Humildade Genuína

por B.R.Sridhar Goswami Maharaj

 

 

 

A humildade deve ser ajustada ou modificada na aplicação prática. certa vez, quando um templo Hare Krsna foi atacado, os devotos usaram uma arma para defender o templo. Mais tarde, houve reclamações das pessoas da região. Eles diziam: “Oh, eles são humildes ? Eles são tolerantes ? Por que nào seguiram o conselho de Sri Chaitanya Mahaprabhu para serem mais humildes do que uma folha de grama e mais tolerantes do que uma árvore ? Eles não podem ser devotos!” Chegavam muitas reclamações até mim, mas os defendi dizendo: “Não, eles agiram corretamente. A instrução para ser mais humilde que a folha de grama quer dizer que deve-se ser humilde com um devoto, não com um louco.”

As pessoa comuns são ignorantes; são loucas. Não sabem o que é bom ou mal, portanto, suas considerações não têm valor. Quem é qualificado para julgar se um devoto está respeitando a todos sem esperar respeito para si próprio ? Quem vai julgar se ele á realmente humilde e tolerante ? Loucos ? Pessoas ignorantes ? Será que eles têm algum bom senso para julgar quem é humilde, quem é tolerante, e quem é respeitoso com os outros ? Deve haver um padrão para julgar a humildade. Interessa-nos o critério de pensadores elevados, e não a consideração das massas ignorantes.

 

Padrão de Humildade

 

Claro que qualquer um pode enganar o povo com humildade superficial. Só que “show” de humildade não é humildade verdadeira, que tem de provir do coração, e ter um propósito real. Tudo — humildade, tolerância e modéstia — deve ser considerado através do julgamento de uma pessoa padrão, normal, e não pelos ignorantes que são como elefantes, tigres, e chacais. Deveriam poder julgar o que é humildade, audácia e impertinência ? Claro que não. Deveria um devoto pensar: “A Deidade no templo está para ser perturbada, mas devo ficar quieto e não fazer nada. Devo ser humilde e tolerante. Está entrando um cachorro no templo; preciso respeita-lo ?” Não. Isso não é verdadeira humildade.

Precisamos de uma concepção normal da realidade. Não podemos permitir a continuação dessas anomalias em nome de respeito aos outros. Não devemos pensar que podemos permitir que alguém prejudique os devotos ou perturbe o templo, e, desse modo, seremos humildes e tolerantes e estaremos respeitando os outros. Não nos interessa apenas o significado físico das escrituras, mas o significado real.

Ser humilde significa que sou escravo do escravo de um Vaishnava. Devemos prosseguir com essa consciência. Se alguém vem perturbar meu mestre, devo me sacrificar primeiro, pensando: “Meu sacrifício não terá nenhuma perda, pois sou da menor importância; devo me sacrificar para manter a dignidade do meu guru, dos devotos e do Meu Senhor e de Seus associados.”

Devemos sempre compreender o que é que deve ser honrado. Nós respeitamos a Verdade Suprema, o Senhor dos Senhores; nossas atitudes devem acontecer em harmonia com isso. Se mantivermos constantemente o conceito supremo de relatividade dentro de nós, veremos que somos os mais baixos. Devemos nos sacrificar, se nossos guardiões estiverem em perigo. Tudo isso deve ser levado em consideração quando se tenta entender o significado de humildade, não é imitação física — mas humildade genuína; é uma questão de realização prática. Fama e honra devem ser destinadas ao Senhor e Seus devotos, a mais ninguém.

 

 

 

 

 

Divina Graça Sri Srimad Bhakti Rakshak Sridhar-dev Goswami Maharaj

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Comentário de alberto farias de queiroz em 8 junho 2011 às 23:28
Gostei do tema e parabenizo a todos, pois o desenvolvimento resultante foi excelente.Parabéns Mestres.
Comentário de Marta Valéria em 8 junho 2011 às 21:08

Olá amigos,

Trago uma frase que eu ouvi a minha vida inteira :

 "O Escândalo é necessário, mas, ai daquele que o faça."

Quer coisa mais repressora que isso ? rsrsrsrsr ...!!!!!   Mas aí está a lei de causa e efeito. Ela é justa e nos dá  a liberdade para realizar, sabendo pois, que todas as nossas ações estão firmadas em nossas responsabilidades.

