Um centro espírita é considerado um local cuja base está assentada nas obras do francês Allan Kardec. As obras a serem estudadas para se entender o Espiritismo e o funcionamento de um centro espírita são O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho segundo o Espiritismo. O centro espírita é um local onde se trabalham os princípios do Espiritismo em sua mais alta expressão.

Alguns chamam os espíritas de “kardecistas”, pois entendem que o Espiritismo abrange algo maior do que a codificação de Kardec. O Espiritismo englobaria outras práticas mediúnicas, como a Umbanda, o Candomblé, o Racionalismo, o Omoloco, algumas formas de magias ritualísticas, etc. Porém, os espíritas rechaçam essa identificação e afirmam a origem do Espiritismo a doutrina de Allan Kardec. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não identifica os espíritas apenas como os seguidores de Kardec, mas também outras denominações, como a Umbanda e o Candomblé. Isso ocorre por que ninguém pode possuir a patente do nome “Espiritismo”, por ser um termo de domínio público. Qualquer grupo que deseje se identificar como “espírita” pode faze-lo livremente.

Há muitas definições diferentes do que seria um centro espírita. Palhano Jr. o define como “local onde os espíritas se reúnem para trabalhos doutrinários, pesquisas, estudos, filantropia, prática da mediunidade e tantas outras propostas de serviço em beneficio da humanidade”. No livro “Conduta Espírita” o espírito André Luiz explica que o centro espírita é o “Local previamente escolhido para encontro com as Forças Superiores”. Mas não apenas o espaço onde se entra em contato com o além e forças superiores, mas principalmente, como diz a FEB (Federação Espírita Brasileira) no livreto “Orientação ao centro espírita” deve ser um “Núcleo de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, com base no evangelho de Jesus, à luz da doutrina espírita”.

Elaborei este resumo das principais atividades de um centro espírita ou espiritualista. Estes tópicos descrevem sucintamente algumas atividades básicas que todo centro espírita ou espiritualista deveria ter. Obviamente não há consenso no meio espírita ou no meio umbandista sobre estas questões. Em nossa visão, um centro espírita que aspire a realização de um bom trabalho deve ao menos conter boa parte das atividades caracterizadas abaixo:

PALESTRAS

Antes de qualquer coisa, um centro espírita ou espiritualista deve ter como uma de suas principais atividades a apresentação da doutrina espírita ou de doutrinas espiritualistas para todos os membros. As palestras são meios eficientes de fazer os ensinamentos chegarem de forma mais rápida e resumida ao público. É necessário ao palestrante dominar bem o conteúdo que expõe. As palestras precisam ser dinâmicas, com exemplos, e não podem ser muito demoradas. O ideal são palestras de 1 hora e no máximo 1 hora e meia. Mais do que isso o oratório se torna desgastante. O palestrante precisa expor as ideias com humildade, sem cultuar seu próprio ego, e principalmente ser um exemplo moral daquilo que ele mesmo ensina. Palestras uma ou duas vezes por semana, dependendo do tamanho do centro, podem ser muito úteis para o público se inteirar com os princípios espíritas ou espiritualistas.

GRUPOS DE ESTUDO

Os centros espíritas ou espiritualistas podem também organizar grupos ou núcleos de estudos abordando temáticas específicas, como, por exemplo, “reencarnação”. Os grupos devem conter um público menor que as palestras. Isso possibilita a troca de ideias, perguntas, questionamentos e acréscimos do tema a ser estudado. O dirigente do grupo de estudo deve ler trechos da obra pesquisada e abrir vez por outra debates a esse respeito. Os debates não devem ser longos, pois o objetivo do estudo é a pesquisa e a troca conjunta de ideias, e não discussões intermináveis sobre divergências que não levam a lugar nenhum. Um centro espírita pode formar um ou vários grupos de estudo, dependendo do seu tamanho e do número de interessados.

PASSE

Passes são emanações fluídicas, realizadas por um operador ou médium, que são transmitidas de uma pessoa a outra através da energia liberadas pelas mãos. O passe é uma atividade importante que serve para purificar os fluidos ou energias dos freqüentadores. É um erro acreditar que o passe seja uma forma de tratamento espírita ou espiritualista que visa a cura. Embora alguns sintomas físicos ou psíquicos podem ser amenizados ou até resolvidos com aplicações constantes de passes individuais ou coletivos, o objetivo do passe não é exatamente a cura de doenças, mas a harmonização física e mental dos membros. O passista deve ter uma vida sem excessos, uma alimentação saudável, uma sexualidade equilibrada e emoções mais ou menos estáveis. Muitas vezes há uma equipe espiritual por detrás do passista oferecendo seu apoio e potencializando as irradiações magnéticas e fluídicas. O passe espírita dispensa o toque físico, pois a limpeza se dá em nível vibratório, na aura ou campo magnético da pessoa. Alguns centros espiritualistas diversificam a forma de ministrar o passe incluindo a purificação dos canais sutis e dos chakras dos atendidos. É necessário ao passista buscar uma harmonização com o plano espiritual superior a fim de tornar suas emanações magnéticas mais eficazes. Não julgamos necessário evitar o ato de cruzar braços e pernas durante o passe. É importante os centros espíritas e espiritualistas orientarem as pessoas a não buscar a solução ou limpeza de tudo no passe, pois a resolução dos nossos problemas só se dará com a reforma íntima, o autoconhecimento e uma vida de caridade, moral e virtudes.

