DEZ COISAS QUE AS PESSOAS DEVERIAM ENTENDER SOBRE SUICÍDIO

Golden Gate, em San Francisco, endereço mais procurado por suicidas nos EUA

Luan Côrtes, baiano, tradutor amador, e estudante de medicina, descobriu este ótimo texto de Jennifer Michael Hecht para a Vox sobre suicídio, e decidiu traduzi-lo pra cá. Muito obrigada, Luan!
 
Como a maioria das pessoas seculares e muitas pessoas religiosas, eu acreditei, por grande parte da minha vida, na ideia culturalmente dominante sobre o suicídio: que era a escolha privada de cada um. Que era moralmente neutro. E que, como não podemos ousar compreender a dor que culmina em tal ato, devemos abandonar o assunto. Eu já não acho que estas ideias sejam verdade. 
O que me fez mudar de ideia? Eu perdi dois amigos para o suicídio, com um ano e meio de diferença entre as mortes. Por vezes, eu também não pude deixar de pensar em suicídio. Sou poetisa e historiadora e escrevi abundantemente sobre a história de ideias seculares, de modo que pensei muito no que eu estava enfrentando. Notei que era estranho que todos nos sentíssemos tão sós em nosso sofrimento suicida diante da conexão intensa que sentimos quando algum(a) conhecido(a) comete suicídio. 
Comecei a pensar no lado positivo do que essa dor significa para nós. Não estamos tão sozinhos quanto pensamos, e podemos dar grandes contribuições à sociedade só permanecendo vivos. Eu tinha lido muitas vezes que um suicídio pode levar a mais suicídios, o que significa que, ainda que você acredite que é um fardo terrível neste momento, seu suicídio seria um fardo muito maior. 
Cheguei a estas conclusões escrevendo primeiro um poema e depois um post sobre suicídio. As respostas foram comoventes e fizeram-me sentir que eu precisava aprender e escrever mais, por isso iniciei um período de pesquisa aprofundada sobre o suicídio ao longo da história e atualmente. 
O que aprendi foi que, em comparação com a nossa sociedade, a maioria das sociedades tem apresentado mensagens fortes de rejeição ao suicídio por causa do que significamos um para o outro e do que devemos ao nosso eu futuro. Sócrates é frequentemente lembrado como um suicida, mas, na cela de prisão onde ingeriu cicuta, ele disse a seus pupilos e amigos que eles não deviam matar-se, a menos que também fossem condenados à morte no tribunal. 
Aristóteles também considerava o suicídio errado porque “os justos e os injustos sempre envolvem mais de uma pessoa”. Nós modernos perdemos o contato com esta e outras ideias cruciais por causa de uma guerra travada entre religião e secularismo. Era hora de repensar a postura secular diante do suicídio em seus próprios termos. Esta pesquisa tornou-se o meu livro Stay: A History of Suicide and the Arguments Against It (em tradução livre, Fique: Uma História de Suicídio e os Argumentos Contrários)
Permita-me esclarecer que não estou discutindo cuidados terminais, que eu acredito que deveriam incluir o direito de morrer, especialmente em uma época em que as pessoas são medicamente mantidas vivas por tanto tempo. Eu às vezes digo que estou abordando o “suicídio de desespero”. Grosso modo, refiro-me à pessoa cujos entes queridos ou cuidadores considerariam que precisa continuar vivendo. 
Após vários anos de reflexão e escrita, sintetizei dez ideias sobre como podemos pensar o suicídio de forma diferente. 
1) Não temos o direito de cometer suicídio. 
O suicídio afeta terrivelmente as outras pessoas. Para alguns é fatal: ao longo da história, as pessoas observaram que um suicídio pode levar a mais suicídios, em todos os grupos. Depois da publicação de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, alguns homens jovens na Europa cometeram suicídio vestidos de Werther ou segurando o livro, e houve muitos relatos de aumento no número de suicídios em países onde o livro estava disponível. 
