“A mente é mais forte do que um vento e como ninguém pode parar o vento, apenas observá-lo, senti-lo e deixá-lo fluir, assim também devemos proceder com a nossa mente durante a meditação.” (Bhagavad Gita)

MEDITAÇÃO

Já vimos que para meditar podemos observar a mente, observar os pensamentos, sem nos preocuparmos com eles, sem estabelecermos uma briga interior com eles. Vimos também que é preciso relaxar o corpo podendo para isso prestar atenção na respiração, tornando-a regular e relaxada, e a partir daí aquietar a mente, ou pelo menos diminuir o fluxo dos pensamentos.

CONCENTRAÇÃO

Já vimos também que a nossa mente inquieta muitas vezes não nos deixa focar naquilo que é o objetivo do momento. Sabemos também que para conseguir este intento a disciplina mental, exercitada constantemente é o caminho. Temos como auxiliar importante neste processo de educação da mente a nossa capacidade de imaginar. As técnicas de Imaginação Ativa são recursos valiosos que nos permitem manter o pensamento focado e realizarmos a ampliação de consciência com a necessária exteriorização, para que os objetivos do trabalho mediúnico sejam atingidos.

IMAGINAÇÃO ATIVA

A utilização de imagens é um recurso muito antigo tanto nas culturas orientais como nas ocidentais. Até 1650 era uma técnica essencial no tratamento dos males físicos. Com o avanço da ciência a imaginação foi desconsiderada sendo substituída pela razão e com isso muito se perdeu na utilização desta capacidade de cada ser.
Na Psicologia, Carl Gustav Jung utilizou as técnicas de visualização e denominou-a de IMAGINAÇÃO ATIVA, buscando liberar o fluxo do pensamento e deixando que ele se expressasse em imagens que muitas vezes eram passadas para o papel em pinturas ou desenhos. Visualizar ou imaginar é produzir imagens mentais.
Pesquisas realizadas demonstram que a mente não distingue entre uma imagem real e aquela que é imaginada. Assim se pensamos de forma positiva nosso cérebro mandará ordens para o organismo de relaxamento, calma, confiança. O contrário também é verdadeiro. Nós construímos redes neuronais que orientam padrões de pensamento. Da forma como pensamos o sistema neurológico reagirá, seja a imagem mental de algo real ou imaginário.
Na imaginação ativa podemos personificar um sentimento, uma virtude, uma sensação, dando a eles uma figura qualquer que nossa imaginação queira criar. Assim podemos imaginar um lugar, um objeto, uma força da natureza para representar a serenidade Se criarmos com todos os detalhes possíveis o que imaginamos ser a serenidade, teremos como conseqüência em nós a sensação de serenidade, pois nosso cérebro reagirá como se estivéssemos num lugar sereno ou como se tivéssemos entre as mãos o objeto imaginado, ou ainda sentir a força da natureza que foi projetada na imaginação. Ela será mais efetiva quanto mais tratarmos os seus conteúdos como seres ou coisas reais.
Não podemos nos esquecer que as imagens criadas partem das motivações mais profundas dos diferentes níveis do nosso ser. As percepções se ampliam e podemos dizer que há um estímulo para que uma ordem mental superior se instale.

IMAGINAÇÃO ATIVA NÃO É SONO

Na imaginação ativa há um estado parecido com o sono, mas estamos conscientes, com a mente alerta, mas em estado de tranqüilidade. Vamos para um espaço interior e entramos em contato com os potenciais de nossa alma.
Ao colocarmos nossa atenção no nosso mundo interno estamos nos programando para as modificações que, com certeza, vão nos aproximar, a curto ou a longo prazo dos objetivos que desejamos alcançar. Assim é que podemos lançar mão deste recurso para mantermos um estado interior adequado aos objetivos do trabalho.
André Luiz (Domínios da Mediunidade cap.12) nos afirma: “Toda percepção é mental”. Analisando os médiuns em uma reunião ele completa: “Basta a indiferença mental para que [o médium] nada ouça.”

FLUIDOS ESPIRITUAIS

No século XIX, época de Kardec, o termo fluido era utilizado pela ciência para designar os materiais capazes de penetrar pelos vazios da matéria e se escoar. Assim eram considerados fluidos: a eletricidade, a luz, o calor, além dos gases e líquidos em geral (ar, água etc.)
Kardec utilizou-se do termo fluido, adjetivando-o algumas vezes, por exemplo, quando se refere ao fluido magnético, utilizado pelos magnetizadores ou fluido elétrico quando há a interferência da eletricidade. Hoje a Física designa apenas as substâncias líquidas ou gasosas como fluidos.

“Não é rigorosamente exata a qualificação de fluidos espirituais, pois que, em definitiva, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada. De realmente espiritual só a alma ou princípio inteligente. Dá-se-lhes esta denominação por comparação apenas e, sobretudo em razão da afinidade que eles guardam com os Espíritos. Pode dizer-se que são matéria do mundo espiritual, razão por que são chamados de fluidos espirituais.” (Kardec - Gênese. Cap.XIV.5)
Costuma-se, portanto, agrupar sob a expressão Fluidos espirituais os componentes do mundo espiritual e as energias emitidas pelos espíritos encarnados ou desencarnados

