O Livro dos Médiuns - Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS - Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA - Allan Kardec, 1861

"O Espiritismo, que se funda no conhecimento de leis até agora incompreendidas, não vem destruir os fatos religiosos, porém sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional."   Allan Kardec


 52. A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna a princípio incompreensível o fenômeno das manifestações. Elas não podem ocorrer sem a ação do Espírito sobre a matéria. Por isso, os que consideram o Espírito completamente desprovido de matéria perguntaram, com aparente razão, como o pode agir materialmente. E nisso precisamente está o erro. Porque o Espírito não é uma abstração, mas um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado é a alma do corpo; quando o deixa pela morte, não sai desprovido de qualquer envoltório. Todos eles nos dizem que conservam a forma humana, e, com efeito, quando nos aparecem, é sob essa forma que os reconhecemos.


Observamo-los anteriormente no momento em que acabavam de deixar a vida. Acham-se perturbados; tudo está confuso ao seu redor; vêem o próprio corpo perfeito ou mutilado, segundo o gênero de morte; por outro lado, vêem a si mesmo e se sentem vivos. Alguma coisa lhes diz que aquele corpo lhes pertencia e não compreendem como possam estar separados. Continuam a se ver em sua forma anterior, e essa visão provoca em alguns, durante certo tempo, uma estranha ilusão: julgam-se ainda vivos.

Falta-lhes a experiência desse novo estado para se convencerem da realidade. Dissipando-se esse primeiro momento de perturbação, o corpo lhes aparece como velha roupa de que se despiram e que não querem mais. Sentem-se mais leves e como livres de um fardo. Não sofrem mais as dores físicas e são felizes de poderem elevar-se e transpor o espaço, como faziam muitas vezes em vida nos seus sonhos.

Ao mesmo tempo, apesar da falta do corpo constatam a inteireza da personalidade: tem uma forma que não os constrange nem os embaraça tem a consciência do eu, da individualidade. Que devemos concluir disso? Que a alma não deixa tudo no túmulo mas leva com ela alguma coisa.


54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que trataremos mais tarde, demonstraram a existência no homem de três componentes: 1º) a alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral; 2º) o corpo, invólucro material e grosseiro de que é revestido temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais; 3º) o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de liame entre a alma e o corpo.

 

A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro que a alma abandona. O outro envoltório desprende-se e vai com a alma, que dessa maneira tem sempre um instrumento. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós em seu estado normal, é também material, apesar de não termos, até o presente, podido captá-lo e submetê-lo à análise.

 

Este segundo envoltório da alma ou perispírito existe, portanto, na própria vida corpórea. É o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe, e através do qual o Espírito transmite a sua vontade ao exterior, agindo sobre os órgãos do corpo. Para nos servimos de uma comparação, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento. É, enfim, esse agente misterioso, inapreensível, chamado fluido nervoso, que desempenha tão importante papel na economia orgânica e que ainda não se considera suficientemente nos fenômenos fisiológicos e patológicos.


(...) Seja durante a sua união com o corpo ou após a separação, a alma jamais se separa do seu perispírito.


55. Já se disse que o Espírito é uma flama, uma centelha. (...) Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. O perispírito é para o Espírito o que o corpo é para o Homem: o agente ou instrumento de sua atividade.


56. A forma do perispírito é a forma humana, e quando ele nos aparece é geralmente a mesma sob a qual conhecemos o espírito na vida física.

(...)E é também a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só possuem o perispírito. (...)Mas a matéria sutil do perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta do corpo. Ela é, se assim podemos dizer, flexível e expansível. Ela se molda à vontade do espírito, que pode lhe dar a aparência que quiser, enquanto o invólucro material lhe ofereceria uma resistência invencível.

 

Desembaraçado do corpo que o comprimia, o perispírito se distende ou se contrai, se transforma, em uma palavra: presta-se a todas as modificações, segundo a vontade que o dirige. É graças a essa propriedade do seu invólucro fluídico que o Espírito pode fazer-se reconhecer, quando necessário, tomando exatamente a aparência que tinha na vida física, e até mesmo com os defeitos que possam servir de sinais para o reconhecimento.

Os Espíritos, portanto, são seres semelhantes a nós, formando ao nosso redor toda uma população que é invisível no seu estado normal.


