• “Não poderíamos deixar de aventar as possibilidades da existência de um campo energético apropriado, entre o perispírito e o corpo físico, o duplo-etérico”. Forças Sexuais da Alma. Jorge Andrea dos Santos.
 
  • O duplo-etérico é, pois, um corpo fluídico, que se apresenta como uma duplicata energética do indivíduo, interpenetrando seu corpo físico, ao mesmo tempo em que parece dele emergir. O Passe Espírita. Luiz Carlos de Melo Gurgel.

 

  • “No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura”. Evolução em Dois Mundos. Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz.

 

  • “A princípio seu perispírito ou “corpo Astral” estava revestido com os eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, conhecidos aqueles, em seu conjunto, como sendo o “duploetérico”, formado por emanações neuro-psíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal, por ocasião da morte renovadora”. Nos Domínios da Mediunidade. Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz.

 

   Como já exposto em outro tópico, os “corpos” utilizados nesta condição evolutiva pelo princípio inteligente são: físico, material ou biológico; duplo etérico ou corpo vital; períspirito ou corpo astral; e corpo mental, invólucro último e mais sutil do espírito puro.
   Quanto ao corpo biológico, físico, de carne, nos parece que quase ninguém questiona sua existência, a não serem aqueles que questionam o existir em si. Os espíritas e praticamente todos os espiritualistas, ou seja, todo aquele que acredita na continuação da vida além da morte física, acredita em uma forma de manifestação, quer dizer, um vaso corporal que o ser passa a usar a partir de então. O espiritismo convencionou chamar esse organismo corporal que usamos do outro lado da vida de “períspirito”.
   Temos assim que, ao ingressar na vida física, pelo nascimento, o ser incorpora-se ao corpo biológico, passando a expressar-se através dele. Mas como se dá essa acoplagem? Tratamos bastante desse assunto no primeiro tópico publicado neste blog, intitulado “Retorno”. Vamos agora discorrer mais sobre o meio de ligação entre o perispírito e o corpo físico, ou seja, o Duplo Etérico.
   Alguns sinônimos referentes ao Duplo Etérico que podem ser encontrados na literatura universal são: Aerossoma, Armadura Energética, Casca Luminosa, Contracorpo, Cópia Vital Humana, Corpo Aitérico, Corpo Bardo, Corpo Biocósmico, Corpo Bioplásmico, Corpo de Vitalidade, Corpo Efêmero, Corpo Energético, Corpo Lepto-hílico, Corpo Leptomérico, Corpo Ódico, Corpo Etérico, Corpo Diáfano, Corpo Vital, Corpo Prânico, Corpo Unificador, Djan Kosha, Duplo Etéreo, Ponte Corpo Humano, Pranamaya-kosha, Primeiro Corpo de Energia, Reboque Energético, Reflexo do Corpo Físico, Umbra, Veículo da Vitalidade, Veículo do Prana, Veículo Semifísico, Véu do Corpo Humano, Véu Etérico, etc.
   Muito conhecido e com ampla literatura nas filosofias e religiões orientais, bem como também no ocultismo e na própria teosofia, o termo “duplo etérico” é, porém, tratado nestes casos de modo ligeiramente diverso daquele enfocado pelo Espiritismo. Ficaremos aqui com o entendimento dado atualmente pela filosofia iniciada por Kardec, por entendermos mais científica e mais apropriada à racionalidade do conhecimento humano atual. Adotamos neste caso, como sempre o fazemos, o pensamento espírita.
   O duplo etérico é um conjunto de eflúvios vitais energéticos, controlado pelo ser via automatismo (como o fluxo sanguíneo, a respiração, a renovação celular, etc), através de sua força psíquica, emanado biologicamente pelo organismo através da estrutura nervosa do corpo, portando de natureza biológica e física, que tem como principal função assegurar o equilíbrio entre a alma (espírito + corpo mental + períspirito) e o corpo terrestre. É originado e “acoplado” antes de cada encarnação, nos primeiros momentos da fecundação e gestação, nascendo e se desenvolvendo com o corpo físico como parte integrante deste. Planejado especificamente para cada vida terrestre, de acordo com as necessidades de aprendizado, inicia e encerra sua “existência” conjuntamente com o corpo biológico material. Poderíamos, grosseiramente falando, chama-lo de uma “segunda pele”, mas de natureza energética.
