Ética para o Mundo de Regeneração

 Abordamos neste artigo o tema “ética e moral” praticamente como sinônimos, diferenciando apenas ética como o estudo do comportamento humano e moral como a prática, a conduta. É de consenso geral a importância da ética nos relacionamentos.

A ciência sem moral criou a bomba atômica e as armas de destruição em massa; a filosofia sem moral produziu o niilismo, o nazismo e o fascismo; a religião sem moral conduziu o homem para o fanatismo, as cruzadas, a Inquisição e as “guerras santas”.

Os benfeitores respondem a Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (questão 629)¹ que moral é a regra do bem proceder (moral), saber distinguir o bem do mal (ética), a observância das leis de Deus (ética), resumindo que: o homem procede bem quando faz de tudo pelo bem de todos (moral). Mais adiante (LE, questão 895), afirmam que o sinal mais característico da imperfeição é o interesse pessoal e que o Espírito demonstra a sua inferioridade quando tem demasiado apego às coisas materiais.

Dessa forma, observamos que a evolução da humanidade e a construção do mundo de regeneração passarão, inevitavelmente, pelo processo de educação dos sentimentos e edificação da ética nas relações interpessoais. Somente quando os interesses do outro tenham tanta importância quanto os meus é que as relações serão saudáveis.

Percebe-se assim uma intensa relação entre espiritualidade e ética e o necessário exercício da abnegação e de uma preocupação com o próximo.

A paz passa a ter um significando mais profundo, deixando de ser apenas a ausência de guerras, mas um estado de tranquilidade e harmonia, baseada na segurança proporcionada pela tolerância e compreensão mútua entre pontos de vista diferentes, o respeito pelo outro e a prática inequívoca dos direitos e deveres.

Como saber se uma ação é ética?

Há duas questões envolvidas:

1) Natureza da ação. Esta ação é boa, produz o bem sem prejudicar a ninguém? 2) Intencionalidade da ação. A intenção de quem está agindo é nobre?

Existem ações de boa natureza, mas com intenções más. Ex.: fazer a caridade para ser reconhecido pelos outros. Também existem ações más com boas intenções. Ex.: o estudante passar “cola” para o colega que não pode estudar porque estava trabalhando. Porém, ambas são ações não éticas. Quando a origem da força motivadora da ação é sadia, a natureza e a intencionalidade são sadias, automaticamente, se passa a contribuir para o bem-estar dos outros. Sob esse ponto de vista, o resultado da ação é o fator que tem menos importância.

A educação da ética

Educar-se visando obter princípios éticos começa pela fase de contenção. É necessário, primeiramente, a identificação das emoções aflitivas, como sentimentos inúteis e prejudiciais. Passar a ver a inveja, o orgulho o egoísmo, o desejo de poder, de ter o controle de tudo como algo negativo que não se deseja mais sentir, e procurar conter esses sentimentos. Conter não significa negar, mas adotar de forma deliberada uma disciplina mental que se baseie nas vantagens de agir de outro modo. “Não fazer ao outro o que não gostaria que lhe fizessem.”

O segundo passo se inicia, concomitantemente com o primeiro, em ações baseadas em virtudes. É a ação altruísta, de consideração com o bem-estar do próximo. É o cultivo, reforço e prática do amor, compaixão, paciência, tolerância, humildade. “Fazer ao outro o que gostaria que lhe fizessem.” Devemos destacar que os valores humanos e a questão ética/moral não tem somente cunho filosófico/religioso, mas são questões de sobrevivência da humanidade.

Enquanto o interesse pessoal continuar acima do interesse comum, o egoísmo do ser humano fará com que o próprio planeta esgote suas reservas naturais na satisfação individual, comprometendo a existência da humanidade. Quando o ser humano passar a pensar mais no coletivo, todos se beneficiarão e os recursos serão utilizados de forma mais racional e autossustentável. 

Luis Roberto Scholl
Trabalhador do Movimento Espírita,
vinculado ao G. E. Seara do Mestre (Santo
Ângelo/RS), articulista do Seara Espírita,
palestrante, presidente do CRE 8.

REFERÊNCIA

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. Especial Sesquicentenário. Rio de Janeiro: Ed. FEB. 2007.

Diálogo Espírita

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Uma boa dissertação, sem dúvida. Muito instrutiva para nossa orientação. Todavia, será de bom alvitre considerarmos o seguinte: ainda que essas regras pareçam tão simples, não é fácil dizer: - Quando o Mestre ler em meu coração, encontrá-lo-á livre de toda impureza do egoismo! Isto porque o ser humano encontra em si mesmo, em sua constituição, todos os obstáculos do Caminho.

Para evitarmos agir com pragmatismo ou intelectualismo no Bem, o que é uma forma de egoismo, devemos deixar que as forças superiores fluam naturalmente em nós como um manancial de amor, o que conseguimos indubitavelmente aplicando-nos com devoção ao cumprimento do nosso Dever.

Não devemos deixar-nos tensionar por essa preocupação mórbida de praticar a caridade, pois, em verdade, quando o trabalhador está pronto, o serviço não aparece.  A Divindade tem sempre uma tarefa reservada para nós quando chega o momento. É para isso que devemos nos conservar atentos.  .

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