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Francisco Antunes Bello

O famoso médium de Pindamonhangaba

Paulo Alves Godoy

 

Enorme é o número de médiuns que têm surgido no cenário do mundo para o desempenho de tarefas de relevo sem que, no entanto, seus nomes ficassem registrados nos anais da história.

Quando dizemos médiuns, não nos referimos somente àqueles que militam na seara espírita, mas também aos que desenvolveram suas obras em outros campos religiosos, pois, medianeiros entre o Céu e a Terra os há no seio de todas as religiões fora delas.

A mediunidade independe do setor onde o seu portador atua e desde a mais remota  antigüidade, segundo o testemunho dos livros sagrados de todas as religiões, sempre surgiram médiuns, embora com nomes diferentes, desempenhando tarefas específicas e muitos deles pagando elevado preço pela ousadia em enfrentarem os prejuízos humanos, as deturpações, os sistemas enraigados nas vãs tradições e os interesses de grupos ou de pessoas.

No seio do Espiritismo tem surgido médiuns investidos de missões grandiosas, atuando em campo muitas vezes hostis, mas conseguindo manter bem alto os princípios doutrinários que defendem e apregoam. Os nomes de muitos deles passaram desapercebidos para os homens, no entanto, temos certeza, estão registrados nos planos espirituais. Se não são relembrados, o fato deve ser atribuído a fatores vários, dentre eles a falta de comunicação, a circunstância de terem suas tarefas sido desenvolvidas em âmbito regional, muitas vezes afastados dos grandes centros.

Na década de 1940 surgiu na cidade de Pindamonhangaba um médium que se tornou famoso pelo impacto que os fenômenos produzidos por seu intermédio produziu nos meios científicos, filosóficos e religiosos da época.

Seu nome: Francisco Antunes Bello. Sua profissão: apicultor, além de exercer cargo no Ministério da Agricultura. Nascido no bairro de Sant’Ana, na cidade de S. Paulo, no ano de 1907. Casado com Da. Maria da Glória Antunes Bello, teve desse matrimônio dois filhos: Irineu e Elza. Data da sua desencarnação na cidade de Pindamonhangaba: 24 de novembro de 1973.

De 1945 a 1956, ele e sua esposa dedicaram-se com afinco e espírito cristão, aos trabalhos de atendimento dos velhinhos internados no “Lar de Velhos Irmã Terezinha”, que funciona adjunto ao Centro Espírita do mesmo nome. Era médium de efeitos físicos e de vidência.

Os trabalhos mediúnicos de Francisco Antunes Bello foram amplamente divulgados através de jornais e revistas brasileiras no ano de 1945 e, em 1946 foram enfeixados num livro intitulado “Trabalhos Post-Mortem do Padre Zabeu”, de autoria de Urbano Pereira, ex-catedrático de Física do Colégio Estadual de Taubaté, autor de vários compêndios sobre essa matéria e da obra “Nós e o Universo”, com prefácio de Monteiro Lobato.

Dentre os inúmeros fatos ocorridos através da mediunidade de Francisco Antunes Bello, destaca-se a famosa operação espiritual ocorrida no dia 06 de janeiro de 1945, na cidade de Pindamonhangaba.

O fato teve profunda repercussão em todo o Brasil em vista de revestir-se de circunstâncias até então desconhecidas: operação através da materialização do Dr. Luiz Gomes do Amaral.

O Espírito materializado, de posse de todo o instrumental necessário para uma operação do gênero: bisturi, tesoura, pinças, etc, fez uma incisão no ponto de Mac Burney, medindo mais ou menos três centímetros, sendo através dela retirado o apêndice inflamado, a qual foi posteriormente suturada.

A princípio houve dúvida sobre a extração do apêndice, entretanto, dias após, várias chapas radiográficas comprovaram amplamente que o mesmo não estava mais no corpo de André de Bernardi.

Era 06 de janeiro de 1945. Chovia torrencialmente na cidade de Pindamonhangaba. A sede do Centro Espírita Irmã Terezinha estava totalmente tomada.

