Ainda não foi dada a última palavra sobre a INTELIGÊNCIA DOS CÃES !

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“Ainda não foi dita a última palavra sobre a inteligência
dos cães, escreve ao jornal Itália um oficial do exército italiano. Um
curioso episódio de roubo à mão armada, cuja exatidão podemos
garantir, disso nos forneceu uma nova prova.
“Numa das últimas operações militares destinadas a
purgar as províncias napolitanas da pilhagem, o esquadrão do
capitão*** se dirigia silenciosamente à noite para um pequeno
bosque, que informações muito seguras e precisas indicavam como
refúgio habitual de um bando de salteadores.
“Quase ao romper do dia, nossos cavaleiros, que
tiveram o cuidado de abafar o ruído de suas armas e os cascos de
seus cavalos, se encontravam a pequena distância do local
designado quando, de repente, um pequeno cão, evidentemente do
bando de malandros e que se mantinha imóvel na entrada do
bosque, de olhar inquieto, orelhas empinadas e altivamente postado
sobre as patas, pôs-se a latir com todas as suas forças.
“O alerta estava dado; e quando o esquadrão entrou no
matagal, traços recentes e irrecusáveis testemunhavam a fuga
precipitada e desordenada de uma tropa de bandidos a cavalo.
“O capitão morde o bigode e, num acesso de mau
humor fácil de compreender, resmungando entre os dentes, disse:
‘Maldito cão!’, tomou seu revólver e apontou para o infeliz
REVISTA ESPÍRITA
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sentinela dos bandidos, que acompanhava o esquadrão latindo cada
vez mais.
“O tiro é dado, o cão rola na poeira, levanta-se para
depois cair, soltando gritos plangentes, barriga para cima, patas no
ar, rígido, imóvel.
“O esquadrão retoma sua marcha sem grande
esperança de rever os assaltantes; mas, ao cabo de um bom quarto
de hora, qual não foi a surpresa do capitão ao ver o fantasma do
cão, ou, melhor dizendo, o próprio cão, que ele julgava morto e
bem morto, em trotes curtos, ao lado do esquadrão, dissimulandose
atrás das árvores e das altas ramagens, espiando a marcha e a
direção da tropa, cumprindo até o fim sua missão de sentinela
avançada!
“Muito admirado, o capitão o chama; o cão, a despeito
da acolhida pouco graciosa que recebera pouco antes, aproxima-se,
alegre. Apalpam-no, examinam-no; nem um só arranhão, nem uma
mecha de seu pelo queimada ou sequer chamuscada.
“Não restava dúvida: o cão tinha representado uma
comédia, com talento e sucesso dignos do maior interesse.
“Sua inteligência, seu jeito manhoso conquistaram a
graça dos soldados, que o acariciavam e com ele dividiam suas
provisões.
“Apressemo-nos em dizer que ele se mostrou sensível e
reconhecido a essas boas maneiras: não mais deixou o esquadrão e
se tornou amigo e companheiro dos soldados.
“Além disso, voltando atrás em suas simpatias e
veleidades bandidas, e convertido inteiramente às idéias de ordem e
de respeito à lei, agora ele é o mais fino caçador de salteadores e,
por conseguinte, seu mais temível e encarniçado inimigo.”

revista espírita 1869

Exibições: 190

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