57. Voltemos a tratar da natureza do perispírito. Dissemos que, embora fluídico, ele se constitui de uma espécie de matéria, e isso resulta dos casos de aparições tangíveis, aos quais voltaremos. Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser apalpada, oferecendo a resistência dos corpos sólidos, e que de repente se esvaeciam como sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade ao executar certos movimentos, até mesmo ao tocar músicas num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. Sua desaparição instantânea prova, entretanto, que essa matéria é extremamente sutil e se comporta como algumas substâncias que podem, alternativamente, passar do estado sólido ao fluídico e vice-versa.


58. A natureza íntima do espírito propriamente dita, ou seja, do ser pensante, é para nós inteiramente desconhecida. Ele se revela a nós pelos seus atos, e esses atos só podem tocar os nossos sentidos por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para agir sobre a matéria. Seu instrumento direto é o perispírito, como o do homem é o corpo. O perispírito, como acabamos de ver, constitui-se de matéria. Vem a seguir o fluido universal, agente intermediário, espécie de veículo sobre o qual ele age como nós agimos sobre o ar para obter certos efeitos através da dilatação, da compreensão, da propulsão ou das vibrações.

 

Compreendem-se então que os efeitos pertencem á ordem dos fatos naturais e nada tem de maravilhoso. Só pareciam sobrenaturais porque sua causa era desconhecida. Desde que a conhecemos, o maravilhoso desaparece, pois a causa se encontra inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito.


59. Talvez se pergunte como pode o Espírito, com a ajuda de uma matéria tão sutil, agir sobre corpos pesados e compactos, erguer mesas etc. Não é nos gases mais rarefeitos,nos fluidos imponderáveis, que a indústria encontra as mais poderosas forças motrizes? Quando vemos o ar derrubar edifícios, o vapor arrastar massas enormes..., que há de estranho em admitir que o Espírito, servindo-se do perispírito, possa erguer uma mesa, sobretudo quando se sabe que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?

                                       


Os Espíritos confirmaram que a mesma matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades, acrescentando ainda que "tudo está em tudo" (L.E., livro I, Cap. 2, perg. 33 ). O fluido universal é a matéria, primitiva. "Ele está colocado entre o Espírito e a matéria" (L.E., livro I, ( perg. 27), exercendo o papel de intermediário, para que o Espírito possa atuar de alguma forma sobre ela. Através dos fluidos, em suas inumeráveis combinações com a matéria, os Espíritos podem produzir uma infinita variedade de coisas. Ele, "sendo o agente de que o Espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá" (L.E., livro I, Cap. 2, perg. 27).

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Comentário de claudie lopes em 10 janeiro 2012 às 18:48

Legal, Adão, esse comentário. Realmente, Kardec traçou um roteiro de como abordar e tratar das questões relativas aos Espíritos, e seguiu meticulosamente, de forma criteriosa e disciplinada, não fugindo  ao propósito que  havia se proposto. 

Isso mostra o qunto a disciplina é necessária, em qualquer tarefa, sobretudo nas de grande vulto.

Me recordo do Chico, quando ele próprio quis começar a etudar mais a fundo os fenômenos de materialização ao lado de Peixotinho, e Emmanuel o adverte que sua tarefa não era auqela, mas sim, escrever livros...

A espiritualidade trabalha em conjunto com os encarnados, e como têm uma visão melhor que a nossa, por não estarem sujeitos a influência da matéria, nos orientam e gentilmente tentam nos "levar ao caminho correto"...Nós é que nem sempre "escutamos"...

Brigadu!!!!

Comentário de claudie lopes em 10 janeiro 2012 às 18:40

Izidro, é por aí mesmo! O comentário "tô fora", era só uma brincadeira com Adão...

Acho que a oração sempre é ponto de partida. Pedir que sejam amparados, esclarecidos...e, sobretudo, ter muito amor para com eles...

Muitos não têm compreensão da condição em que se encontram, e outros, por ignorância, preferem se mostrar com aparência assustadora...

Seja com qual intenção for, devem sempre ser tratados com respeito, e ambiente de harmonia...

Obrigado, amigo!

Comentário de adão de araujo em 10 janeiro 2012 às 16:04

Oi Claudie. Alô amigos do Espirt Book.

     No item nº 57 deste capítulo de O Livro dos Médiuns ora em estudo, observamos que Allan kardec faz rápidas referências aos casos de aparições tangíveis, referindo-se especificamente sobre a materialização de mãos de espíritos. Ali, Kardec promete voltar ao assunto. E o faz, porém, de maneira parcimoniosa.

