Nenhuma descrição de foto disponível.Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido,
diz Jesus a seus discípulos.
Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar
daquilo por que nada pagou.
Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade
de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio,
nem de especulação, nem meio de vida.
Disse em seguida a seus discípulos, diante do povo que o escutava:
- Precatai-vos dos escribas que se exibem a passar com longas túnicas, que gostam de ser saudados nas praças públicas e de ocupar os 1ºs assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos festins - que, a pretexto de extensas preces, devoram as casas das viúvas.
Essas pessoas receberão condenação mais rigorosa.
Disse também Jesus:
- Não façais que vos paguem as vossas preces; não façais como os escribas que, a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas, isto é, abocanham as fortunas.
A prece é ato de caridade, é um arroubo do coração.
Cobrar alguém que se dirija a Deus por outrem é transformar-se
em intermediário assalariado.
A prece, então, fica sendo uma fórmula, cujo comprimento se proporciona à soma que custe.
Ora, uma de duas: Deus ou mede ou não mede as suas graças
pelo número das palavras.
Se estas forem necessárias em grande número, por que dizê-las poucas, ou quase nenhumas, por aquele que não pode pagar?
É falta de caridade.
Se uma só basta, é inutil dizê-las em excesso.
Por que então cobrá-las? É prevaricação.
Deus não vende os benefícios que concede.
Como, pois, um que não é, sequer, o distribuidor deles,
que não pode garantir a sua obtenção, cobraria um pedido
que talvez nenhum resultado produza?
Não é possível que Deus subordine um ato de clemência,
de bondade ou de justiça, que da sua misericórdia se solicite,
a uma soma em dinheiro.
Do contrário, se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a clemência de Deus ficariam em suspenso.
A razão, o bom senso e a lógica dizem ser impossível que Deus,
a perfeição absoluta, delegue a criaturas imperfeitas o direito de
estabelecer preço para a sua justiça.
A justiça de Deus é como o sol: existe para todos, para o pobre como para o rico. Pois que se considera imoral traficar com as graças de um soberano da Terra, poder-se-á ter por lícito o
comércio com as do soberano do Universo?
Ainda outro inconveniente apresentam as preces pagas: é que aquele que as compra se julga, as mais das vezes, dispensado de orar ele próprio, porquanto se considera quite, desde que deu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos se sentem tocados pelo fervor
de quem por eles se interessa.
Qual pode ser o fervor daquele que comete a terceiros o encargo
de por ele orar, mediante paga?
Qual o fervor desse terceiro, quando delega o seu mandato
a outro, este a outro e, assim, por diante?
Não será isso reduzir a eficácia da prece ao valor
de uma moeda em curso?

Allan Kardec

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