Milhares de criaturas esperavam-no coroado de louros, numa carruagem de glória. Ele, o Grande renovador, deveria surgir numa apoteose de exaltação individual.

 

O trono dourado.

 

O cetro imponente.

 

O laurel dos triunfadores.

 

A túnica solar.

 

Os olhos injetados de orgulho.

 

O verbo supremo.

 

A exibição de riquezas.

 

Os espetáculos de poder.

 

A escolta angélica.

 

As sentenças inapeláveis.

 

 

*

 

Jesus, porém, caminha entre os homens, à maneira de servidor vulgar, de vilarejo em vilarejo.

 

Veste-se conforme as usanças dos que o cercam.

 

Apostoliza em lares e barcos emprestados.

 

Ouve atenciosamente mulheres consideradas desprezíveis.

 

Atende a homens conhecidos por malfeitores.

 

Serve-se à mesa de pessoas classificadas como indignas.

 

Abraça crianças desamparadas.

 

Socorre doentes anônimos.

 

Acolhe a todos por amigos, a ponto de aceitar como discípulo aquele que desertaria, dominado pela ambição.

 

Recebe remoques e injúrias de quantos lhe exigem sinais do espírito.

 

E parte do mundo, banido, entre ladrões, sob violência e sarcasmo; no entanto, em circunstância alguma condena ou amaldiçoa, mas sim suporta e ajuda sempre, respeitando nos seus ofensores filhos de Deus que o tempo renovaria.

 

 

*

 

Também na Doutrina Espírita, indene de todo cárcere dogmático, a indagação campeia livremente. Cristianismo redivivo, qual acontecia na época da presença direta do Senhor, junto dela hoje enxameiam, de mistura com os corações generosos que amam e auxiliam, as antigas legiões dos desesperados, dos escarnecedores, dos indecisos, dos investigadores contumazes, dos inquisidores da opinião, dos perseguidores gratuitos, dos gênios estéreis, dos cépticos frios e dos ignorantes sequiosos de privilégios, por doentes da alma...

 

Entretanto, se Jesus, que foi o Embaixador Divino, para manter-se ligado à Esfera Superior exerceu a caridade e a tolerância em todos os graus, como fugir delas, nós, Espíritos endividados perante a Lei, necessitados do perdão e do amparo uns dos outros?

 

É por isso que, em nossas atividades, precisamos todos de obrigação cumprida e atitude exata, humildade vigilante e fé operosa, com a caridade e a tolerância infatigáveis para com todos, sem desprezar a ninguém.



Do cap. 35 do livro Seara dos Médiuns, de Emmanuel, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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Comentário de natercia freitas em 11 setembro 2012 às 12:33

Não nos apavoremos. No meio dos indagadores, dos escarnecedores, dos indecisos, a nossa atitude cristã pode fazer a diferença. Pelo nosso exemplo, podemos "pescar" alguns deles, para Jesus.

Comentário de Vi Meirim em 19 agosto 2012 às 20:57

Sábias palavras, prezado  Iran Damasceno Pinheiro!

Obrigada pelo post e pela lucidez dos comentários

Abraços fraternos

Vi Meirim

Comentário de Valdemar W. Setzer em 19 agosto 2012 às 18:23
Comentário de Vi Meirim em 19 agosto 2012 às 16:35

Então, prezada Bhianka Nascimento, não teríamos o direito de nos dizer espíritas e MUITO MENOS cristãos!

O Mestre Nos mostra o caminho, Cabe a cada um de nós escolher segui-lo ou não. Ele nunca disse que seria fácil.

Abraços fraternos. PAZ e LUZ

Vi Meirim.

Comentário de Bhianka Nascimento em 19 agosto 2012 às 16:23

Sem desprezar a ninguém é complicado....

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