IDENTIFICAÇÃO DOS FLUIDOS ESPIRITUAIS

“O pensamento que nos é exclusivo flui constantemente do nosso campo cerebral”... e podemos diferenciar o pensamento que nos é próprio daquele que nos é sugerido “desde que saibamos manejar a atenção para percebermos que o nosso pensamento vibra em certo grau de frequência a concretizar-se em uma maneira peculiar de expressão (...). Basta no entanto nos afeiçoarmos aos exercícios de meditação, ao estudo edificante e ao hábito de discernir para compreender onde nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar” (André Luiz - Nos domínios da mediunidade, cap. 5)
Como identificamos alguma coisa?
Antes de tudo é preciso ter um referencial para poder fazer uma identificação. Como posso identificar se o que eu vejo é um elefante ou uma girafa se eu não tiver um referencial do que são estes animais. Na identificação de fluídos qual é o nosso referencial? Como sabemos se um tipo de energia nos faz bem ou nos traz uma sensação desagradável?
Nosso referencial são as nossas próprias sensações, as emoções a que estamos acostumados a alimentar, o padrão de nossos pensamentos.
Perguntamos então: Como identificar os fluídos que nos envolvem em um trabalho mediúnico?
Podemos responder: Conhecendo primeiramente a nós mesmos.
Mas como fazer este autoconhecimento?
De uma forma geral nós sabemos qual é o nosso padrão habitual tanto em termos de sensações, como de sentimentos e de pensamentos, mas quando após um relaxamento nossa consciência se amplia, coisas diferentes passam pela nossa cabeça e começamos a nos perguntar: “Isso é meu?”
Daí a necessidade do autoconhecimento para que esta identificação possa se fazer de uma forma mais fácil.
Isto quer dizer atenção a si mesmo nos vários momentos da vida. Reconhecimento das virtudes já conquistadas e das dificuldades pessoais a serem vencidas sem medo e sem orgulho.
Muitas vezes reconhecemos nos outros aquelas que são as nossas próprias dificuldades, por isso dizemos “RE”conhecemos, porque nós identificamos nos outros aquilo que de alguma forma também já percebemos em nós mesmos, em algum momento.
Como sabemos, estamos envolvidos por todos os padrões de energia e caberá a nós o estabelecimento com qual energia queremos sintonizar. No nosso dia-a-dia isto pode estar no nosso controle, mas quando adentramos ao campo mediúnico este “controle” está nas mãos dos orientadores do trabalho mediúnico que nos ajudarão a estabelecer a ponte entre o espírito que deverá ser atendido e o médium.
Assim quando começamos a entrar em contato com energias que naquele momento estão muito diferentes da que nós estamos sentindo podemos SABER que estamos entrando em conexão com energias que não são nossas.

O que fazer?
Neste momento podemos então aumentar a nossa capacidade de percepção tentando adentrar naquele mundo de emoções e pensamentos que surgem. A confiança no grupo, em si mesmo e na cobertura espiritual são fatores fundamentais para o sucesso da conexão com o espírito que se comunica e seu posterior atendimento.

André Luiz adverte: “A dúvida congela”.
Se isto é uma verdade na vida pessoal e material, pois quando duvidamos não conseguimos tomar decisões; na mediunidade, um campo tão sutil e de nuances tão variadas, a dúvida impede que a conexão se estabeleça.
No capítulo 12 do livro Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz analisando três médiuns demonstra claramente como a receptividade por parte do médium pode determinar a qualidade do processo mediúnico. Uma das médiuns “Eugênia registra as palavras do orientador espiritual com precisão, Celina intuitivamente e Castro não as recolhe nem de leve” isto porque a mente de Castro estava presa em objetivos pessoais e a mente da outras médiuns não.

É ainda André Luiz que nos alerta nos informando que a “corrente de partículas mentais se exterioriza de cada Espírito com qualidade e indução mental, será tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objetivos que demande”.
Mais uma vez vemos a necessidade do treino da concentração através da meditação e da persistência dos objetivos do trabalho (manutenção vibratória) como forças fundamentais no processo mediúnico. Se há alguma resistência há também uma dissipação de energia mental que deveria estar na base para sustentar a ligação com o Espírito comunicante.

Se um equilíbrio se estabelece entre o médium e o espírito, surgindo após alguma alteração o médium poderá recorrer às suas forças pessoais para restabelecer a comunicação nos níveis desejáveis impedindo a variação.

Uma vez estabelecida a conexão desejável há um armazenamento de recursos espirituais na ligação entre o médium e o espírito – sintonia psíquica. O médium então expressará de acordo com sua capacidade mental e interpretativa as idéias e sensações que lhe são sugeridas.
Podemos dizer que um trabalho mediúnico começa muito antes do que o próprio momento da reunião, seja com a preparação constante do médium, a observação sobre si mesmo, suas reações, suas aspirações, sua educação mental; seja com a preparação que os espíritos orientadores efetivam. Ele se desenvolve adequadamente quando todos os participantes imbuídos de suas responsabilidades mantêm-se atentos aos objetivos propostos, evitando dispersar o pensamento, e atinge seus objetivos quando trouxe experiência positiva para todos os que participaram, tanto para os encarnados como desencarnados.

Sugestões bibliográficas

AMEM, DANIEL. Transforme seu cérebro, transforme sua vida. Sextante 2.ed. 2002.

DENIS, LEON. No invisível. FEB. 8.ed. 1977.

GUIMARÃES, HERNANI. Espírito, Perispírito e Alma. Ed. Pensamento 1.ed. 1984.

KARDEC, ALLAN. A Gênese. FEB- 19ed. 1977.

MAEDA. Meditação como terapia. Masdra Editora Ltda. 1ed. 2001.

OSHO. Aprendendo a silenciar a mente. Sextante. 2.ed. 2002.

GERBER, RICHARD. Medicina Vibracional. Cultrix. 12ed. 1999.

SADU,MOUNI. Concentração. Editora Pensamento. 9ed. 1993.

XAVIER, FRANCISCO C. Mecanismos da mediunidade. André Luiz. FEB. 4.ed. 1973.

XAVIER, FRANCISCO C. Nos domínios da mediunidade. André Luiz. FEB.7.ed. 1972.


Fonte:Centro Espírita Luz Eterna

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