   Funcionando no limiar entre o plano físico e o espiritual mais próximo da crosta terrestre, esse “elo” de ligação é um intermediário, um liame, uma ferramenta de comando, um painel de controle, poderíamos assim dizer, que permite ao espírito exercer sua ação sobre o corpo e para o corpo transmitir ao espírito todas as impressões que capta pelos sentidos físicos, o que possibilita ao espírito a soma de experiências, formação dos arquivos de conhecimento e construção da personalidade. Também faz o trabalho de filtragem de energias que ininterruptamente são transmitidas entre os dois lados da vida (períspirito-corpo físico). Nas operações envolvendo a mediunidade, esse corpo vital tem papel fundamental, visto que é responsável pela elaboração e projeção de ectoplasma, imprescindível para a materialização de espíritos e complicados processos de cura e regeneração de entidades sofredoras. Por isso que, para tratamento eficiente de determinados espíritos necessitados, que são recolhidos no umbral ou mesmo nos abismos, precisam estes ser levados até centros espíritas, onde existam médiuns com esta capacidade, para o trabalho de recuperação ser efetivado, visto que os espíritos não possuem duplo etérico e, portanto, não produzem ectoplasma no teor vibratório (tão denso) necessário para estas operações de socorro específicas.
   Como faz também o papel de “isolante” entre um plano e outro, é o duplo etérico que impede ou, melhor, previne, as impressões do ser encarnado sobre o outro plano, quer dizer, não permite uma comunicação mais constante entre os dois planos, limitando ao ser encarnado perceber plenamente a movimentação e atuação mais rotineira dos espíritos desencarnados. Isto é fundamental para o equilíbrio da vida material. Imagine se todas as pessoas ficassem o tempo todo vendo aparições terríveis, seus perseguidores implacáveis por crimes em outras encarnações, parentes e amigos do passado desesperados em busca de socorro, formas grotescas, animalescas, bizarras e monstruosas? Esses seres, períspiritos reais ou formas pensamento produzidas mentalmente por espíritos menos esclarecidos que estagiam no umbral ou nos abismos comprometeriam de forma definitiva os propósitos da encarnação na matéria como oportunidade de recomeço. Por isso também que mediunidade é, dentre outras coisas, a capacidade ou faculdade de alterar a vibração do duplo etérico, de forma a minimizar essa filtragem, ou mesmo afastá-la, permitindo a comunicação dos sentidos do ser entre os dois planos de vida que nos são afetos neste momento evolutivo em que nos encontramos.
   O uso de substâncias tóxicas, drogas de todo tipo, legais ou ilegais, afetam diretamente o duplo etérico, podendo criar verdadeiras brechas em seu tecido vital. Quanto mais violenta a droga, maior o estrago no duplo. Assim, comprometida a proteção entre os dois planos, comum se torna que pessoas sob o efeito prolongado e intensivo de drogas comecem a ver e sentir a ação de seres espirituais de péssima condição e de formas pensamento monstruosas, que comumente relatam após o “transe” causado pelas drogas pesadas. Essa deterioração do duplo etérico obviamente se “prolonga” até o períspirito, que em última análise é molde para o corpo físico e o duplo. Assim, a função do períspirito responsável pela estruturação do duplo fica comprometida, o que pode prejudicar não só a recomposição ou “cura” do duplo, como também sua constituição e saúde em encarnações futuras. Lembremos que o “projeto” do duplo para cada encarnação é suscetível à influência de técnicos espirituais e como resultado de intervenções da alta espiritualidade, com uso de tecnologia insondável para nós encarnados, mas em última instância é propriedade do espírito, atrelada diretamente à Lei de Causa e Efeito.
   O duplo etérico é propriedade do ser encarnado, mais denso que o períspirito e mais sutil que o físico, nasce e morre com o corpo, não possuindo “independência” própria. Esse corpo energético tem papel fundamental na formação dos arquivos mentais do espírito, que são de fato o resultado de suas experiências. Por fazer o “elo de ligação” entre o cérebro físico (que capta as impressões da vida material) e o cérebro perispiritual (onde está a mente do espírito propriamente dita), o duplo etérico faz a filtragem, transferência e processamento de todas as informações.
   Difundido na literatura espírita também como “corpo vital”, funciona como a fonte energética do corpo, como se fora a bateria, a fonte de força do organismo. Essa energia existe como diversos tipos de fluidos vitais que determinam, entre outras coisas, o “prazo de validade” da encarnação, o padrão de saúde daquele organismo, determinadas doenças que virá a ter, etc. Sistemas de observação já foram desenvolvidos que permitem fotografar a chamada “aura”, que é a parte do duplo etérico que fica além do corpo, em razão daquele ser ligeiramente maior do que este. Dependendo de muitas variantes, como a condição evolutiva do espírito, a vitalidade do duplo etérico, a assepsia do períspirito, a alimentação e vida saudável geral do corpo físico, dentre outras, essa “aura” varia de dimensão e brilho, bem como de cores. Normalmente fica entre 4 e 6 cm além da pele. Quanto à coloração, quanto mais brilhante e viçosa, mais saudável; quanto mais escura e opaca, menos saudável a condição daquele ser naquele momento. Como processa constantemente uma imensa troca de fluidos com o ambiente e depende muito do equilíbrio emocional do ser como um todo, o duplo etérico pode variar muito de um período para outro no tempo.
