“- Qual a mais meritória de todas as virtudes?       Todas as virtudes tem o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do bem.... mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória das virtudes é aquela que se baseia na caridade mais desinteressada. ( Questão 893, de “ O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec).
       Jesus em sua notória e reconhecida sabedoria ensinou aos homens  que “a mão esquerda não deve saber o que faz a direita” , numa clara demonstração de que jamais podemos contar os possíveis benefícios que fazemos aos nossos irmãos do caminho.       

      O desinteresse pessoal deve nortear as nossas ações no bem, pois só assim estaremos agindo de acordo com as lições inesquecíveis do Mestre.       

      Aquele que atua na direção dos necessitados contabilizando suas atividades movimenta-se alimentado pelos sentimentos da vaidade e da presunção. A verdadeira caridade reveste-se de desprendimento e real desejo em servir, sem esperar qualquer tipo de recompensa.       

      Ao nosso lado segue um grande cortejo de criaturas que sofrem amargamente pelos escabrosos trilhos do mundo. Muitas vezes mãos silenciosas se estendem em nossa direção implorando por socorro e comiseração. Precisamos ter olhos de ver e ouvidos de ouvir o lamento surdo que se expressa no semblante abatido daqueles que agonizam no desespero.       

     Não fiquemos parados com os braços inertes. A dor do nosso irmão, pelo principio da fraternidade, precisa nos incomodar, de tal maneira que sintamos a premente necessidade de movimentar recursos visando minorar, pelo menos um pouco,   a penosa situação dos menos favorecidos.       

     Um pedaço de pão, um prato de sopa ou qualquer refeição além de silenciar o estomago do faminto que sofre pela estrada, serve também como mensagem de esperança para que continue acreditando em dias melhores.        

     Uma peça de roupa, um agasalho ou um pequeno cobertor resolve o problema do frio que agride o corpo, as vezes frágil de uma criança ou de idoso, além de noticiar  que a solidariedade e o altruísmo imperam no mundo, mesmo que em doses ainda pequenas.       

     Um caderno, uma revista ou um livro ofertado ao estudante sem recursos ajuda a matar sua sede de conhecimentos, enquanto transmite a informação de que ele não está isolado ou esquecido no seio da multidão.        

     Um gesto de carinho, uma palavra amiga ou instantes de atenção contribuem muito para a afetividade de quem segue seus passos pelas veredas do abandono, além de carregar a mensagem de que a providência divina a ninguém desampara.       

     Horas de trabalhos voluntários, desejos de edificar uma sociedade mais justa, fraterna e humana e a firme decisão de amar sem pedir nada em troca, levantam o ânimo dos abatidos e  mostram o prenuncio  de um nova época onde o bem existirá em maior quantidade que o mal.       

      A criatura que faz o bem sem segundas intenções não terá dificuldade alguma em trabalhar, no limite de suas forças, de forma totalmente desinteressada. Seguidora do Cristo, certamente terá compreendido a profundidade da mensagem cristã, pois que Jesus foi o modelo maior de amor, solidariedade, dedicação e  desprendimento que a Terra já conheceu, pois foi capaz de afirmar, no momento extremo da sua vida aqui no planeta, quando recebia todo tipo de ingratidão que os homens puderam apresentar: “ Pai, perdoar-lhes eles não sabem o que fazem” .        Sejamos caridosos, fazendo o bem da forma mais desinteressada possível, essa será, sem dúvida, uma virtude de mérito. Reflitamos.

 W.A.Cuin

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Comentário de karen fabiola navarro sotomayor em 5 maio 2014 às 9:12
Muitas vezes o ato de doar limita-se ao financeiro e devemos lembrar sempre de nosso tempo, palavras,sorriso ...bom dia e uma otima semana a todos
Comentário de sueli rodrigues em 3 maio 2014 às 13:23

linda mensagem Nilza paz e luz ..

Comentário de Inacio Queiroz em 2 maio 2014 às 11:58

A espiritualidade nos diz que o serviço desinteressado é um dos artigos mais raros que existe em nosso degrau evolutivo.
Eu consigo entender bem isso, visto que a pessoa que se esforça, espera, ao menos, um olhar agradecido e bondoso para si mesma.
Isso já é uma recompensa.
E faz parte de nossa infância emocional ser querido ou ter algum reconhecimento.

Vi um texto onde Francisco de Assis viajava em serviço com um irmão. (Acho que com Frei Leão)
Após dias de frio, fome e desgaste na estrada, chegando perto do destino, o irmão diz:
- Ficarei muito feliz ao chegar e ter uma refeição e uma cama para deitar.
E Francisco replica:
- Mas se formos recebidos e expulsos com paus e pedras e ainda assim ficarmos em paz, aí sim seremos muito mais felizes.

Eu fiquei chocado quando li isso.
Mas, depois, compreendi. Quando não se espera nem um mínimo, não há como sair de nossa felicidade.
Não tem mais nada o que perder ou deixar de ganhar.

Claro, enquanto não conseguirmos isso, deveremos nos perdoar por ser quem somos e continuar no esforço da Caridade.
Servir a quem nada pode nos oferecer é um GRANDE treino para aprendermos a servir sem nada esperar de verdade.

Abração e obrigado pela excelente reflexão.

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