BEM AVENTURADOS OS POBRES PELO ESPÍRITO



Poucas palavras do Evangelho sofreram, através dos séculos, tão grande adulteração e ludíbrio tamanho como estes. Escritores e oradores de fama mundial, e até ministros do Evangelho, aderem à blasfêmia de que o Nazareno tenha proclamado bem -aventurados e cidadãos do reino dos céus os “pobres de espírito”, isto é, os apoucados de inteligênci a, os idiotas e imbecis, os mentalmente medíocres.
Se assim fosse, o próprio Nazareno, riquíssimo de espírito, não faria parte dos bem -aventurados e possuidores do reino dos céus.
Não se sabe o que mais estranhar nessa interpretação, que se tornou proverbial, se a hilariante ignorância dos seus autores, se a revoltante arrogância dos profanadores de uma das mais sublimes mensagens do Cristo.
Nem no texto grego do primeiro século, nem na tradução latina da Vulgata se encontre o tópico “pobres de espírito”, mas sim “pobres pelo espírito”, ou seja, “pobres segundo o espírito” (em grego: tô pneu mati, no terceiro caso, dativo, não no segundo, genitivo; em latim: spiritu, no sexto caso, ablativo não no genitivo). 
Na tradução “de espírito” entende -se o genitivo, como se disséssemos: “fulano é pobre de saúde, de inteligência”, isto é, falta -lhe saúde, inteligência. 

De maneira que nem a gramática nem o espírito geral do Nazareno permitem a tradução “pobres de espírito”, que, no entanto, se tornou abuso quase universal.

FONTE: o SERMÃO DA MONTANHA, Rohden, Huberto - capítulo 2- BEM AVENTURADOS OS POBRES PELO ESPÍRITO

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Comentário de Eliza Maria Barbosa em 20 agosto 2013 às 19:46
Excelente explicação e mais um aprendizado.Gostei! BJS.Paz,amor e luz.

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