Os nomes venerandos devem ocupar um lugar de destaque nos nossos corações. Não devemos usá-los para fins meramente pessoais, nem chamar os seus legítimos proprietários senão para nos estimular na prática das virtudes de que tão belo exemplo nos legaram.

Temos nos abstido até aqui de censurar grupos e médiuns que se utilizam de nomes venerandos, dignos do maior respeito e consideração, para subscreverem mensagens vindas do Além, ou supostas comunicações por vezes de natureza anímica em que unicamente o próprio Espírito do médium tomou parte.

Mas são tantas ultimamente as comunicações de Joana D’Arc, de S. Paulo, de Allan Kardec que nos chegam às mãos que tememos ir se generalizando o descrédito da nossa Doutrina pelas mistificações que a assediam a todos os momentos.

Queremos em nome dos Espíritos propulsores da Revelação Nova, dever aos nossos irmãos em crença, o obséquio de não fazerem questão de nomes nas mensagens que transmitirem, pois, como é sabido, o valor da comunicação não está no nome que a subscreve, mas sim no seu conteúdo, na sua linguagem, nos ensinamentos que contém.

Nós, espíritas, sabemos muito bem que as mensagens assinadas precisam ser identificadas, assim como as cartas que recebemos e os artigos que publicamos.

Franqueza: nas mensagens que são dadas aqui e ali, muito rara é aquela que mantém uma linguagem na altura do Espírito cujo nome representa, e estas mesmas são dadas à publicidade sem o indispensável controle, deixando sempre um lado de dúvida nos leitores ou assistentes das reuniões.

Sabemos mais ainda quão solícitos são os Espíritos levianos nas sessões, sempre prontos a subscreverem os nomes venerandos para captarem a simpatia dos crentes.

A nossa doutrina é bela, ela enfeixa os raios luminosos da Verdade que distribui no mundo todo não precisa se impor pelos nomes daqueles que a representaram aqui na Terra.

Convidemos os nossos semelhantes ao estudo do Espiritismo e também nós estudemo-lo, com funda meditação, para que assimilemos o exemplo dos próceres da excelente filosofia, que em sua humildade e em sua modéstia chegaram a não subscreverem certas mensagens com o nome do Espírito que lhes transmitiu, por se acharem pequenos e indignos de tão alta Personalidade.

E sobre este caos nós temos um exemplo com o próprio Allan Kardec, que havendo recebido na Sociedade Espírita de Paris uma comunicação de Jesus, assim se exprime ao reproduzi-la no “Livro dos Médiuns”, pag. 444: “Esta comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da “Sociedade Espírita de Paris”, está assinada por um homem que o respeito não nos permite reproduzir, senão com todas as reservas, tão grande seria o insigne favor da sua autenticidade e porque, muito freqüentemente, dele se abusou nas comunicações evidentemente apócrifas; esse nome é o de Jesus de Nazaré. Não duvidamos, de nenhum modo, que não possa se manifestar, mas se os Espíritos verdadeiramente superiores não o fazem senão em circunstâncias excepcionais, a razão nos proíbe crer que o Espírito puro por excelência responda ao apelo de qualquer um; haveria, em todos os casos, profanação em lhe atribuir uma linguagem indigna dele.”

Cairbar Schutel

Jornal O Clarim – Janeiro de 2008

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