"Levou menos de uma hora para átomos se formarem, algumas centenas de milhões de anos para se fazer estrelas e planetas, mas cinco bilhões de anos para um homem surgisse!" G. Gamow, 'A criação do Universo' (1952).

A imagem presente - sustentada por teorias cosmológicas recentes - tanto quanto se ocupa apenas com fenômenos materiais, revela que o universo foi criado a partir de um instante apenas, denominado 'Big Bang'. Ironicamente, esse nome foi criado pelo cosmologista Fred Hoyle que detestava a ideia da explosão inicial. Em um programa de rádio em que discutia o tema, ele criou a palavra (que visava caracterizar pejorativamente a ideia). Poderíamos traduzir o apelido de Hoyle por 'teoria do estrondão'.

O Big-Bang é o momento assinalado para a origem do elemento material. Mas a matéria não é a única coisa que existe no Universo (mesmo segundo o conhecimento academicamente aceito) . Há também 'leis' ou 'princípios' que servem para 'organizar' ou estruturar a matéria. Esses princípios regulam como a matéria interage consigo mesma e com outros elementos, a fim de produzir quase tudo que nós vemos com nossos sentidos ordinários e, principalmente, aquilo que não conseguimos ver. Sem as leis o Universo seria um amontoado caótico de matéria ao ponto de ser impossível descrevê-lo como, de fato, o conhecemos.

A teoria do Big-bang constrói um relato da história pregressa do Universo. Nesse relato, as leis da Física surgem ou são dadas 'desde o princípio', ou seja, não são 'derivadas' da mesma origem postulada. Por isso, a ideia de um 'princípio' é problemática: seria mais fácil se o Universo sempre tivesse existido, porque, então, não seria necessário explicar como surgiram as leis. Por isso também, há muitos cosmologistas que defendem uma origem 'acausal' (sem causa) para o Universo. A tarefa seria ainda mais fácil caso fosse possível algo mais: uma corrente de cientistas procura uma forma de se unificar todas as leis da Física. Está claro que, se todas as leis puderem ser unificadas, isto é, se for possível encontrar uma teoria onde todas as leis possam ser derivadas a partir de uma só, fica mais fácil explicar a origem do Universo. A teoria do Big-Bang é, portanto, uma teoria (reconhecidamente) incompleta, na medida em que não se encontrou ainda tal unificação. 
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Tags: Big, Deus, bang, causas, cosmologia, criação, primárias, reducionismo, secundárias

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Comentário de Zanandréa Nunes de Araújo em 1 agosto 2014 às 21:00

sou nova por aqui e gostei muito deste blog

Comentário de Valdemar W. Setzer em 10 julho 2014 às 9:06

Olá a todas/os,

Ademir, se você se refere, por exemplo, ao teorema da incompletude de Gödel, note que ele é válido em uma lógica clássica. Em uma lógica paraconsistente ele pode não ser válido.

Por outro lado, há asserções matemáticas que não podem ser matematicamente provadas, isto é, a conjectura de Hilbert do Entscheidungsproblem estava errada, como provaram independentemente Alan Turing e Post. Assim, mesmo no sentido de prova a matemática é incompleta.

Quanto à física, qualquer observação no nível atômico muda o estado das partículas e dos átomos, de modo que não podemos saber como eles são em seu estado original. Muito piores são os aceleradores de partículas, pois aí a mudança na matéria é brutal.

aaaaaaaaaa, VWS.

Comentário de Ademir Xavier em 9 julho 2014 às 19:34

A noção de 'theory of everything' já está sendo demolida. Por causa de certos teoremas matemáticos, já se considera que é impossível ter uma 'teoria de tudo' no sentido literal da palavra. OU de outra forma, é uma indicação que o homem, por ser finito e contido no Universo, não tem capacidade para descrever o todo (que é a causa). Algo que filósofos já sabiam e que, aos poucos, começa a ser compreendido por físicos e matemáticos. 

Escreverei mais sobre isso em breve.

Comentário de sueli rodrigues em 7 julho 2014 às 19:14

muito bom .

Comentário de Valdemar W. Setzer em 7 julho 2014 às 4:40

Olá a todas/os,
1. A entidade Deus tornou-se uma mera abstração, sem significado -- por sinal, culpa das religiões instituídas.
2. A teoria do Big-Bang não é só incompleta, como muito bem apontou o Ademir. Ela é literalmente estapafúrdia, pois baseia-se num conceito puramente matemático: uma descontinuidade no espaço-tempo. Ora bolas, desde quando um conceito puramente matemático tem algo a ver com a realidade? Por exemplo, um ponto geométrico simplesmente não existe fisicamente, como também não existe uma circunferência perfeita.
3. De um ponto de vista espiritualista, parece-me que se deveria deixar de falar em Big-Bang. A matéria é uma condensação de "substância" espiritual -- note-se que a Física não sabe o que é a matéria!
aaaaaaaaa,VWS.
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