesmo, muitas vezes, adquirir experiências às suas próprias custas. Apresentam-lhe o princípio, os materiais: cabe a ele deles tirar proveito e pô-los em ação. (Destaques de Allan Kardec). 

Abraços.

© 2022   Criado por Henrique.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Política de privacidade  |  Termos de serviço

Free counters!