   Não é privilégio dos seres humanos possuir duplo etérico. Todos os seres o têm, não só os animais como também os vegetais e até os minerais, embora sejam muito diferentes entre si, mas a natureza é a mesma, é atômica, nuclear.
   O corpo biológico possui plexos nervosos, a cada qual corresponde um chacra (temporário) no duplo etérico, que faz a ligação com os chacras permanentes do períspirito. E através desta “rede”, perfeitamente ligada entre os três corpos humanos aqui tratados, é que tramita todo o fluxo vital necessário à vida do homem encarnado, em todos os sentidos.
   Diferentemente do períspirito e do próprio físico, o duplo etérico não possui órgãos propriamente ditos, como os conhecemos, mas sim “regiões” de vitalidade referentes aos chacras. Estas captam a energia cósmica (ou fluido vital) e a distribuem, conforme necessidade, estabelecendo a vibração específica, para o períspirito e o corpo material.
   Formado por matéria muito sutil (fluidos, energias, etc), mas ainda assim matéria, o duplo etérico tem peso que pode ser medido por qualquer balança material, sensível e precisa. Por isso que, após a morte física, constatou-se que o cadáver perde algo entre 50 e 80 gramas em relação ao organismo enquanto vivo. Normalmente quando o períspirito sai do corpo físico, seja em sono ou outros desdobramentos, deixa o duplo etérico com o organismo biológico, mas também há casos excepcionais em que isto não ocorre. O normal é o duplo permanecer atrelado ao físico durante toda a encarnação, mas há espíritos encarnados que conseguem manifestar-se temporariamente além do corpo com a apresentação do duplo etérico. Esses casos podem resultar em aparições fantasmagóricas. Circunstâncias como a anestesia geral, a hipnose profunda, estados catalépticos, epilepsia ou acidentes muito graves seguidos de coma podem afastar temporariamente o duplo do corpo físico.
   O duplo etérico também funciona como uma armadura, uma espécie de “escafandro” ao espírito mergulhado na matéria. Este verdadeiro “campo de força” protege o homem encarnado nos dois lados da vida, servindo de escudo amortecedor de forças deletérias tanto ao períspirito como ao corpo biológico. Do lado material, conforme sua força e saúde momentâneas, protege contra a investida de bactérias, vírus e outros micro-organismos que, de outra forma, muito mais intensa e rapidamente destruiriam a saúde humana. Do lado espiritual, protege contra todo tipo de ataque de vibriões e larvas astralinas, bem como impede o contato com espíritos menos esclarecidos que queiram prejudicar aquele ser. Assim como desse lado exclusivamente material, o homem, ao longo da evolução no planeta, desenvolveu o maior órgão de seu corpo físico, chamado pele, justamente para ser uma proteção, um filtro e uma interface, também desenvolveu, para atuar nos dois lados da vida o duplo etérico, como um organismo de proteção e interface muito mais eficiente.
   Como todos os “corpos” que servem de manifestação ao ser estão diretamente subordinados ao espírito, o duplo etérico não foge a essa regra. Quando o espírito se deixa abater ou entra em baixa vibração por qualquer circunstância esse corpo vital imediatamente é atingido em sua capacidade e então o ser como um todo reduz sua capacidade de defesa, sua imunidade fica abalada e ele fica sujeito a muitos ataques exógenos. Por isso que quando o ser está emocionalmente desequilibrado sofre infecções virais e bacterianas com muito mais facilidade.