Colocar um cachorro para fora do templo e/ ou vendilhões é saber agir nas responsabilidades. Não é "o quê" ou "quem", mas é o  "como agir". Saber agir é saber se movimentar na energia da justiça sem ser "justiceiro". É o princípio de Ahimsa. Poucos de nós sabemos fazer isso, porque não sabemos na realidade o que é justiça e nem o que é ser bom. Confundimos justiça com vingança e bondade com princípios moralistas da religião. Penso que a justiça está nas leis de harmonia do universo e a bondade está na ética dessa harmonização.

 

Esse tema dá margem para muitas reflexões...

 

Fico por aqui.

Grandes beijos em todos!!!!!!!

 

 

Comentário de Inacio Queiroz em 8 junho 2011 às 18:44

E pensar que ele usou a Ahimsa para libertar toda Índia do colonialismo britânico.

Churchil falou sobre ele: "Um dia, as gerações não acreditarão que um homem assim existiu".

Namastê, Bapu!

Comentário de Inacio Queiroz em 8 junho 2011 às 18:42

Obrigado, Marcela.

Acho que no exemplo dos monges, cabe aqui também um exemplo de Gandhi.

Já ouviu falar de Ahimsa?

De: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ainsa

Ahimsa (em sânscrito, अहीमर ahimsâ) é um princípio ético-religioso adotado principalmente pelo jainismo e presente no hinduísmo e no budismo, e que consiste na rejeição constante da violência e no respeito absoluto de toda forma de vida. No ocidente a sua notoriedade deve-se à prática da ainsa na conduta coerente de Mahatma Gandhi (1869-1948).

Mahatma Gandhi fez do Ahimsa o báculo de sua doutrina política. Gandhi definiu a manifestação do Ahimsa assim: "A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais ativa contra o mal que a Lei do Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará de seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o fato de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... "

Comentário de Marcela Klayn em 8 junho 2011 às 17:35

Sensacional Inácio!

 

Coloquei aqui esta mensagem justamente para refletir a respeito. E as palavras de Emmanuel são a diretriz! Maravilhoso!

 

Um forte abraço!

Comentário de Inacio Queiroz em 8 junho 2011 às 16:03

Muito legal levantar esta discussão.

No nosso grupo, essa semana, estamos falando sobre respeito.

Surgiu o questionamento: até que ponto é desrespeitar-me quando eu me obrigo a seguir a postura recomendada pelo Evangelho, mesmo eu sentindo que estou me violentando?

Isso foi fonte de muita meditação para mim.

Daí eu tirei a seguinte conclusão: respeito não é sempre "apanhar" ou silenciar. É antes silenciar quando não houver caminho para mudança e educar quando for possível a educação.

Exemplo: Jesus.

Quando Pedro, no Jardim das Oliveiras, no ato da traição de Judas, puxou a espada e tentou liberta-lo, ele disse "Pedro, guarda a espada. Quem vive pela espada, morre pela espada". Ele não resistiu a prisão.

Mas ao analisar a questão dos Fariseus e do vendilhões do Templo, notamos que Jesus foi complacente com todo mundo do Evangelho (prostitutas, adulteros, coletores, ricos, doentes, etc.), mas foi muito duro tanto com os Fariseus quanto com os vendilhões. Estes, Jesus fez questão de levantar a voz e educar.

 

Um outro ponto que aprendemos: há uma evolução entre tolerância - respeito - amor. Certas pessoas a gente apenas tolera. Não dá a mínima consideração pro que ela pensa, mas respira fundo e aceita a presença dela. Outras pessoas, a gente não só tolera, mas respeita. Essa possui um conteúdo que a gente considera, a gente ouve as opiniões dela, mas ainda não ama a pessoa. Isso ocorre entre Generais em campos opostos, entre competidores de alto nível. Por fim, chegamos no amor à pessoa.

Mas nessa gradação, o amor está presente o tempo todo. Na tolerância, a gente tolera porque ama a idéia de que toda pessoa (humana, do grupo social e/ou da família) é importante. Toleramos apenas por amor a esta idéia.

No respeito, amamos o conteúdo ou habilidade daquela pessoa, sabemos que ela nos vencerá ou nos ensinará algo a qualquer momento. Mas não amamos a pessoa.

Amor é amor.

 

Por fim (ufa!), Emmanuel nos diz que a verdadeira humildade não está na roupa simples, na cabeça baixa, na morada simples ou na pobreza de expressões. Humildade é quando temos toda o direito do mundo para reclamar, temos toda razão para reagir, temos todo o motivo para exigir; e ainda assim silenciamos.

Valeu.

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