SESSÃO DE DESOBSESSÃO

Todo centro espírita e espiritualista precisa oferecer esta atividade. A desobsessão é o ato de trazer ou revelar a presença de um ou mais espíritos perturbados ou vingativos que estejam de alguma forma atrapalhando ou bloqueando a vida de uma pessoa e encaminhá-los ao plano espiritual superior para tratamento. A desobsessão é uma atividade pública do centro espírita/espiritualista onde cada pessoa é atendida em suas demandas. Esta prática é benéfica ao encarnado, mas eventualmente faz uma diferença mais significativa na vida do desencarnado. Para o desencarnado a desobsessão é muito mais decisiva e pode transformar completamente a sua realidade. Alguns casos de desobsessão têm origem na vida atual, outros parecem ter sua origem em vidas passadas. Existem diversas técnicas que podem ser utilizadas na desobsessão de uma entidade, a que parece ser mais utilizada em centros espíritas é a conscientização do espírito da lei de causa e efeito, ou seja, o reconhecimento das causas e das consequências do ato da obsessão em si. Outro procedimento é a transmissão de uma sabedoria do evangelho, onde o doutrinador fala ao espírito sobre os princípios crísticos que regem a vida, principalmente a máxima “Ama teu próximo como a ti mesmo”. A tendência é que o espírito absorva as recomendações e aceite ser conduzido a um local de tratamento no plano espiritual, ou um hospital no astral superior, sendo conduzido por espíritos de luz. O trabalhador que conduz a sessão desobsessiva chama-se “doutrinador”. Ele orienta a desobsessão da entidade juntamente ao médium, que faz a ponte entre o doutrinador e um ou mais espíritos. O doutrinador precisa ter pleno conhecimento da codificação, ter coragem, uma moral ilibada e uma vida o mais virtuosa e caridosa possível, caso contrário, pode se tornar presa fácil dos obsessores. Ataques espirituais a doutrinadores e médiuns que realizam frequentemente a desobsessão costumam ser mais comuns do que a maioria das pessoas imagina.

PRECES A DISTÂNCIA

Alguns centros espíritas/espiritualistas oferecem aos membros as preces a distância. Alguns freqüentadores possuem parentes, amigos e conhecidos em situações de grave doença, perturbação mental, bloqueios profissionais, problemas afetivos, etc. As preces dirigidas a eles podem ser um alento que alivia a dor da dura provação a que estejam submetidos. Alguns centros mantêm um “Livro de Preces”, onde cada membro deixa o nome de parentes e amigos que necessitem de uma oração de auxílio. Geralmente as anotações são conduzidas a um grupo mediúnico que realiza preces consoladoras, pedindo a Jesus e aos espíritos de luz que auxiliem os encarnados a atravessar com força os desafios de sua existência material. No Espiritismo, o termo “reza” é pouco usado, o mais comum é se falar em oração ou mesmo prece. A prece deve ser sempre realizada com o coração e com fé numa realidade transcendente e divina. O mais recomendável é que a oração seja feita sem fórmulas prontas, repetidas ou mecânicas, mas a repetição de uma prece conhecida, como o Pai Nosso, a Prece de Cáritas ou a Oração de São Francisco de Assis também são muito positivas quando realizadas com fé e sentimentos elevados. A prece pode ser emanada para encarnados ou desencarnados. É conhecido no Espiritismo o fato de que os espíritos recém falecidos sentem as irradiações fluídicas que a eles são direcionadas. O efeito benéfico que a prece exerce sobre os desencarnados costuma ser maior do que nos encarnados. Isso ocorre por que os espíritos não têm corpo físico, e por esse motivo, são muito mais sensíveis às vibrações e mentalizações.

CONSULTA AOS GUIAS ESPIRITUAIS

Boa parte dos centros espíritas brasileiros não realiza esta atividade. A consulta aos guias é mais comum na Umbanda e em centros espiritualistas diversificados. Os guias espirituais na Umbanda são espíritos vinculados a uma corrente ou faixa de vibração específica, que representa uma especialização de atividade a ser desenvolvida. Os guias rebaixam sua própria vibração perispiritual para virem em socorro dos encarnados. Não se fazem oferendas com presentes materiais aos guias, posto que, pela sua condição de elevação espiritual, já se despojaram dos prazeres mundanos inferiores. Ela funciona da seguinte forma: numa sala, vários médiuns recebem entidades diversas, geralmente entidades associadas a Umbanda, como Pretos-Velhos, Índios, Caboclos, Crianças, Marinheiros, etc. Em cada sessão há uma falange diferente a ser consultada. Os frequentadores fazem fila e aguardam a sua vez de conversar com o guia. Cada pessoa terá um assunto diferente a ser tratado com o guia. Alguns falam sobre a vida financeira, vida familiar, relacionamentos, doenças, conflitos, etc. O guia vai procurar aconselhar a pessoa dentro do seu nível de entendimento e de acordo com a lição que necessite aprender. Vale lembrar que nem no Kardecismo e nem na Umbanda há sacrifício de animais a guias espirituais. Ambos não aprovam esta prática.

ATENDIMENTO FRATERNO

Trata-se do atendimento individual que se dá aos freqüentadores necessitados de auxílio. É um trabalho de receber pessoas, ouvir suas demandas, consolar suas dores, dar algumas orientações doutrinárias, explicar o funcionamento do centro e encaminha-la a uma atividade específica: palestras, passe, desobsessão, etc. O freqüentador, às vezes recém chegado, coloca suas queixas, dúvidas, dificuldades e sofrimentos para o entrevistador, que realiza uma série de procedimentos que visam acalma-lo, aconselha-lo e informa-lo sobre o centro e a doutrina espírita. Toda sessão de atendimento fraterno tem caráter sigiloso. Há cursos de formação nos centros espíritas que capacitam bons entrevistadores na prática do atendimento fraterno.

Autor: Hugo Lapa

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