Pode-se dizer que um médium consciente é aquele que durante o transcurso do fenômeno tem consciência plena do que está ocorrendo. O Espírito comunicante entra em contato com as irradiações perispirituais do médium, e, emitindo também suas irradiações perispirituais, forma a atmosfera fluídica capaz de permitir a transmissão de seu pensamento ao médium, que, ao captá-lo, transmitirá com as suas possibilidades, em termos de capacidade intelectual, vocabulário, gestos, etc.

O médium age como se fosse um intérprete da idéia sugerida pelo Espírito, exprimindo-a conforme sua capacidade própria de entendimento.

Esta forma de mediunidade será tanto mais proveitosa quanto maior for à cultura do médium e suas qualidades morais, a influência de espíritos bons e sábios, a facilidade e a fidelidade na filtração das idéias transmitidas. Seu desenvolvimento exige estudo constante, bom senso e análise contínua por parte do médium.

No Cap. XIX do "Livro dos Médiuns", especificamente o item 225 descreve a dissertação dada espontaneamente por um Espírito superior, sobre a questão do papel do médium, como segue:

"Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, quer mecânicos ou semimecânicos, quer simplesmente intuitivos, não variam essencialmente os nossos processos de comunicação com eles. De fato, nós nos comunicamos com os Espíritos encarnados dos médiuns, da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tão só pela irradiação do nosso pensamento".

"Os nossos pensamentos não precisam da vestidura da palavra, para serem compreendidos pelos Espíritos e todos os Espíritos percebem os pensamentos que lhes desejamos transmitir, sendo suficiente que lhes dirijamos esses pensamentos e isto em razão de suas faculdades intelectuais."

"Quer dizer que tal pensamento tais ou quais Espíritos o podem compreender, em virtude do adiantamento deles, ao passo que, para tais outros, por não despertarem nenhuma lembrança, nenhum conhecimento que lhes dormitem no fundo do coração, ou do cérebro, esses mesmos pensamentos não lhes são perceptíveis. Neste caso, o Espírito encarnado, que nos serve de médium, é mais apto a exprimir o nosso pensamento a outros encarnados, se bem não o compreenda, do que um Espírito desencarnado, mas pouco adiantado, se fôssemos forçado a servir-nos dele, porquanto o ser terreno põe seu corpo, como instrumento, à nossa disposição, o que o Espírito errante não pode fazer."

"Assim, quando encontramos em um médium o cérebro povoado de conhecimentos adquiridos na sua vida atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em vidas anteriores, de natureza a nos facilitarem as comunicações, dele de preferência nos servimos, porque com ele o fenômeno da comunicação se nos toma muito mais fácil do que com um médium de inteligência limitada e de escassos conhecimentos anteriormente adquiridos. Vamos fazer-nos compreensíveis por meio de algumas explicações claras e precisas."

"Com um médium, cuja inteligência atual, ou anterior, se ache desenvolvida, o nosso pensamento se comunica instantaneamente de Espírito a Espírito, por uma faculdade peculiar à essência mesma do Espírito. Nesse caso, encontramos no cérebro do médium os elementos próprios a dar ao nosso pensamento a vestidura da palavra que lhe corresponda e isto quer o médium seja intuitivo, quer semimecânico, ou inteiramente mecânico. Essa a razão por que, seja qual for a diversidade dos Espíritos que se comunicam com um médium, os ditados que este obtém, embora procedendo de Espíritos diferentes, trazem, quanto à forma e ao colorido, o cunho que lhe é pessoal.

"Efetivamente, quando somos obrigados a servir-nos de médiuns pouco adiantados, muito mais longo e penoso se torna o nosso trabalho, porque nos vemos forçados a lançar mão de formas incompletas, o que é para nós uma complicação, pois somos constrangidos a decompor os nossos pensamentos e a ditar palavra por palavra, letra por letra, constituindo-se isso numa fadiga e num aborrecimento, assim como um entrave real à presteza e ao desenvolvimento das nossas manifestações."

"..."Quando queremos transmitir ditados espontâneos, atuamos sobre o cérebro, sobre os arquivos do médium e preparamos os nossos materiais com os elementos que ele nos fornece e isto à sua revelia . E como se lhe tomássemos à bolsa as somas que ele aí possa ter e puséssemos as moedas que as formam na ordem que mais conveniente nos parecesse."

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Comentário de Nilson Hernandes em 25 dezembro 2013 às 17:46

Por este motivo, os nossos estudos são tão importantes.. Os espíritos se utilizam daquilo que o médium tem de conhecimento, adquirido nesta encarnação, ou em vidas anteriores, ou nos dois. Este trabalho pode ser muito penoso para eles, quando precisam se utilizar de Médiuns que não estudam e não se preparam.

Parabéns por esta postagem esclarecedora..

Comentário de Carlos Vieira da Silva em 2 setembro 2013 às 13:00

Amor,tolerância e humildade. Com os olhos espirituais e palavras sussurradas com Amor. Sente e tocam o coração. 
Graças a Deus...

Comentário de claudie lopes em 28 agosto 2013 às 17:02

"O fato da mediunidade manifestar-se consciente ou inconscientemente guarda relação com o adiantamento moral do médium?"

Resposta: "De modo nenhum. A manifestação mediúnica, de aspecto consciente ou inconsciente, nada tem a ver com o grau evolutivo do médium, mas está relacionada com aspectos fisiológicos ou psico-fisiológicos desse mesmo sensitivo.

Vale considerar que a consciência ou não durante o transe pode sofrer intermitências, isto é, períodos de consciência alternando com períodos de inconsciência, mormente (adv. Principalmente.) quando esses estados são determinados por situações psicológicas ou psico-fisiológicas.

