A REENCARNAÇÃO FORTALECE OS LAÇOS DE FAMÍLIA, visão da Doutrina Espírita - O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, 1864


18.  
Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.
       No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses
Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de
uma viagem. Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo
adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.
      Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões. Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.
      Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem. Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre. No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.


19.    A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou, Daí vem que, falando-se de alguém cujo caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de
Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contacto dos bons e por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatizas se esvaem. E desse modo que se opera a fusão das diferentes categorias de Espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.


20.    O temor de que a parentela aumente indefinidamente, em conseqüência da reencarnação, é de fundo egoístico: prova, naquele que o sente, falta de amor bastante amplo para abranger grande número de pessoas. Um pai, que tem muitos filhos, ama-os menos do que amaria a um deles, se fosse único? Mas, tranqüilizem-se os egoístas: não há fundamento para semelhante temor. Do fato de um homem ter tido dez encarnações, não se segue que vá encontrar, no mundo dos Espíritos, dez pais, dez mães, dez mulheres e um número proporcional de filhos e de parentes novos. Lá encontrará sempre os que foram objeto da sua afeição, os quais se lhe terão ligado na Terra, a títulos diversos, e, talvez, sob o mesmo título.


21.    Vejamos agora as conseqüências da doutrina antireencarcionista. Ela, necessariamente, anula a preexistência da alma. Sendo estas criadas ao mesmo tempo que os corpos, nenhum laço anterior há entre elas, que, nesse caso, serão completamente estranhas umas às outras. O pai é estranho a seu filho. A filiação das famílias fica assim reduzida à só filiação corporal, sem qualquer laço espiritual. Não há então motivo algum para quem quer que seja glorificar-se de haver tido por antepassados tais ou tais personagens ilustres. Com a reencarnação, ascendentes e descendentes podem já se terem conhecido, vivido juntos, amado, e podem reunir-se mais tarde, a fim de apertarem entre si os laços de simpatia.


22.    Isso quanto ao passado. Quanto ao futuro, segundo um dos dogmas fundamentais que decorrem da não-reencarnação, a sorte das almas se acha irrevogavelmente determinada,
após uma só existência. A fixação definitiva da sorte implica a cessação de todo progresso, pois desde que haja qualquer progresso já não há sorte definitiva. Conforme tenham vivido
bem ou mal, elas vão imediatamente para a mansão dos bem-aventurados, ou para o inferno eterno. Ficam assim, imediatamente e para sempre, separadas e sem esperança de tornarem a juntar-se, de forma que pais, mães e filhos, mandos e mulheres, irmãos, irmãs e amigos jamais podem estar certos de se verem novamente; é a ruptura absoluta dos laços de família.
      Com a reencarnação e progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram. Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e os desencarnados, e, daí, estreitamento dos laços de afeição.


23.    Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro de além-túmulo: 1ª, o nada, de acordo com a doutrina materialista; 2ª, a absorção no todo universal, de acordo com a doutrina panteísta; 3ª, a individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja; 4ª, a individualidade, com progressão indefinita, conforme a Doutrina Espírita. Segundo as duas primeiras, os laços de família se rompem por ocasião da morte e nenhuma esperança resta às almas de se encontrarem futuramente. Com a terceira, há para elas a possibilidade de se tornarem a ver, desde que sigam para a mesma região, que tanto pode ser o inferno como o paraíso. Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa, há a certeza na continuidade das relações entre os que se amaram, e é isso o que constitui a verdadeira família.

do livro O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO por ALLAN KARDEC, capítulo IV - NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO - itens 18, 19, 20, 21, 22 e 23

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Comentário de Nadja Regina de Oliveira Prado em 25 maio 2012 às 22:22

A Reencarnação  é um processo pelo qual os espíritos podem resgatar suas dívidas e fortalecer seus laços, porém a vivência no plano terrestre não é fácil, requer muita, mas muita perseverança! No entanto, quem consegue visualizar a possibilidade de evoluir espiritualmente e ter plena certeza dos benefícios que isso traz de modo individual/coletivo, sem dúvida, encara os desafios com maior  positividade.

Comentário de Claudia Elaine Bentubo em 10 maio 2012 às 23:35

Sim, a reencarnação fortalece os laços afetivos, abre espaço para revermos certos comportamentos e nos dá a chance de mudá-los. Este planeta é apenas uma estação de aperfeiçoamento, portanto, saibamos aproveitá-la!
Namastê!

Comentário de Cleide Miquelina Alves Gomes em 10 maio 2012 às 15:13

então tem alguma coisa errada comigo e a família q eu tive, ninguém tinha nada a ver comigo, é como se eu cai alí por engano, credo não nada a ver.

Comentário de Cristiane Henrique em 10 maio 2012 às 9:43

Fico muito feliz por ser merecedora do conhecimento que a Doutrina Espírita me transmite!

Acredito vigorosamente, que a verdadeira imortalidade é a de nossas almas e que, portanto, os laços amorosos com a família e amigos, são enternos!

Um bom dia à todos!

Comentário de lorena leite lustosa em 9 maio 2012 às 16:49
otima mensagem para mim, acabei de descobrir q estou gravida,perdi temporariamente pessoas q amava aqui na terra e muito importante para mim esperar q de alguma forma eles possam retornar...
Comentário de placido floriano em 9 maio 2012 às 14:03

puxa q legal gostei muinto!

Comentário de Mário Osorio Portugal em 9 maio 2012 às 11:27

Muito legal!!! Os laços Familiares são eternos!!! Assim Seja!!!

Comentário de PAULO GALDINO COELHO em 9 maio 2012 às 10:25

O fortalecimento da família, não só como instituição mas acima e antes de tudo pelo AMOR e UNIÃO da alma, do espírito. Acredito mesmo que nos nossos tempos atuais pouco se faz pela família, muitos desagregam e ignoram essa unidade. E é onde devemos atuar visando o fortalecimento desses laços. Está na leitura constante desses ensinamentos e na oração as nossas atitudes necessárias. EXCELENTE TEXTO. Precisamos ler e refletir muito sobre esse ensinamento. PARABÉNS.

Comentário de cristovam aguiar pimenta em 9 maio 2012 às 7:50

a reencarnação só fortalece os laços com a familia, é uma belíssima oportunidade de corrigir erros de encarnações passadas, é uma dádiva do nosso criador para com os seus filhos,  como a maioria dos seres humanos que habitam o planeta terra não acreditam, não entendem nada, novos conflitos são gerados, novas reencarnações são preparadas, e aí vão milhares de anos para fazer uma correção, as vezes tão simples, tão clara, tão singela, por isso devemos estudar,pesquisar sobre o mundo espiritual.

Comentário de Izidro Pinto Lins Caldas em 9 maio 2012 às 6:30

Excelente.

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