A profética mensagem de Neio Lucio em 1945 - Psicografia Chico Xavier


O Brasil parou no mês de junho para assistir a um novo fenômeno social – a “Revolta dos 20 centavos”, ou “Revolução do Vinagre”, mostrou a disposição da sociedade brasileira em exigir um País melhor. Mostrou nossa intolerância com a corrupção e a falta de valores que comprometem todas as instâncias de poder.

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 Diferentemente do “Fora Collor” ou das “Diretas Já”, o povo foi às ruas sem bandeiras partidárias ou sem lideranças personificadas. É um novo momento na História do Brasil, que está fazendo a comprometida classe política sentir que o povo não suporta mais esse estado de coisas – bem próprio de um planeta em transição.

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 Popularmente, o povo brasileiro destacou frases como “Vem pra rua!” e “O gigante acordou!”, lutando para ser ouvido. Como toda a luz se faz rodeada pela sombra, houve também a atuação de grupos radicais e inaceitáveis atos de vandalismo – sem falar na truculenta reação policial dos primeiros dias, mostrando governos totalmente despreparados para entender a soberania popular e o que de fato, estava se desenhando nas ruas.

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Para colaborar com a reflexão, Chico Xavier parece ter sido profético. Ou melhor, o Espírito Néio Lucio, que numa mensagem do livro “Sementeira de Luz” (Editora Vinha de Luz) parece antecipar o que estaria (ou está) por vir na Pátria Brasileira. Na mensagem, de 5 de dezembro de 1945, o autor espiritual fala em “onda de renovação”, ao tratar a conjuntura brasileira, e revela que desde 1939, o Brasil esteve como um “grande lar”, sagrado e acolhedor, porém “fechado por defesas magnéticas do Plano Espiritual” que somente "se abriram em 1945”. “Sofreremos muito ainda para consolidar os alicerces da verdadeira democracia. Aliás, isso é natural. Os países mais idosos na experiência do “governo do povo, pelo povo e para o povo” foram compelidos a pesados esforços coletivos para ambientá-lo”, assevera o mentor, destacando ainda que, naquela altura da situação espiritual do País, já era “hora de modificações supremas, de renovação dos caminhos, de revisão dos roteiros”.

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 Na ocasião, Neio Lucio sentenciou que, a partir da posição do Brasil no plano dos desencarnados, os poucos anos que correram de 1889 a 1945 são “frações mínimas de tempo” – e o mesmo poder-se-ia dizer de 1945 até 2013, já que para a Espiritualidade Superior, séculos são simples lampejos na fração do tempo, que pertence a Deus. “Adicione-se a isso”, segue o mentor, “o impulso inato de liberdade dos brasileiros, de liberdade de direitos com limitação de deveres e reconheceremos que nos resta fazer muito na ossificação do ‘gigante’ nacional”. Nesse trecho, de forma impactante, Neio Lucio já faz sua citação ao “gigante”, em analogia ao Brasil e aos dias atuais, quando a frase de ordem é mesmo “o gigante acordou”.

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Também na intrigante mensagem, Neio Lucio deixa a todos duas outras frases que merecem maior reflexão de parte do movimento espírita: “o país sofrerá todas as modificações em curso nas outras nações do globo”, e, por fim, “é lastimável a perturbação geral oriunda do nosso excesso de bem-estar”. Estejamos, portanto, atentos a essa visão profética de Chico Xavier e seus mentores. Oremos, vigiemos e vibremos pelo Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Confira a mensagem completa 

“Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, como sempre, são os nossos votos, desejando-lhes muita saúde e paz, extensivas ao nosso caro Chico Guimarães. Seguimos, com interesse, o comentário de vocês relativamente à situação política do nosso país, situação repleta de problemas intricados e complexos em face da onda de renovação. 

Desde 1939, o Brasil esteve como um “grande lar”, sagrado e acolhedor, porém fechado por defesas magnéticas do Plano espiritual que somente se abriram agora, em 1945, em se modificando a posição europeia. Fez-se o possível por defender o santuário doméstico da pátria e preservá-lo, contudo, agora, requisita-se dos companheiros encarnados o preciso coeficiente de cooperação. 

O país permanece, frente à frente, com as mil e uma novidades que a última grande guerra trouxe em seu bojo monstruoso. Hora de modificações supremas, de renovação dos caminhos, de revisão dos roteiros. E podem crer que o serviço ainda é de análise, sem ser o trabalho das aplicações práticas que apenas poderá sobrevir, encerrada a fase experimentalista. 

