Era manhã de segunda-feira. Eu devia ter uns 13 pra 14 anos na época.

Comecei o dia como qualquer outro. Acordei as 5:30 e fui tomar banho, escovar os dentes, me vestir e tomar café. Até aí, nada de mais, isso todo mundo faz todo dia. Foi quando comecei a ver algumas manchinhas no ar. Ignorei, achei que era por causa do sono. Quisera eu que fosse só por causa do sono...

Fui pra escola, normalmente. Meu tio foi me deixar de carro. E fui pra minha sala, como se nada estivesse pra acontecer. Assim que cheguei na aula, as manchas na minha visão aumentaram, então, achei melhor fechar os olhos e dormir na carteira.

Quando a professora foi me chamar, pra dar minha presença, ela só me sacudiu de leve, e eu caí da carteira. Me levantei com certa dificuldade, mas acho que nem eu mesmo percebi.

E assisti a primeira aula normal. Às 8:15 eu já não me sentia bem, estava tonto, e sentindo minha mão dormente. Mas continuei na aula e isso quase custou minha vida.  Por volta das 8:45 eu já estava com dores horríveis de cabeça e pedi ao professor que me deixasse ir à enfermaria da escola. Chegando na enfermaria, mediram minha pressão. 15/13 Olha que lindo. Eu nem aguentava mais abrir os olhos, quem diria falar algo. Ligaram pra minha casa e me levaram pro hospital.

Assim que saímos do colégio, no carro do meu tio, eu já estava febril e suando frio. O Hospital era um tanto longe, e o caminho levou algum tempo. Nesse tempo, eu desmaiei dentro do carro.

Minha tia estava sentada no banco de trás do carro, e me deitou no colo dela. Ela me abanava e tentava me acordar o tempo todo, ou assim me contaram. Eu lembro de acordar e me levantar. Por sorte, ou por Coincidência, o semáforo estava vermelho, e eu desci do carro. Apenas me encostei em um poste de vomitei. Eu estava tão fraco, que tudo ao meu redor eram borrões.

assim que parei de vomitar, minha tia me pôs de volta dentro do carro, e fomos para o hospital. Chegando lá. minha pressão arterial foi medida novamente. 17/14. Os médicos me levaram pra uma maca, e injetaram algo em mim. Era Quetamina, um medicamento muito forte, que reduz a Adrenalina. Depois disso, fiquei Sete Horas em observação, tomando soro na veia.

E é quando minha tia recebeu a notícia. Eu tinha tido um infarte. Mas meus sinais vitais já estavam estabilizados. Não tive sequelas por que fui atendido à tempo. E recebi alta após mais uma dose de Quetamina. Não cheguei a ter a Experiência de Quase-Morte, mas senti um frio, e ao mesmo tempo um calor, que nunca havia sentido na minha vida. Vi minha vida passar por mim como um filme. Mas, sobrevivi.

Passaram duas semanas depois disso, e tudo se repetiu. Mas dessa vez, eu não sentí mais tanto medo. Só a dor do infarte, e o mesmo problema.

Adotaram o mesmo procedimento anterior e fui liberado. Meu cardiologista disse logo a frase "Não sei se ele é tão birrento que quer teimar com a morte, ou se ele realmente quer viver, mas esse garoto me impressionou." Minha tia tomou como um elogio. Olhando agora, eu não deveria ter lutado tanto.

Dois meses sem nada acontecer, e eu tive uma crise de pânico. Bom, foi isso que constou no meu prontuário. Essa foi a Terceira Vez que lutei contra a Morte. Da terceira, tive a chance de vê-la por um breve momento. Não tenho certeza se realmente vi a Morte, ou se foi uma alucinação, mas vi claramente uma menina, parecida com uma criança, de vestidinho branco, e cabelos loiros e curtos. Ela só estava sorrindo e olhando pra mim.

Quando contei isso aos médicos, assim que me recuperei. eles disseram que era impossível, pois eu estava sozinho, e o meu quarto estava trancado, pois eu estava em observação.

E até mesmo as fitas de gravação de segurança mostravam que eu estive só por mais de doze horas, ou seja, ou era Realmente Ela, ou eu estava piradinho. Até algum tempo, eu preferia acreditar que era só alucinação... Mas o destino prega peças cruéis...

Depois desse dia, passei seis meses saudável. Eu tinha completado 14 anos e estava aproveitando minhas férias. Tudo foi bem até Março do ano seguinte. 

Mais uma vez, eu estava me levantando quando tive aquele trabalhoso dia, novamente.

Não sei o por que, mas algo me prende à vida. É como se eu tentasse morrer e não pudesse...

Três infartes, um ataque de pânico, transtornos psicológicos... CHEGA!

Agora me digam, é Teimosia, idiotice ou coragem teimar com a Morte e viver depois de tudo isso?

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