Unificação e integridade do ser humano

Por que a fragmentação é moeda corrente da nossa atualidade? Por que razão tendemos a seccionar – não só nosso conhecimento, o que pode ser útil até certo ponto – toda nossa vida em partes ou em partes de partes? Por que nossa agenda cheia não para de nos dar ordens e parece que temos a sensação de precisar agendar até a hora de ir no banheiro?
O sentido desse problema é que não damos a devida atenção a exercícios espirituais – como a meditação e a oração – que nos possibilitariam a criação de uma consciência original. Como disse, essa consciência é original, sempre esteve conosco e, portanto, trata-se antes de reconhecimento do que de conhecimento. Reconhecer-se é tarefa árdua e complexa. Mas Deus nos deu uma ferramenta muito útil que, no entanto, pouco usamos: o outro. Se nos reconhecêssemos no outro, saberíamos que a mesma fonte de luz que nos banha, banha o outro também. E não é só isso, nossos semelhantes são nossos espelhos também, muitas vezes. Quando estamos conectados com a graça divina, o Divino Espírito Santo, um sem número de vezes dizemos coisas que servem para aquela determinada pessoa, naquela determinada situação e naquele tempo determinado cuja sincronia é perfeita e também ouvimos das pessoas que encontramos coisas perfeitamente ajustadas à nossa pessoa, à nossa situação e ao nosso momento no tempo.
Por vezes, tal sincronia ocorre mesmo quando não estamos em sintonia com o divino. A inteireza tão ansiada por quem já conhece o caminho espiritual pode ser ansiada – e efetivamente o é – por quem não conhece ou não pratica o caminho. Qual a diferença? A diferença é que quem está no caminho espiritual verdadeiro não só anseia, não apenas clama por essa inteireza unitiva eterna, porém o faz através de palavras, através de gestos e através de atitudes de paz. A paz é a pedra de toque do homem de boa vontade. Nada é feito pelo homem dessa natureza sem ter-se a paz como referência e, é claro, muito menos, fazer algo pela plenitude na vida sem estar utilizando aquela determinada palavra, ação ou atitude de paz, sem ter-se a paz como estímulo e dinâmica desde o começo, passando pelo meio, até o fim.
Em suma, uma existência de unidade pressupõe intuição mística, pressupõe ascese espiritual e pressupõe esforço em práticas sagradas. Contudo, pressupõe, sobretudo, reconciliação, diálogo e perdão; em última análise, paz, compromisso com a paz.
Que saibamos fomentar a cultura da paz, conforme nos diz a própria igreja católica apostólica romana, que saibamos fomentar a cultura do bom relacionamento entre pessoas, nações, povos e religiões é de fundamental importância para alcançarmos a plenitude, a unificação e a integridade do ser humano em todos os aspectos, instâncias e níveis. Paz e luz.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

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