CONTEI MEUS ANOS - Rubem Alves (Homenagem)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. 

 

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço. 

 

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. 

 

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 

 

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 

 

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. 

 

Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. 

 

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. 

 

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. 

 

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... 

 

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. 

 

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

 

O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial! 

 

Rubem Alves

Fonte: Mensagem Espírita

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Tags: alves, anos, contei, meus, rubem

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Comentário de maria fidalgo em 23 julho 2014 às 10:28

   boa  tarde    belo   ainda   haver   seres   humanos   que   tenhao   este   conhecimento   sejao   verdadeiros   muito   obrigada   por   partilhar   que   a   paz   acompanhe   todos

Comentário de Maria de Fatima Sousa Noronha em 22 julho 2014 às 20:46

Gostaria que as pessoas refletisse este relato , muito grato por postar  .

Comentário de Inacio Queiroz em 22 julho 2014 às 19:01

O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!

Viva o espírito da sabedoria!

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