Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06/2011), deparamo-nos aqui no Brasil com a morte de um casal de seringueiros no estado do Pará, porque estavam defendendo a Floresta Amazônica (a maior reserva ambiental do planeta) de sua depredação pela indústria madeireira.

Sabemos, em sã consciência, e para nossa tristeza, que isto está longe de acabar...

Pouco, ou nada, podemos fazer para mudar esta situação a curto prazo, pelo menos em nível macro. Mas, num nível menor, como cidadãos, podemos, sim, fazer alguma coisa para preservar o meio ambiente.

Com ações simples, individuais, como: economizar energia e água na hora do banho; apagar as luzes que não estiver utilizando; selecionar e descartar dejetos de forma apropriada (e não no chão!); evitar utilizar sacolas de plástico em compras, dando preferência à sacolas de papel, ou caixas de papelão, que são mais degradáveis; descartar pilhas e baterias em coletor próximo da residência ou do trabalho/escola; plantar uma árvore em praça ou parque, se não for possível no quintal de casa; proteger os animais, etc...

Para melhor ilustrar este tema, gostaria de apresentar um documento que foi endereçado ao Presidente dos Estados Unidos, em 1855, por um índio nativo americano. A carta é um pouco extensa, por isso peço paciência do leitor para lê-la até o final, a fim de compreender a essência da luta dos Ambientalistas pela Preservação da Natureza. Segue o texto abaixo:

 

A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Chefe Sioux Touro Sentado - Clique sobre a imagem para vê-la ampliada

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já 156 anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

   
"O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."

                                                                          FIM

 

Se você quer fazer parte de uma enquete sobre sua atuação na preservação do meio ambiente,

acesse: http://www.justincase.com.br/index.php/2010/11/24/meio-ambiente-fac...

 

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Comentário de evaldo berwig em 5 junho 2011 às 23:32

Denizar, Marta, Amigos

 

A respeito do preceito de Confúcio trazido pelo Denizar, deixo aqui a indicação do filme “A Batalha Pelo Império” com uma pequena nota de Carlos Cardoso Aveline, no grupo SerAtento:

 

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O filme em DVD  "A Batalha Pelo Império" é na verdade uma excelente narrativa sobre a vida de Confúcio e dá uma boa ideia do dilema do místico, entre  atuar no mundo, desafiando a ignorância organizada e arcando com as consequências, ou viver retirado.  Confúcio combina a sabedoria filosófica com a luta pela ética na política.
O filme mostra a situação do teosofista que encara a realidade política e social, mas também mostra a força da cultura chinesa e da sua tradição milenar de sabedoria.  Dá noções de taoísmo e mostra um diálogo de Confúcio com seu mestre,  Lao-tzu. Ensina a atitude correta diante das dificuldades.  Mostra a necessidade de renúncia para que se possa trilhar o caminho.
É ficção, mas tem base na realidade histórica e transmite ética e sabedoria.  Como filme, é muito bem feito. Duração, 125 minutos. Distribuição, Flashstar.

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Marta, sim, "mas poderemos aprender a conviver....no nosso melhor", temos um ótimo texto no website www.filosofiaesoterica.com,  Ética na Política: a Teosofia de Confúcio, onde se encontra uma referência a Confúcio feita por um Mahatma, no link http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1026:

“Todo teosofista ocidental deveria saber e lembrar – especialmente aqueles que quiserem ser nossos seguidores – que em nossa Fraternidade todas as personalidades submergem em uma idéia – o direito abstrato e a justiça prática absoluta para todos. E que, embora nós não digamos, com os cristãos, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o mal’, nós repetimos as palavras de Confúcio, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o bem; a quem lhe faz o mal – JUSTIÇA.” [2]

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[2]  “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes, ver Carta 120, volume II, p. 260.

Comentário de Marta Valéria em 3 junho 2011 às 9:20

Para os amigos!

 

 

Comentário de Denizar Ventura Regis em 2 junho 2011 às 18:43

SABEDORIA MILENAR:

“Se você tem metas para um ano, plante arroz. Se você tem metas para 10 anos, plante uma árvore. Se você tem metas para 100 anos, então eduque uma criança. Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o Meio Ambiente.” (Confúcio)

Comentário de Marta Valéria em 2 junho 2011 às 16:29

 

 

Olá Evaldo,  Denizar e amigos,


Trouxe pedaços do texto que me dizem muito : 

"As crises ética, social e geológica de nosso tempo são todas parte de um mesmo processo.  Os ciclos cósmicos e geológicos estão ligados de modo direto às marés subjetivas que sobem e descem dentro das almas dos seres vivos....O Universo é governado de dentro para fora ."

 

Não podemos mudar "pessoas", isso é lei, e também não podemos interromper os ciclos, mas poderemos aprender a conviver...no nosso melhor.

 

Abraços.

 

Comentário de evaldo berwig em 2 junho 2011 às 10:19
“À medida que nossa civilização se confronta com perigos grandes e crescentes de vários tipos, de que forma devemos nos sentir responsáveis por seu futuro?  Qual é a nossa responsabilidade real?”
 
