Bhagavad Gita, Canto 2 (versos 11 a 30) - Texto sobre Hinduísmo

Fonte: http://www.eurooscar.com/Bhagavad_Gita/bhagavad-gita-canto2.htm.

Fala Krishna:

  

11. Andas triste por algo que tristeza não merece - e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos nem por causa dos vivos.

12. Nunca houve tempo em que eu não existisse, nem tu, nem algum desses príncipes - nem jamais haverá tempo em que algum de nós deixe de existir em seu Ser real.

13. O verdadeiro Ser vive sempre. Assim como a alma incorporada experimenta infância, maturidade e velhice dentro do mesmo corpo, assim passa também de corpo a corpo - sabem os iluminados e não se entristecem.

14. Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento - estas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência!

15. Mas quem permanece sereno e imperturbável no meio do prazer e do sofrimento, somente esse é que atinge a imortalidade.

16. O que é irreal não existe, e o que é real nunca deixa de existir. Os videntes da Verdade compreendem a íntima natureza tanto disto como daquilo, a diferença entre o ser e o parecer.

17. Compreende como certo, ó Arjuna, que indestrutível é aquilo que permeia o Universo todo; ninguém pode destruir o que é imperecível, a Realidade.

18. Perecíveis são os corpos, esses templos do espírito - eterna, indestrutível, infinita é a alma que neles habita. Por isto, ó Arjuna, luta!

19. Quem pensa que a Alma, o Eu, que mata, ou o Eu que morre, não conhece a Verdade. O Eu não pode matar nem morrer.

20. O Eu nunca nasceu nem jamais morrerá. E uma vez que existe, nunca deixará de existir. Sem nascimento, sem morte, imutável, eterno - sempre ele mesmo é o Eu, a alma. Não é destruído com a destruição do corpo (material).

21. Quem sabe que a alma de tudo é indestrutível e eterna, sem nascimento nem morte, sabe que a essência não pode morrer, ainda que as formas pereçam.

22. Assim como o homem se despoja de uma roupa gasta e veste roupa nova, assim também a alma incorporada se despoja de corpos gastos e veste corpos novos.

23. Armas não ferem o Eu, fogo não o queima, águas não o molham, ventos não o ressecam.

24. O Eu não pode ser ferido nem queimado; não pode ser molhado nem ressecado - ele é imortal; não se move nem é movido, e permeia todas as coisas - o Eu é eterno.

25. Para além dos sentidos, para além da mente, para além dos efeitos da dualidade habita o Eu. Pelo que, sabendo que tal é o Eu, por que te entregas à tristeza ó Arjuna?

26. Se o ego está sujeito às vicissitudes de nascer e morrer, nem por isto deves entristecer-te, ó Arjuna.

27. Inevitável é a morte para os que nascem; todo morrer é um nascer - pelo que, não deves entristecer-te por causa do inevitável.

28. Imanifesto é o princípio dos seres; manifesto o seu estado intermediário; e imanifesto é também o seu estado final. Por isto, ó Arjuna, que motivo há para a tristeza?

29. Alguns conhecem o Eu como glorioso; alguns falam dele como glorioso; outros ouvem falar dele como glorioso; e outros, embora ouçam, nada compreendem.

30. Eterno e indestrutível é o Eu, que está sempre presente em cada ser. Por isto, ó Arjuna, não te entristeças com coisa alguma.

Meu comentário pessoal; Na minha experiência e interpretação pessoais, a Realidade Última do Universo (de que somos parte) é eterna, imutável, infinita e engloba tudo, apesar de se manifestar de inúmeras formas, o que às vezes faz com que nos enganemos sobre quem somos de fato.

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Tags: Arjuna, Bhagavad, Gita, Hinduísmo, Krishna, Monismo

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Comentário de FRANCESCO ANDRADE em 9 maio 2019 às 17:46

Este texto tem mais de 2.400 anos...os arianos estavam a nossa frente em espiritualidade e ainda hoje somos deficientes...mas, aproxima-se o tempo em que sairemos desta situação e nos ergueremos...estamos mudando para melhor.

Comentário de sueli rodrigues em 28 outubro 2014 às 8:53

bom dia muito obrigadapaz e luz .

Comentário de Maura Fernandes em 27 outubro 2014 às 19:01

 Já li o livro BHAGAVAD, GITA. e eu tinha um. Achei muito interessante, e ótimo de ler.

 É compreender é uma arte né? Inclusive tudo é arte, porque sem arte seria muito monótono seria uma porção de gente

sem fazer nada, só a troco de Bolsa família.

fraternal abraço

Maura Fernandes

Obs. Muito boa essa mensagem do Bhagavad, Gita.

Comentário de Vera Gonçalves Bueno de Freitas em 27 outubro 2014 às 17:18

muito bom!!! obrigada por compartilhar!!

Paz, amor e bem!

Comentário de Demerval Mendes Ferreira em 6 fevereiro 2014 às 21:27

Quanto ensinamento em respeito ao "Ser", quanta conformidade em razão da consciencia de unidade e exequibilidade do ente que cada um de nós é na essência que permeia e sustenta toda criação....

Comentário de Dalva Xavier da Silva em 18 janeiro 2014 às 20:15

Ótimo texto, agradeço!

Comentário de Henrique em 16 janeiro 2014 às 18:05

lega l!!!

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