Estudos estatísticos modernos agora demonstram repetidamente a existência de núcleos de suicídio, cada um representando um aumento real na taxa de suicídios em certos colégios, universidades, regimentos, cidades, grupos etários e profissões. Talvez você se lembre de manchetes nas últimas décadas sobre suicídios entre agricultorespoliciais, entre adolescentes nos anos 1980, em certas universidades, ou em um alojamento universitário específico. Recentemente têm saído grandes manchetes sobre um aumento chocante nas taxas de suicídio entre pessoas da geração “baby boom”, militares, e nativos (índios) norte-americanos (especialmente os jovens). 
Há muitas indicações da relevância da influência. Nos anos 1970, o pesquisador David Philips, hoje professor de sociologia na Universidade da Califórnia, acompanhou o aumento de suicídios após a morte de Marilyn Monroe e outras celebridades, cunhando o termo “efeito Werther”. O aumento é mais forte para aqueles na mesma faixa etária e do mesmo gênero que a celebridade. 
Além de celebridades, estudos mostram uma correlação robusta entre a cobertura midiática do suicídio e um aumento real na área exposta às notícias, especialmente entre pessoas da mesma idade e gênero. A influência da mídia sobre o suicídio parece especialmente potente entre adolescentes e adultos jovens. Há até mesmo uma relação de dose e efeito, em que mais exposição a notícias deste tipo leva a mais comportamento suicida. 
Victor Hugo rejeitava o suicídio porque “assim que atinge seus vizinhos, suicídio é homicídio”. E Jean Jacques Rousseau fez uma personagem sábia dizer a um amigo suicida mais jovem que o suicídio deve ser rejeitado por muitas razões, incluindo o fato de que poderia causar mais suicídios. O suicídio é muito perigoso para ser um direito. 
2) Permanecer vivo é uma contribuição social que salva vidas. 
Devido ao poder da influência suicida, permanecer vivo apesar das agruras mantém vivas outras pessoas. Em um estudo grande e muito cuidadoso do Centro Johns Hopkins em 2010, pesquisadores descobriram que o suicídio de um dos pais de uma criança com menos de dezoito anos triplica o risco de suicídio, com diferentes padrões de hospitalização e morte, a depender da idade da criança no momento do suicídio. Um estudo de 2014 mostra que a tentativa de suicídio de um dos pais aumenta em cinco vezes a chance de a criança tentar o suicídio, “mesmo após ajustar para a transmissão familial de transtornos do humor”. 
Isto significa que se você não se matar, sua filha tem menos chances de cometer suicídio; e, se você permanecer vivo, talvez ela também consiga. Um ex-militar citou esta ideia de “Fique” em um artigo pessoal sobre suicídio para o Daily Beast e acrescentou: “se você quer que o seu parceiro de trabalho sobreviva, você precisa aceitar ajuda e lutar suas próprias batalhas”. 
Não sei por que nem sempre reconhecemos nosso próprio valor, mas, quando as pessoas percebem que buscar ajuda e sobreviver manterá outras pessoas vivas, elas sentem-se menos autoindulgentes quando tomam medidas para superar a crise. Nós salvamos a vida uns dos outros quando cuidamos de nós mesmos. A sociedade deveria expressar gratidão àqueles que se mantêm vivos por outras pessoas e fico feliz em começar: obrigada. Nós constantemente dizemos às pessoas que procurem ajuda, mas não lhes dizemos por quê. 
3) Precisamos considerar os direitos do eu futuro. 
Albert Camus, famoso por declarar que devemos todos confrontar a questão do suicídio, é menos famoso pela sua poderosa conclusão de que devemos rejeitar o suicídio. Ele argumentava que mais vida é sempre melhor, mesmo se não é feliz. Camus diz que o que você aprenderá com a experiência é incognoscível até que você chegue lá, e a espera e a luta realmente valerem. 
Assim como a nossa cultura minimiza a natureza interconectada do nosso ser, ela também vê o eu como um agente imutável. Esquecemos que iremos mudar e crescer de maneiras que não podemos agora imaginar. Quem nos tornaremos? Devemos fazer um esforço para respeitar aquela pessoa. 