   Esse corpo vital também serve como um resistor, agindo sobre as formas pensamento do próprio indivíduo, que poderiam auto destruir os sistemas linfático, endócrino e sanguíneo do corpo físico, ocasionando o desencarne do vivente. Por isso pensamentos de raiva, desespero, ódio, vingança, todo tipo de ação mental violenta enfim, são obstaculizados pelo duplo etérico, que filtra os elementos nocivos produzidos pela mente, impedindo-os de impactar diretamente no físico. Embora não tenha consciência própria, o duplo etérico desenvolveu uma espécie de instinto por automação, que lhe permite reagir na transferência de emoções entre o períspirito e o corpo, aumentando ou diminuindo sua vibração energética, dessa forma facilitando ou dificultando a “transferência de dados” entre estes corpos nos casos onde o espírito, em desequilíbrio, a partir do períspirito, transmite toxinas altamente destrutivas ao corpo físico. Quando o duplo etérico não consegue isolar a contento o corpo físico do períspirito nestes momentos cruciais, o chacra cardíaco é o principal receptor desses dardos psíquicos venenosos, pelo que temos, como resultado relativamente comum, os ataques cardíacos (enfartos) em razão de altíssimos ataques de desequilíbrio emocional do espírito.
   Com toda essa ação de resistência aos pensamentos negativos, evitando que estes atuem desestruturando o corpo biológico, o duplo etérico vai servindo de “acumulador” progressivo dessas forças destrutivas que o próprio espírito gera contra si mesmo. Ao atingir determinados níveis considerados insustentáveis para o equilíbrio do próprio duplo, ele acaba então permitindo uma espécie de “vazamento de contenção”, ocorrendo então o espraiamento dessas forças danosas pelas células biológicas, que são também seres em evolução, embora num nível muito inferior ao espírito humano, a serviço deste. Comprometendo assim a harmonia da organização celular, esse fenômeno é o causador de doenças degenerativas, principalmente o câncer, e de comprometimentos definitivos do sistema imunológico, como a AIDS, dentre outras patologias similares.
   Ocorrendo o desencarne do ser, socorristas espirituais habilitados para isto efetuam o processo de desencarnação. O tempo entre a morte física e o desprendimento total do períspirito depende basicamente do estagio evolutivo do espírito, ou seja, da frequência vibratória, resultante da evolução moral do ser. Este desenlace pode durar poucos minutos ou semanas. Primeiro é desligada a estrutura biológica do duplo, para em seguida desvincular-se este do períspirito. Em condições normais é um processo suave, sem traumas, onde normalmente o espírito encontra-se anestesiado, inconsciente. Independentemente da “saída” rápida ou não do períspirito, o duplo leva algo em torno de um a dois meses após a morte física para total desintegração, dependendo obviamente de cada duplo e do tipo de desencarne.
   As pessoas que se prendem excessivamente à vida material, aos seus bens e prazeres físicos têm muita dificuldade de terem seu períspirito libertado do duplo, o que lhes causa uma longa, grave e penosa perturbação, justamente pela manutenção desta ligação. Isto também pode ocorrer com mortes violentas e enfartos.
   O ser não pode “entrar” no mundo espiritual com o duplo etérico, visto que este não pertence àquele mundo, permanecendo então preso entre dois mundos, enquanto perdurar esta ligação. Não pode mais usufruir do vaso biológico, destruído pela morte material, mas também não pode usufruir da vida espiritual, pois seu períspirito está acorrentado ao duplo. Fica então como se entre as duas dimensões, sofrendo horrores terríveis.
   Principalmente nos casos de suicídio, mas também em casos de morte por viciação (drogas, fumo, alcoolismo, etc.), ou mesmo em graves acidentes, pode o duplo etérico manter-se “vivo”, ligado ao corpo, por estar ainda muito saturado de energias e fluidos vitais. Uma alimentação muito “pesada”, principalmente os viciados em carnes de mamíferos, também a concentração de energias vitais pesadas no corpo dificultam essa liberação do períspirito. Como nestes casos a “ligação” se mantém, fica o períspirito (e o espírito em consequência) preso ao corpo, literalmente sentindo todo o processo de deterioração do corpo, com os vermes a mordê-lo, o processo de putrefação, o mau cheiro, a prisão terrível de estar vivo e consciente, mas não conseguir se mover ou gritar, etc.
   Por isso tudo é importante buscarmos uma vida saudável, sem vícios como o tabagismo, o álcool em excesso, drogas de qualquer tipo e também excesso de carnes, sobretudo as vermelhas. Sexo é permitido, claro, mas a excessiva promiscuidade e o uso dele para ferir, agredir e explorar o próximo, também são venenos nocivos. É imprescindível ainda uma vibração espiritual de nível superior, comprometida com o bem, com o perdão, humildade, mansidão e auxílio ao próximo, sempre que a oportunidade se apresentar. Também uma rigorosa vigilância sobre nossos pensamentos, pois a mente é a força mais poderosa deste universo, criativa ou destrutiva, conforme a direção que lhe dermos.
   Paz e Luz!

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