Pode ocorrer que, de acordo com os tipos de Espíritos comunicantes ou com o interesse dos Guias dos médiuns, apenas certas manifestações sejam conscientes e outras não.

Depreendemos daí que pode haver flutuações na questão da consciência ou não do médium durante as manifestações. Só não ocorrerão alternâncias no caso em que essas características sejam determinadas pela estrutura fisiológica do sensitivo que, então, não pode ser alterada. Assim, ele será definitivamente consciente ou definitivamente inconsciente.

Por fim, é forçoso admitir que a chamada inconsciência mediúnica não traz nenhuma superioridade para o fenômeno, não sendo garantia de qualidade. O que dá ao fenômeno superioridade e garantia, num ou noutro estado consciencial, é a qualidade moral do médium, seus progressos como um todo, que fazem-no respeitado ante o Invisível, em virtude da responsabilidade, da seriedade com que encara seus compromissos."

DO LIVRO Desafios da Mediunidade, Raul Teixeira

Comentário de claudie lopes em 28 agosto 2013 às 13:55

É verdade, seria mais fácil se pudéssemos usufruir apenas da mediunidade inconsciente. Entretanto, cada tipo de mediunidade tem um propósito. Lembrando que a mediunidade nos é dada para nos melhorarmos através do seu exercício, cada pessoa vem com a mediunidade que melhor vai atender a sua programação espiritual. Além do quê, a mediunidade consciente, como bem explicado no texto, requer maior esforço do médium. Este tem que estudar; sua evolução depende de um maior empenho. As comunicações dependem muito da bagagem adquirida...o trabalho para os espíritos comunicarem uma ideia é muito facilitado quando o médium tem leitura e estudo. Alguns mentores, de acordo com o trabalho que pretendem desenvolver, indicam que o médium estude mais sobre um determinado assunto....
Enfim, cada um tem a mediunidae correspondente às suas necessidaes de trabalho e evolução....
Quanto mais o médium se esforça, busca leituras e estudos sérios, mais confiança virá a ter no exercício da sua mediunidade. Os espíritos superiores "ajudam" aos que demonstram dedicação e seriedade ao trabalho....

Comentário de sueli rodrigues em 26 agosto 2013 às 15:34

bom , muito interessante  ..

Comentário de Lindomar de O. Muniz em 26 agosto 2013 às 3:29

Vale lembrar que o mundo espiritual é traçado pela nossa consciência tangivel ao grau de elevação. Ou seja, se tivermos uma legiãos de irmãos não esclarecidos que necessitam de um ambiente mais próximo ao material, este ambiente é formado para processar a ponte ao seguinte plano, ou até mesmo a espera de um novo retorno reencarnatório se necessário. Se existem vários niveis evolutivos, claramente para cada um haverá uma verdade. A exemplo disso somos hoje divididos em religiões e crenças, respeitando cada uma delas amadurecemos que realmente conhecemos alguma coisa de evolução individual. Será sempre impossível descrever o mundo espiritual, se existem muitas moradas existirão ainda graus evolutivos uns próximos aos outros dentro destas moradas. Basta observarmos o mundo, os animais, os vegetais e até mesmo os minerais. Tudo é um percurso, lindo seria se existisse uma tabela periodica para descrever em que ponto estamos. Não tenho analogia suficiente para julgar algo, mais várias obras de meu amigo Chico, foram uma cartilha do aprendizado a leitura espiritual, como aquela chamada caminho suave caso alguem tenha conhecido, aprendemos que o B e A significa BA, CA SA, siginifica CASA, se estamos em um mundo que o mau é maioria, significa que a evolução espiritual é muito primária. Chico escreveu várias obras para atender vários graus evolutivos. Longe de ser perfeito, o dia que eu atingir 1% do que Chico fez, crieo que eliminarei umas 100 ou 200 reencarnações rsss. Belo trabalho amigo Chico esteja onde estiver.

Comentário de Eliza Maria Barbosa em 25 agosto 2013 às 12:11
Excelente texto e muito edificante. Bjs.Paz,amor e luz.
Comentário de RIME CARA JOSE em 25 agosto 2013 às 11:20

mas é dificil para o médium que é consciente trabalhar e ele acaba por disfarçar os atendimentos em conversas , tipo assim vc ja usou tal coisa ????kkkkk 

Comentário de claudie lopes em 24 agosto 2013 às 18:55

O texto acima foi retirado do Livro dos Médiuns, Cap.XIX, questão 225 (Allan Kardec).

Grande abraço a todos!

Comentário de Valdemar W. Setzer em 23 agosto 2013 às 23:45

Olá a todas/os,

Eu já escrevi várias vezes aqui que o mediunismo não é uma forma confiável de percepção do mundo espiritual. A seguinte frase do texto deste tópico confirma isso:

"Quando queremos transmitir ditados espontâneos, atuamos sobre o cérebro, sobre os arquivos do médium e preparamos os nossos materiais com os elementos que ele nos fornece e isto à sua revelia."

Se essa citação aplica-se ao tal "médium consciente", nota-se que o que ele transmite não é fruto de sua própria observação clara do mundo espiritual, que deveria ser análoga à observação consciente do mundo físico. Isso fica patente quando o estilo e o conhecimento do que é transmitido não é propriedade do receptor.

Essa eliminação da individualidade do médium é também extremamente perigosa. Seres espirituais contrários à evolução da humanidade podem transmitir algo enganador -- como foi claramente o caso do conteúdo do livro "Nosso Lar" do Chico Xavier, que descreve o mundo espiritual como se fosse o mundo físico. Essa, em minha opinião, é uma das piores, senão a pior forma de materialismo.

aaaaaaaaaaaa, VWS.

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