Muitas figuras ao longo da história têm-nos lembrado que, mesmo quando tudo parece perdido, as circunstâncias às vezes mudam de forma abrupta. O filósofo renascentista Michel de Montaigne oferecia muitos contos de suicidas finalizados pouco antes de tudo mudar para melhor e outros contos de rejeição do suicídio levando a uma vida maravilhosa e celebrada. Para nós modernos, se formos capazes de esperar, é possível também que surja uma nova droga ou outra intervenção. 
Há certas pessoas que precisam considerar especialmente a ideia do “futuro eu”. Até os 25 anos de idade, o córtex pré-frontal do cérebro não concluiu o desenvolvimento. Até lá você não sabe como será sua experiência do mundo em alguns anos. O córtex pré-frontal é responsável pelo funcionamento executivo: planejamento do comportamento cognitivo complexo, expressão da personalidade, tomada de decisões e moderação de comportamento social. 
Você está prestes a ficar muito melhor em alcançar o que você deseja. Por ora, encontre uma forma de esperar. Para nós que somos mais velhos, se você está passando por um período muito espinhoso na vida, lembre que as coisas podem melhorar para você também, se você confiar que o seu eu futuro saberá de coisas que você ainda desconhece. 
4) O suicídio está entre os dez maiores responsáveis por mortes de americanos. 
Em 2000, o número de suicídios nos EUA era 30 000 e começou a subir. O último relato foi em 2012 e o número chegou a 40 600. O suicídio é a segunda causa de morte de pessoas entre 15 e 24 anos. Em um estudo recente envolvendo estudantes universitários, o suicídio superou o álcool como causa de morte. 
Enquanto isso, a maioria dos suicídios é de homens brancos mais velhos. Mulheres tentam mais o suicídio, mas homens morrem mais, o que é mais provável, já que homens têm mais acesso a armas de fogo. Em 2010, o suicídio foi responsável por 61% das mortes por armas de fogo nos EUA. O suicídio mata mais que o homicídio. [Veja aqui as estatísticas do Brasil]. 
Em relação à guerra, um estudo de 2012 mostrou que mais militares estadunidenses morreram de suicídio do que em combate ou em acidentes de percurso naquele ano (os números para 2013 foram liberados recentemente: enquanto suicídios entre militares na ativa estão reduzidos, houve um aumento de suicídios entre reservistas). Na população geral, o suicídio recentemente superou os acidentes de carro em número de mortes. 
Organização Mundialda Saúde estimou que a taxa global de suicídios subiu em até 60% desde 1945. Em 2010, no mundo desenvolvido, o suicídio tornou-se a principal causa de morte de pessoas entre 15 e 49 anos. A não ser pelos três piores anos da doença, o suicídio tem matado mais pessoas anualmente que a aids. Globalmente temos um milhão de suicídios por ano. 
5) O suicídio é frequentemente impulsivo, assim, se o impulso é frustrado, a pessoa vive. 
Quando as pessoas tentam o suicídio e não morrem, na maioria esmagadora das vezes elas dizem-se felizes por terem sobrevivido, de acordo com estudos e observações de suicidologistas. Um seguimento de 25 anos envolvendo pessoas que tentaram pular da ponte Golden Gate mostrou que 96% delas estavam vivas ou morreram de outras causas. Costumamos pensar o suicídio como o ponto final de uma longa batalha com a depressão agonizante, mas frequentemente ele não se deve a isso ou não apenas a isso. Humilhação recente ou perda são determinantes comuns. 
Pensamos o suicídio de militares como o fruto do transtorno do estresse pós-traumático e outros resultados diretos das guerras, mas note que o estudo dos suicídios desta população em 2012 mostrou que um terço dos mortos nunca tinha estado em combate, enquanto mais da metade tinha sofrido a perda de um relacionamento importante ou uma humilhação no ambiente de trabalho. 
Um estudo recente de suicídios de policiais mostrou que 64% dos casos foram descritos como “uma surpresa”. Há notícias de estudantes universitários populares e bem-sucedidos que exibiam poucos indícios de depressão subitamente tirando suas vidas. Se parte do problema reside no fato de, em certos grupos, em certos períodos, o suicídio parecer uma opção popular, é útil expressar isso e estar preparado para resistir. Se você não deseja um dia morrer de suicídio, diga a si próprix que você está atento a tais inclinações e que você está preparado para rejeitá-las. 