Num minúsculo compartimento contíguo ao salão, encontrava-se o paciente André de Bernardi, deitado numa cama ali improvisada, tendo na altura do pescoço um anteparo de madeira revestido com pano. Estava fortemente amarrado e não apresentava no ponto de Mac Burney, qualquer incisão ou cicatriz que denunciasse operação recente ou remota. Todas as providências foram tomadas para que o pequeno compartimento ficasse completamente isolado, tendo sido mesmo pregado alguns sarrafos de madeira na única janela existente, ao passo que a porta de acesso foi vedada com um pano escuro. No pequeno quarto, além do doente, estavam os seguintes materiais: gaze esterilizada, algodão, um vidro de álcool, um tambor com duas máscaras, aventais, um par de luvas, duas bacias com álcool iodado e álcool puro, um papel com agrafes, um bloco de papel, e um balde vazio.

No salão do Centro Espírita estavam aproximadamente 40 (quarenta) pessoas, dentre elas os Drs. Edson do Amaral, Lessa Júnior, Ortiz Monteiro Patto, Mario Aguiar - Juiz de Direito de Itápolis, Alfredo José Balbi - advogado em Taubaté, Milton Peixoto de Barros - delegado de Polícia de Pindamonhangaba, Francisco Antunes Bello - funcionário da Secretaria da Agricultura e Oswaldo Pereira de Oliveira - coadjuvante do médium.

Minutos antes do início dos trabalhos, o delegado de polícia pediu permissão para sair, o que obviamente fez com objetivo de fiscalizar o acesso de pessoas ao Centro.

Justamente às 20:15 horas, teve início a sessão.

Houve várias recomendações do dirigente. O vice-presidente Arnaldo Amadei, proferiu a prece de abertura, enquanto os médiuns entravam em transe.

A chuva caía torrencialmente em meio a roucos e longínquos  trovões. Decorrido um lapso de tempo ouviu-se um grito do paciente e às 21:50 horas o médium Francisco Antunes Bello, rompeu o silêncio, permitindo ao Espírito do médico operador que falasse por seu intermédio, anunciando o término do ato cirúrgico.

Fez-se claridade no salão e os circunstantes se dirigiram ao quarto do paciente, primeiramente os médicos, seguidos do jornalista de  “A Noite”, de S. Paulo, e várias pessoas presentes.

Constatou-se então um fato extraordinário: justamente no ponto de Mac Burney, onde duas horas antes nada de anormal havia, via-se agora uma cicatriz de 3 centímetros. No vidro de álcool foi encontrado um apêndice de oito centímetros aproximadamente, já congestionado e com visíveis traços de recente extirpação.

O doente apresentava 90 pulsações por minuto, conforme atestado pelo Dr. Ortiz Monteiro Patto, oferecendo aspecto ligeiramente chocado.

Com o objetivo de comprovar a realidade do ato cirúrgico foi decidido fazer várias radiografias, o que foi feito oito dias mais tarde no consultório do Dr. Ortiz Monteiro Patto, em Taubaté, emitindo-se o seguinte atestado: “Exame do Sr. André de Bernardi - chapa nº 875 data de 14 de janeiro de 1945 - Região examinada: “Ileocecal - Colons. Resultado: Hoje às 09:00 horas, em meu consultório, na presença dos Drs. Ernani Fonseca, Lessa Júnior, Edson do Amaral, Octacilio Moreira, Armando Montelli, José Gregório Moreira, Benedito Cursino dos Santos e Moacyr Holez, foram processadas por mim mais seis radiografias do Sr. André de Bernardi, 8 dias após a intervenção realizada no Centro Espírita de Pindamonhangaba, comparadas ainda úmidas com as chapas anteriores, feitas no dia 05 do corrente, não foi constatada nenhuma imagem de apêndice. Taubaté, 14 de janeiro de 1945. Seguem as assinaturas dos presentes, inclusive dos Drs. Hugo di Domêncio e Ataide Gonçalves, que chegaram com atraso, só podendo examinar os negativos”.

 

Fonte: Anuário Espírita - Ano: 1976

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