É lastimável a perturbação geral oriunda do nosso excesso de bem-estar. As exigências atuais não nos colhem na situação de esgotamento ou de pauperismo. Não vimos o infortúnio de perto. A necessidade não nos humilhou a economia física. E na zona espiritual do conhecimento, estivemos a distância, como enorme núcleo infantil bem protegido, mercê da Providência Divina. É por isso que não estamos sabendo estabelecer o equilíbrio necessário. Agraciados pela Sublime Misericórdia, ignoramos como aplicar os dons e dádivas recebidos. 

Daí os primórdios da luta política que se esboça em paisagem aparentemente calma. Continuará nossa esfera de ação, cooperando pela tranquilidade brasileira, através de todos os recursos ao nosso alcance. Entretanto, cessada a organização defensiva em outubro último, por força das circunstâncias inelutáveis, a maior quota de serviço e concurso estará afeta aos homens responsáveis. O descontentamento, contudo, é grande. Pelo fato de não possuirmos “infelicidades mesológicas” ou “sociais”, importamos as que flagelam outros países. 

Adquirimos as questões proletárias da Rússia, compramos desvarios políticos da França, buscamos influências dogmáticas de Portugal e da Espanha e, agora, para extirpar enfermidades coletivas que procuramos, com as próprias mãos, pelo gosto da moda, a Nação experimentará talvez dificuldades de vulto. Por nossa vez, avisamos a todos vocês, nossos amigos mais íntimos, para que estejam a postos, a fim de que a segurança espiritual lhes constitua porto legítimo de vida pacífica e construtiva.

Há tantas feras observando as portas que outra atitude não nos deve preocupar acima da noção de vigilância de nossa própria paz. É bem amargo comentar a paisagem atual do Brasil com semelhante aspereza de conceituação, todavia, a sinceridade deve imperar entre aqueles que podem senti-la e aproveitá-la. Sofreremos muito ainda para consolidar os alicerces da verdadeira democracia. Aliás, isso é natural. 

Os países mais idosos na experiência do “governo do povo, pelo povo e para o povo” foram compelidos a pesados esforços coletivos para ambientá-lo. Creiam que, considerados de nossa posição no plano dos desencarnados, os poucos anos que correram de 1889 a esta parte são frações mínimas de tempo. 

Adicione-se a isso o impulso inato de liberdade dos brasileiros, de liberdade de direitos com limitação de deveres e reconheceremos que nos resta fazer muito na ossificação do “gigante” nacional. Em razão disso, encaremos as questões com a preocupação justa, mas sem trair a serenidade que nos deve orientar. Em tais sucessos, é indispensável cultivar o desapego com noção de responsabilidade individual como planta predileta do espírito. 

De outro modo, seria afrontar a ventania arrasadora, entregue à intempérie, sem abrigo de qualquer espécie nos círculos de atividade espontânea da natureza. Foi possível reduzir ao mínimo a quota de sangue do Brasil no grande conflito internacional, mas o país sofrerá todas as modificações em curso nas outras nações do globo. 

Ondas destruidoras e reedificadoras entrecruzam-se, desde o Atlântico ao Pacífico, desde o Brasil ao Japão. É a enorme luta evolutiva! Chegam devagarinho, insensivelmente, como todas as ordens de Deus. Ao fim de certo tempo, contudo, agigantam-se para ser utilizadas com êxito em nosso campo individual. Prossigamos lutando, dividindo o tempo entre a construção das mãos e do coração. Corpo e espírito, materialidade e espiritualidade, hoje e amanhã. 

Felicitamos o Chico Guimarães pelo seu início nos estudos aplicados de magnetismo curador. Acredite, meu amigo, no bem que pode fazer. Lembre-se de que Jesus não o aposentou e que os seus esforços podem beneficiar a muitos. Estimamos a sua cooperação na obra do Abrigo Jesus e admitimos que o seu quadro de possibilidades é extenso e valioso. 

Que Deus o fortifique e o conduza. Agora, despeço-me. Consola-me a certeza de que, em se tratando de política, não o fiz senão com o objetivo de alertá-los. Nosso candidato ainda e sempre é o Cristo, o supremo governador, isso, naturalmente, com o devido respeito ao nome do homem digno, em que vocês e nós acreditamos encontrar as melhores qualidades para dirigir o País. 

É preciso não esquecer que vocês ainda se encontram na Terra e necessitam encontrar a sintonia com aqueles Espíritos mais elevados, a quem o Senhor conferiu o mandato da administração em Seu nome. 

Que Ele nos ajude e inspire sempre. Recebam o carinhoso abraço do papai muito amigo que não os esquece, 

Arthur Joviano (Neio Lúcio) - psicografia de Chico Xavier no livro SEMENTEIRA DE LUZ - 

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