6) Barreiras físicas contra o suicídio têm-se mostrado efetivas e barreiras conceituais também podem funcionar. 
Estudos mostram que, quando se ergue uma cerca de proteção em uma ponte famosa por suicídios, as pessoas que vão até ela para pular não procuram outra ponte. Barreiras em pontes diminuem a taxa geral de suicídios, motivo pelo qual estamos finalmente instalando uma barreira na ponte Golden Gate — como especialistas de várias áreas explicaram em uníssono, barreiras contra o suicídio salvam vidas. O ato é tão impulsivo, que, na maioria das vezes, as pessoas não parecem planejar-se o suficiente para encontrar uma ponte secundária e certificar-se de que ela é escalável e alta o bastante para cumprir a tarefa. 
Nos anos 1990, o Reino Unido observou muitos suicídios causados por overdose de paracetamol, o que levou a uma mudança na legislação para obrigar a droga a ser vendida em quantidades menores. As mortes por paracetamol então diminuíram significativamente. O número de overdoses manteve-se constante, mas houve redução expressiva no número de casos fatais. As pessoas sobreviveram, porque o ato é tão impulsivo, que elas só ingerem o que têm em casa; por isso, recipientes menores salvam vidas. 
Nos EUA, mais da metade das mortes por armas de fogo são suicídios e mais da metade dos suicídios envolvem armas de fogo. Dispor dos meios imediatos é ruim. Se o seu intuito é proteger-se, certifique-se de que levaria ao menos algumas horas, algum esforço e interação humana. Eu sei de vários homens e mulheres que guardam suas armas em casas alheias por esta razão. 
O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein afirmou que o suicídio é sempre a precipitação das defesas do indivíduo e acrescentou que não há nada pior que precipitar as próprias defesas. Wittgenstein sentiu-se suicida intermitentemente durante toda a vida, e três de seus quatro irmãos cometeram suicídio, mas ele estabelecera para si motivos pelos quais o suicídio era errado e não se matou. De forma geral, não somos capazes de reverter efetivamente os sentimentos depressivos por conta própria, mas parece que é possível evitar o suicídio, se dissermos não a nós mesmos. 
7) Não podemos sempre confiar em nossos estados de espírito, por isso devemos treinar para subjugar impulsos suicidas. 
Ralph Waldo Emerson disse: “nossos estados de espírito não acreditam uns nos outros”. Das quase 40 000 pessoas que cometem suicídio anualmente nos EUA, certamente algumas não teriam previsto tal causa de morte para si. Algumas foram pegas em um momento ruim, com meios letais e sem ideias sólidas de resistência. Há uma parte de muitos suicidas em potencial que ferozmente não deseja morrer; a parte de nós que liga para serviços de apoio, por exemplo. Esta parte de nós precisa de encorajamento. 
Há pessoas lendo isto que não se veem em risco de suicídio, mas que irão morrer assim, a menos que tomem alguma ação mental neste momento. "Vacine-se" o máximo que puder, repensando cuidadosamente essas questões neste novo contexto. Não se deixe matar pelo clássico e cego esquecimento da desgraça. Pratique lembrar-se que a depressão produz uma ilusão de constância sempre que se instala. 
Recebi uma carta de um advogado que me contou que minha apresentação dos números envolvendo o suicídio de pais de crianças menores de dezoito anos tinha decidido a questão para ele depois de décadas de dolorosa hesitação. Foi um alívio. Ele também me deu um grande insight: ele escreve uma nota para si quando está feliz, porque, quando ele se sente mal, somente a sua própria caligrafia é capaz de mostrar que ele já sentiu felicidade na vida ou que voltará a sentir. Decida agora não permitir que seu pior estado de espírito destrua todos os outros. 
8) Se as pessoas soubessem quão comuns são os pensamentos suicidas, elas teriam menos medo dos seus próprios. 
