ir, a partir deste versículo, que existem duas verdades a ser conhecidas por nós para a nossa libertação. A primeira é a Verdade Universal da qual o Evangelho de Jesus é a perfeita síntese, assim como tantas outras obras que nos orientam á verdade. Conhece-la é fundamental para o aperfeiçoamento interior, pois nos dá da diretriz segura para desenvolvermos o bem, o bom e o belo em nossas vidas. Essa verdade contida nos livros sagrados e em outras obras como as de Alan Kardec que dão base à Doutrina Espírita, bem como as complementares idôneas é a verdade que está fora de nós, nas obras que nos orientam para a prática da mudança interior. Além dessa verdade que está fora, é necessário que conheçamos uma segunda verdade; a verdade que está dentro de nós, isto é, tudo que existe em nosso interior, pensamentos, sentimentos, emoções, comportamentos tanto os equilibrados, quanto os negativos. Para conhecer a verdade só existe um caminho: o autoconhecimento, o mergulho interior conforme nos orienta Santo Agostinho na questão 919 e 919-A de O Livro dos Espíritos. Muito de nós utilizamos o processo de conhecer essa verdade que está dentro para gerar conflitos, ao invés de nos libertamos deles, conforme deveria acontecer. Por que isso acontece? Porque queremos que a verdade que está dentro espelhe fielmente a Verdade Universal que está nas obras, especialmente no Evangelho. Por já conhecermos a verdade libertadora, queremos que esta verdade já seja sentida e vivenciada como num passe de mágica. O resultado dessa atitude é a intensificação de conflitos desnecessários, pois não é possível nos auto decretarmos a mudança interior, simplesmente por já conhecermos a verdade. Jesus diz de forma muita clara “... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Percebamos que não é o conhecimento que liberta, mas a verdade. Para que possamos internalizar a verdade libertadora o caminho acontece em três etapas: a primeira é o conhecimento, isto é, estudar, refletir sobre a verdade existente no Evangelho e outras obras. A partir desses estudos e reflexão somos convidados a iniciar a segunda etapa – internalizar, através do sentimento, a verdade estudada e refletida. Vejamos que é Jesus que nos oferece esse caminho: “e aprendei comigo, que manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Quando Ele nos diz que o aprendizado se faz com o coração, está nos demonstrado que não basta conhecer com o cérebro, é necessário sentir no coração, aprender com o cérebro é relativamente fácil, basta estudar e refletir, já sentir no coração é uma tarefa muito mais difícil e de demorada, requerendo muitos exercícios de mansidão e humildade. A terceira etapa é a libertação pela verdade que se dá pelo vivenciamento. O ato de vivenciar é a síntese do saber e sentir. Ao fazermos exercícios para saber e sentir, vamos automaticamente vivenciando a verdade. Portanto, quando nos exigimos sentir e vivenciar algo que apenas conhecemos, entraremos em conflitos desnecessários que não geram crescimento, apenas estagnação. Como podemos evitar esses conflitos? Recorramos novamente a Jesus quando diz: “vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus 26:41). Com a postura de auto exigência para viver uma perfeição da qual estamos ainda muito distantes, transformamos a vigilância em policiamento e repressão. A vigilância, conforme proposta cristã é fruto de uma auto-observação amorosa de nós mesmos, realizada com suavidade e leveza, como recomenda Jesus: “porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. (Mateus 11:30). Sempre teremos, em relação aos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, três escolhas para lidar com eles, duas desequilibradas e uma equilibrada. Podemos dar guarida a essas negatividades e vivenciá-las, abdicando de todo conhecimento da verdade que já detemos. Ao escolhermos essa alternativa, entramos em conflitos, pois aquele que detém a verdade dentro de si, mesmo que apenas no cérebro, já tem despertada a consciência e, ao agir de forma contrária a esta, o resultado é um conflito interior. A pessoa tenta abafara consciência da verdade que já possui para vivencia pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, mas como a consciência é a Lei de Deus ínsita em nós o resultado disso é o aprisionamento a conflitos, que já temos condição de transformar. Podemos, como alternativa, escolher reprimir os pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, devido à auto exigência de se vivenciar a verdade que conhecemos no cérebro, a qualquer custo. Quando fazemos criamos pensamentos, sentimentos e comportamentos pseudopositivos. Desenvolvemos máscaras das virtudes e não as virtudes que libertam, pois a libertação somente ocorre quando a verdade conhecida é sentida no coração. O resultado é que ficamos aprisionados a uma atitude de pseudoperfeição que gera estagnação. Só há uma alternativa equilibrada em relação às negatividades que trazemos - a transformação desses pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos em amigos evolutivos, que estarão nos auxiliando o processo de amadurecimento e libertação pela verdade conhecida, sentida e vivenciada. Novamente é Jesus que nos recomenda a maneira como nos libertaremos, quando diz: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade de digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil” (Mateus 5:25 e 26). Analisemos estes versículos, em uma perspectiva psicológica profunda, dentro da questão da libertação de conflitos e aperfeiçoamento interior. Vimos que a única forma de nos libertarmos de nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, os nossos adversários internos, é a partir da transformação, evitando dar guarida a eles e reprimi-los. Isso somente acontecerá pela conciliação, transformando o adversário em amigo. Vejamos que Jesus nos dá um caminho perfeitamente possível de ser seguido. Quando Ele nos diz “Concilia-te depressa com o teu adversário enquanto estás no caminho com ele” nos conclama a buscar a reconciliação, aqui e agora, já com a negatividade enquanto ela esta se manifestando para que não entremos na tentação de dar guarida ou reprimi-la, pois se o fizermos seremos colocados na prisão, seja do conflito de consequência por ter vivenciado a negatividade ou do mascaramento desta, que por mais que seja o caminho mais fácil sempre trará o desconforto de uma prisão sem grades. Não sairemos dali enquanto não tivermos a atitude de humildade de reconhecer que estamos muito distantes da perfeição e que tanto a identificação com uma negatividade, quanto o seu mascaramento, imposto pela repressão nos aprisiona em muitos conflitos desnecessários, que seriam perfeitamente evitados se buscássemos sempre a vigilância, a conciliação e a oração como instrumentos amorosos de aperfeiçoamento interior. Quando nos dispomos a utilizar esses três instrumentos de transformação, estaremos sempre vigilantes às nossas tendências inferiores e ao perceber um pensamento, sentimento ou comportamento negativo faremos a conciliação no momento da sua manifestação (“enquanto estás no caminho com ele”), de modo a que utilizemos esse movimento egóico como um amigo evolutivo que está contra nós, mas que é apenas manifestação da ignorância que ainda existe em nós. É importante que tratemos essa ignorância como adversária, mas como instrumento de aperfeiçoamento interior. A oração será sempre amiga que nos auxiliará no trabalho de conciliação, pois quando percebermos que as nossas forças fraquejam no sentido de dar guarida ou reprimir, lembremo-nos de Jesus e de Deus, e roguemos forças para que possamos conciliar com aquele adversário que se manifesta, transmutando-o num amigo e façamos esse exercício de conciliação, tantas vezes forem necessárias até a completa iluminação interior.

Retirado da revista Presença Espírita

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