Talvez, se questionadas, boa parte das pessoas responderia desejar uma vida tranquila, calma, sem necessidade de despender esforço para ser feliz. Possivelmente diriam até que seria tudo de bom se não precisassem se preocupar com nada que exigisse um pouco mais de foco ou suor. Paraíso total. Em contrapartida vemos muitas pessoas – voluntariamente, algumas, ou por força das coisas, outras – se esforçando para vencer competições, estudando para passar em concursos, economizando para alcançar um sonho, lutando por um ideal político, religioso, profissional, afetivo, brigando duramente para manter ou recuperar a saúde, para continuar a viver apesar de toda dificuldade. Qual a razão?
 
Em O Livro dos Espíritos, à questão 783 Allan Kardec faz um comentário interessante a respeito da Lei de Progresso. Diz ele que “sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém tem o poder de se opor a ele. É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não asfixiar. Quando essas leis se tornam de todo incompatíveis com o progresso, ele as derruba, com todos os que as querem manter, e assim será até que o homem harmonize as suas leis com a justiça divina…”.
 
Quiçá por essa força natural que integra a vida como um todo, dentre outras motivações morais e intelectuais os homens anseiem tranquilidade, mas continuem lutando para ampliar horizontes, conquistar sonhos, mudar o destino. Por isso é tão imperativa ao homem essa força que insiste para que “continue a nadar” e não se afogue na própria indecisão, preguiça ou medo.
 
Aquele que desiste de lutar, de ambicionar a conquista de ideais, de construir valores, abandona a si mesmo, larga-se à força das coisas, sendo empurrado (geralmente de forma mais dolorosa) pelas leis naturais de progresso, de reencarnação, de justiça.
 
Ai de nós se desistirmos de nadar na direção da paz, do amor, do conhecimento, da moralização, da confiança, do pensamento positivo, da coragem, dos bens imateriais que a todos elevam. Ai de nós se percebermos que “morremos na praia”, por vezes bem perto da vitória, apenas por nos termos acomodados à aparência do mal, da dor, da distância ou do tempo.
 
A natureza humana não foi feita para acalentar acomodações, desânimos ou tristezas. Na natureza somos os menos providos de capacidades especiais, se comparados aos animais (que são mais velozes, mais fortes, mais belos etc), e, no entanto, por termos maior inteligência permanecemos sendo os mais capacitados para vencer todas as dificuldades – isso se continuarmos a nadar.
 
By Vania Mugnato de Vasconcelos
 
* frase do personagem Dori, da animação “Procurando Nemo”?

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