Muitas pessoas pensam em suicídio — meu palpite esclarecido é consideravelmente mais da metade da população. Um estudo de 2006 envolvendo 26 000 estudantes universitários (na graduação e na pós) mostrou que mais da metade tinha considerado suicidar-se em algum ponto. Dezoito por cento dos estudantes em graduação tinham pensado seriamente a respeito. Empiricamente, quando converso com adultos, a maioria confessa que às vezes deseja morrer. 
Pensar em suicídio não é uma indicação de que você deve ou vai se matar. Leve a sério os pensamentos como uma indicação de que não está tudo bem, e encontre alguém com quem conversar. Contudo, os pensamentos são muito comuns para serem atemorizantes. Se todos soubéssemos quantos de nós ocasionalmente pensam a respeito, estaríamos menos propensos à intimidação pela ideação suicida. 
9) Nossa crescente taxa de suicídio é uma tendência e tendências podem ser desaceleradas ou revertidas. 
A taxa de suicídio aumenta e diminui. O mecanismo que faz sentido para mim é que as pessoas copiam o comportamento umas das outras progressivamente, até atingirem um ponto de saturação e então começarem a ver aquele comportamento como antiquado. Quando este sentimento é esquecido, o ciclo recomeça. 
Sociedades humanas interromperam tendências no passado, mesmo com drogas com alto potencial de dependência. Existem tendências sociais que foram endêmicas por séculos, como a prática de atar os pés, os duelos e o comércio de escravos no Atlântico, que foram interrompidos por uma reavaliação do que é bom e uma rejeição de algo que está causando sofrimento e destruição. Talvez possamos mudar isto também. 
Estou certa de que as condições de vida são tremendamente importantes para a configuração dos estados de espírito das pessoas, mas a cogitação do suicídio como resposta a essa dor depende de tendências, como de quantos suicídios você teve notícia, cometidos por pessoas semelhantes a você. Podemos fazer esforços para não morrer por tendência. É claro que a parte de nossos pensamentos suicidas que é fruto de trauma, negligência e desequilíbrio neuroquímico precisa ser tratada, e a parte da nossa ideação suicida que resulta da economia, política, guerras e perda do mundo natural deve ser um incentivo à ação. Mas, às vezes, o que faz a diferença é se o suicídio parece uma resposta viável ao sofrimento para uma pessoa como você, e nós podemos nos prevenir contra isso. 
10) Se conseguirmos reduzir a taxa de suicídio e mantê-la baixa, as pessoas no futuro olharão para a nossa época e verão um massacre. 
O que você pensaria se eu lhe contasse sobre uma civilização em que 40 000 homens, mulheres e crianças tiravam suas vidas a cada ano? Como isso não é um sacrifício de sangue? Notas de suicídio estão repletas de pessoas explicando que são um fardo. Como elas tiveram essa ideia? Nossa cultura disse-lhes que cabe a elas decidir se a vida vale a pena. Disseram-lhes que elas é que devem pesar suas contribuições e desfalques, sua alegria e angústia. Que coisa cruel e equivocada de se dizer às pessoas. 
Eu acredito que a comunidade e a cultura produzem o sentido das coisas e não cabe a nenhum de nós sustentar o sentido o tempo todo. Imagine que amanhã de manhã você acorde sozinho no planeta. Você faria qualquer coisa da mesma forma? Nós criamos a vida e o sentido juntos, em meio aos outros. Você consegue imaginar tentar aprender sobre suricatos capturando um único espécime e observando-o no laboratório? 
Somos o que somos juntos e devemos dizê-lo. Ou não diga nada a respeito, mas pare de dizer que o suicídio é moralmente neutro e que é uma escolha de cada um. Se esta sociedade é de alguma forma cúmplice em fazer-nos odiar a nós mesmos, eu não acho que devemos ouvi-la convidar o infeliz a morrer e sair do caminho. Para muitos de nós que pensam sobre o suicídio, parte do apelo é jogar a vida de volta na cara da vida. Acho que ficar vivo é uma forma melhor de rebelião
Escreva Lola Escreva

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