Muitos confrades consideram estranho o fato de Kardec haver tratado de forma discreta estes fenômenos, pois os mesmos seriam uma das maneiras de comprovação da sobrevivência do Espírito. Vale ressaltar que alguns membros da Société Parisien, companheiros de Kardec, chegaram a questioná-lo sobre isso, tentando até mesmo desviá-lo para a pesquisa biofísica dos fenômenos mediúnicos de materialização. Kardec argumentou, com o bom senso que lhe era característico, que essa tarefa  cabia aos especialistas das ciências materiais. Reportou, ainda, que seus objetivos eram psicológicos, tanto que deu à Revue Spirite o sub título de " Journal DÈstudes Psychologiques".

Mais tarde podemos observar quando Zölner, em Leipzig, realizou suas pesquisas psicofísicas com o ectoplasma e o problema da quarta dimensão, que Kardec estava certíssimo, mais uma vez. Seu objetivo, primordial era estudar e penetrar nos segredos da alma. Aos físicos caberia as questões materiais. Ele criava, como declarou, a Ciência dos Espíritos, sua natureza, e suas relações com os homens.

Posteriormente, outros notáveis homens de ciência: Willian Crookes; Cesare Lombroso, Alexandre Aksakof e Charles Richet vieram confirmar, através de pesquisas rigorosamente científicas, todas as teses propostas pelo gênio  Allan Kardec.

Importa destacar que Kardec não dispunha dos recursos atuais da pesquisa tecnológica, mas buscou sempre, meticulosamente, a verdade. E assim,  legou-nos o patrimônio inabalável da Doutrina Espírita.

 

Comentário de Izidro Pinto Lins Caldas em 10 janeiro 2012 às 15:58

Muito bom Claudie.

Ja tive visões reais de espíritos, apenas orei por eles pedindo a Deus para dar-lhes paz, tranquilidade e compreenssão da condição em que estavam. Que eles procurassem a Deus para alcançarem a paz.

Nós devemos ter mentes abertas para entendermos nossa realidade e aceitar com tranquilidade que todos somos espíritos em constante evolução, trantando isto com naturalidade sem temor ou mêdo.

Comentário de claudie lopes em 9 janeiro 2012 às 21:27

Tô fora! Pra mim, as assombrações "conhecidas" já são bem convincentes...rsrsrs

Comentário de adão de araujo em 9 janeiro 2012 às 21:10

Oi Claudie. Então tu precisas conhecer umas casas, lá na minha terra natal.

     Lá o bicho pega!

     Abraços.

Comentário de claudie lopes em 9 janeiro 2012 às 20:54

Só no programa que passa na DiscoverY

Bem assombrada, felizmente só num programa que passava na Discovery "Assombrações", era um programa sobre casas assombradas...

Agora, já estive em algumas casas "" assombradinhas" de leve...

Comentário de adão de araujo em 9 janeiro 2012 às 20:42

Oi Claudie! A próxima intervenção, poderá ser no dia 10.01.2012.  Quem viver verá.

     Quanto a questão das casas assombradas, é exatamente isso: deverá ter alguém, geralmente nas imediações, que forneça o fluido ectoplásmico, mesmo que de forma inconsciente.

     Já vistes alguma casa  bem assombrada?

     Abraços.

Comentário de claudie lopes em 9 janeiro 2012 às 20:29

Você se referiu aos relatos de casas assombradas são uma comprovação. Quer dizer que, nestes casos, deve haver pelo menos um médium nas imediações das tais casas que fornece ectoplasma para que tais manifestações ocorram??

Estou aguardando a próxima ïntervenção"!

Bjo!

Comentário de adão de araujo em 9 janeiro 2012 às 20:22

Oi Claudie. Os fatos tem demonstrado (ver caso das Irmãs Fox, por exemplo), que em algumas ocorrèncias de fenômenos de efeitos físicos, não é necessário que o medium esteja consciente de ser instrumento dos Espíritos. Algumas pessoas, mesmo de forma inonsciente, portanto, fornecem o fluido ectoplásmico com o qual os espíritos produzem os mais variados tipos de manifestações, desde as simples pancadas (Raps) até as materializações de entidades já desencarnadas. Os relatos referentes as casas ditas assombradas, são também uma comprovação disso.

Um fato intrigante é que Allan Kardec não se dedicou a  um estudo mais aprofundado sobre os fenômenos de materialização de espíritos. Qual a causa?  Exporemos em uma próxima intervenção.

Abraços.

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