Os dias que longe vão levam-me à triste lembrança de meu afastamento obrigatório, através do aborto.
Ainda me recordo daquela noite, em que às pressas fui convocado para reencarnar, porque uma inexperiente jovem acabara de se entregar aos braços de um rapaz que tanto amava.
O amor se realizara fecundo fora o óvulo na presença da vida, e a concepção se faziam e eu, de uma forma repentina, me via ligado àquela criatura que me receberia em seus braços, como filho querido.
Dias, semanas e meses se passaram. Agora, nada mais dava para esconder. A notícia chegara ao conhecimento dos familiares que seriam meus avós maternos, e, por não quererem ver a família passar diante da sociedade por esse ato vergonhoso, obrigaram aquela jovem futura mãezinha abortar-me.
Duas escolhas lhe propuseram: o aborto ou rua!
A inexperiente jovem, sem saber o que fazer, sozinha, diante de tão triste situação, porque já amava o pequenino feto que se desenvolvia dentro de suas entranhas, derramava lágrimas copiosas.
Não faltou, porém, quem não a aconselhasse: quase todos tinham a mesma opinião, parentes, vizinhos e amigos.
“Vamos, menina, o que você está esperando? Vá logo abortar essa criança, para que a mesma não venha ser a vergonha de sua tão honrada família”.
E, assim, na calada noite, senti frios aços vindo de encontro a mim, impulsionados pelas mãos de uma parteira curiosa, expulsando-me sem piedade.
E aqui termino mais um triste episódio da curta vida de um feto que foi denominado,
“A Vergonha”
Livro: Os abortados
Livro: Os abortados por Nércio Antonio Alves / espíritos diversos

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Comentário de Paula Maria Damas da Silva Rocha em 8 outubro 2013 às 0:03

É triste a mentalidade de algumas pessoas... mas quem sou eu para julgar... E sei lá eu o que fiz em reeencarnações passadas...

Há uns anos atrás estava eu, num centro espírita, muito tristonha, falando em silêncio com Deus e a pedir para ficar grávida, pois estava a ser muito difícil, inclusive com tratamentos de infertilidade, e quando a médium começou a falar disse que havia pessoas ali na sala que queriam muito ter filhos mas que numa vida anterior tinha feito muitos abortos... mas para não se preocupar que iria conseguir.

Foi verdade, passado pouco tempo eu estava grávida. Mas para minha tristeza a gravidez não foi avante. Eu tinha feito um exame com uma substância radioativa sem saber que estava grávida... Foi muito triste para mim andar semana a semana a fazer exames para ver se a gravidez progredia e nada... Às 12 semanas a minha médica disse que tinha de fazer uma raspagem porque já não havia qualquer hipótese...

Passado um ano tornei a fazer o mesmo exame. Fiz no dia anterior o teste de gravidez e deu negativo. No hospital quiseram se certificar de que realmente eu não estava grávida e fizeram-me análises ao sangue e deram negativo... mas eu estava grávida, como fiquei a saber passado uns dias... chorei tanto... outra vez a mesma situação... paciência, tinha de tornar a passar por tudo outra vez. Mas Deus não deixou que eu passasse por tudo aquilo porque o coraçãozinho do meu bébe começou a bater. O médico que me fez o exame queria que eu abortasse, dizia ele que era rapidinho, que era o melhor, pois não sabiam muito bem quais seriam as consequências da substância radioativa para o feto... mas eu achei que se o pequenino ser estava vivo não era eu que ia matá-lo... nascesse ele como nascesse. Deus tinha me dado aquele presente e sou muito grata pelo ser que ele me enviou para eu cuidar pois é um ser maravilhoso, lindo em todos os sentidos. Obrigada! Obrigada! Obrigada!

Comentário de marilu salete xavier bernardes em 4 outubro 2013 às 21:13

Tema bastante atual,acho que deveria ser bem divulgado ,vou compartilhar,pois é uma lástima que nossas meninas modernas de hoje,façam uso sim dessa ferramenta,ou seja ABORTAR, onde tantos desejariam ter mais filhos,ou um pelo menos,onde mães lutam desesperadamente para engravidarem sem conseguir,e deparamos com esse quadro de dor e sofrimento ,de espiritos que foram arrancados do útero materno.......essa é a maior ironia!  obrigada pelo tema amiga, Marilu.

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