Responder a essa questão não é tarefa simples. Há, porém, pelo menos uma coisa sobre a qual podemos ter certeza:  estamos rodeados de crises e oportunidades.
 
A cada noite,  elas estão nos noticiários de televisão. Elas são apresentadas em  nossos jornais e programas de TV favoritos. Por toda a África, Europa, Ásia e Américas, inundações, incêndios florestais, secas, furacões e outros eventos semelhantes parecem promover uma mudança climática global que pode ter efeitos drásticos sobre o destino da nossa civilização. Essas centenas de eventos climáticos são mostradas na mídia como se fossem fatos isolados que  acontecem nesse momento apenas por alguma estranha coincidência.  
 
Isso, porém,  não é verdade. Também não é por coincidência que os sinais de decadência ética e social da nossa civilização – incluindo crime organizado,  corrupção na política, miséria,  guerras  e ataques terroristas – ocorrem ao mesmo tempo que o desmatamento,  a poluição ambiental e as mudanças climáticas. A verdade é que espírito e matéria evoluem juntos: ao longo da História,  cada vez que a ganância do homem o fez destruir seu ambiente natural, ele mesmo acabou pagando caro por isso.

Comentário de Marta Valéria em 1 junho 2011 às 17:43

Oi Evaldo, texto "cabeça"......caramba! Vou levar alguns dias para aprofundá-lo. Mas trouxe algumas considerações:

"Quando houver um número suficiente de pessoas sintonizadas com a energia da lei universal, e já estiver registrado no campo mórfico do nosso processo civilizatório um número suficiente de experiências acumuladas para que emerja uma civilização baseada na ética, a mudança de atitudes coletivas pode ser súbita...

... quando um número suficiente de pessoas houver adotado novas formas de viver e de trabalhar sintonizadas com o princípio da fraternidade universal, a transformação do cenário mundial pode ser muito rápida, ocorrendo como uma espécie de relâmpago cultural global – o ponto ômega de Teilhard de Chardin, a iluminação súbita da tradição zen. "  

 

 

Enquanto isso eu tô "lavando as minhas batatinhas na praia" ....  rsrsrsrs!

Um grande beijo e até

Comentário de evaldo berwig em 1 junho 2011 às 12:32
“Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Experimente-o quantas vezes julgar necessárias... Depois faça a si mesmo uma pergunta: este caminho possui coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma”.

A Ciência Descobre a Ecologia Profunda - http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=617
Comentário de Marta Valéria em 31 maio 2011 às 20:12

Sim Denizar, acontece essa explosão populacional no verão, mas em menores proporções do que em Santos, pois Niterói é "passagem" entre o Rio e a  Região dos Lagos e a tendência é o "povo se espalhar" ... rsrsrs! E as praias oceânicas em Niterói são "escondidas", não ficam nos grandes centros, por isso "a galera" não fica muito por aqui....só mesmo quem já conhece.....mas o lixo aumenta significativamente.

 

Sobre o fator respeito-cidade-ecologia o Evaldo colocou um material sobre "A (Feliz) Cidade do Futuro", na postagem sobre Feng Shui da Leorena, que eu adorei. Um dia quem sabe.....

Mas vamos lutar, pelo menos, por uma cidade agradável......rsrsrsrsr!

 

Bjokas

Comentário de Denizar Ventura Regis em 31 maio 2011 às 18:16
É verdade, amiga... Santos ainda tem um agravante que é a superpopulação de temporada (não sei se Niterói sofre deste mal, também!); durante o ano a cidade vive com uma população de 400 mil habitantes, mas na temporada de DEZ/FEV o contingente mais que dobra, passando de 1 milhão de 'almas encarnadas' (fora os desencarnados, rsrs), o que sobrecarrega a infra-estrututa local; assim como da maioria das cidades litorâneas da baixada santista. Como você disse, os governantes não estão nem aí para a sanha imobiliária ... é muito triste ... ! As prais, hoje, não são tão bonitas, e limpas, como eram no tempo que eu freqüentava... uma pena! Quem sabe com esta preocupação, cada vez maior!, pela preservação do meio ambiente, possamos rever as belezas do passado!!!

Um grande beijo e até!
Comentário de Marta Valéria em 31 maio 2011 às 17:38

Ah amigo Denizar.... então você é "batizado nas águas"....salve salve!

Então você também sabe como é grande o avanço imobiliário (degradante) e como é grande a produção de lixo que tem por essas bandas litorâneas. Vixe ! Nem Greenpeace dá jeito ...rsrsrs! É uma pena...

O problema do avanço imobiliário aqui, não se restringe a extinção das áreas verdes, atinge também a rede de água e esgoto onde a estação de tratamento ainda não faz nenhuma política de atendimento ao eco-sistema ....então muda-se a cidade (cresce), mas os canos,  a rede e os pensamentos dos governantes, são os mesmos desde a década de 50 ....

Todo edifício construído tem uma prioridade: 2-3 vagas na garagem, mas não temos um plano de aproveitamento da energia solar........e olha que sol aqui tem sobrando ....até demais aiiiiii......rsrsrs!

 

Um grande beijo e até!

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