Outros filósofos italianos

 

Qualquer classificação dos italianos eminentes desse período tem que ser arbitrária.  Eles, em sua maioria, querem aderir à igreja católica, ainda que muitos deles tenham abraçado opiniões em inteira oposição à cristandade.  Quando Sabinus, um amigo de Melancthon estava em Roma, ele visitou o Cardeal Bembo, que perguntou a ele o que Melanchthon pensava da ressurreição do corpo e da vida eterna.  Sabinus respondeu que é evidente dos escritos da Reforma, que defendia essas doutrinas.  “Ah,” disse o Cardeal, “Eu consideraria Philip um homem muito mais perspicaz se ele não tivesse acreditado nessas coisas.”  Quando Vanini estava  na Inglaterra, seu apoio contra a Reforma lhe valeu um ano de prisão.  O famoso Campanella, também, entre todos os seus problemas, tentou ainda aderir à igreja.  Mas a igreja condenou muitos deles como ateístas e o protestantismo aprovou a condenação.  “Ateístas modernos” disse o arcebispo Tillotson, “vieram primeiro da Itália”.  Eles cruzaram os Alpes na França e de lá, vieram à Inglaterra.”

As doutrinas de Bruno foram recebidas com mais ou menos adições ou modificações por muitos eminentes italianos especialmente em Pádua e Florença.  É impossível classifica-los como averroieistas ou como oponentes dos averroeistas, porque alguns ensinavam a filosofia árabe enquanto outros se declaravam opostos a ela; e outros ainda, se diziam averroeistas, significando apenas que eles eram estudantes dos comentários de Aristóteles.  M. Renan enumera entre aqueles averroeistas, no senso comum dos céticos ou inimigos da cristandade, Cisalpini, Cardan, Berigard e Vanini.  Em primeiro lugar, ele diz, “que sua mente era também original e para ser confundida com uma escola que queria originalidade.” Em alguns pontos da sua doutrina, ela é relacionada a Averroes, mas num espírito e maneira que ele, em nenhum modo, pertenceria ao averroeismo de Pádua.  Nicholas Taurel, seu adversário acha sua doutrina “mais absurda e mais impía do que a de Averroes. Cispalni diz, “Não há nada senão uma vida, que está na vida de Deus ou, no espírito universal.  Deus não é a causa eficiente, mas a causa constitutiva do universo.  A inteligência divina é única, mas a inteligência humana é multiplicada de acordo com o número de indivíduos, porque a inteligência humana não é real, mas potencial.”  Cisalpini foi um físico para o Papa e estava presente na queima de Bruno.  Ele escapou à Inquisição, não porque suas doutrinas foram aprovadas, mas porque o método conveniente de professar a renúncia à filosofia fora considerada como perigosa.  “Eu sei bem, “ ele diz, “que todas essas doutrinas são cheias de erros contra a fé e esses erros eu deploro; mas para refutar como missão não era da minha conta.  Eu deixava de questionar os teólogos mais profundamente do que a mim mesmo.”

A doutrina de Cardan não  está fora da analogia com a de Cisalpin.  Todos os espíritos particulares são guardados e virtualmente incluídos no espírito universal, como a semente na planta com a qual é nutrida.  Num de seus tratados que ele compôs, Cardan admite, sem restrição, as hipóteses dos averroeistas da unidade do intelecto.  Num livro posterior ele retratou seu primeiro sentimento e conhecimento, expressamente colocado de que não pode existir uma única inteligência para todos os seres inanimados ou para todos os homens.  Ele mantem lá o que a Inteligência para nós é puramente pessoal e que esses espíritos são distintos aqui embaixo e que serão na outra vida.  Num terceiro escrito, Cardan buscou reconciliar essas duas opiniões antagônicas.  Inteligência, ele dizia, é única, mas pode ser vista por dois pontos de vista – também em sua relação com a existência eterna e absoluta ou em relação com sua manifestação no tempo.  O único, em sua busca, é múltiplo em sua manifestação.

Na individualidade do espírito humano, Berigard é mais ortodoxo do que também Cisalpini ou Cardan.  Seu clamor para ser considerado um averroeista é limitado ao seu ser em alguma medida num descrente da cristandade.  A vontade do espírito da cristandade entre os italianos cultos do tempo da Renascença que preveniu eles de estarem entre os grandes reformadores da igreja.  Foi seriamente proposto ao Papa que o melhor caminho para colocar à baixo a Reforma na Alemanha, eram os escritos que circulavam entre os Neo-platonistas.

Fixar o lugar de Vanini não é fácil.  Como Bruno, ele era excêntrico e não totalmente reverente ao seu discurso.  Com um amor ao paradoxo, e um talento pela disputa, ele tinha inimigos em todo lugar e nunca estava ansioso para fazer amigos.  Em um dos seus “Diálogos”, ele recorda sua prece, com a qual uma vez seu caráter e teologia foram apreciados.  Rezar do seu modo, porque Deus criou o mundo?  Ele resolveu a questão pela famosa escala de Averroes, de acordo com a qual, é necessário que exista um tipo de gradação do menor para o maior, em que Deus é a primeira matéria.  Em Gênova, Vanini quis ensinar de acordo com sua doutrina; mas diz seu biógrafo, “as pessoas não estavam pressupostamente em favor de Averroes e ele foi obrigado a desistir.”  Essas intimações não justificariam em classificar Vanini com Bruno.  Mas a publicação de seus trabalhos apresentou algumas dificuldades.   Ele professava refutar as doutrinas que se acreditava adotar como sua própria crença.  Seu “anfiteatro” foi a defesa da cristandade e da igreja católica contra os filósofos antigos, ateístas, epicuristas, peripatéticos e estóicos.  Tal como fora publicado com a aprovação dos divinos da Sorbonne.  Ele expressamente refuta as teorias averroeistas da eternidade do mundo, da Inteligência, da providência e da unidade das almas; mas a Inquisição pensava ter descoberto que ele não tinha usado os melhores argumentos para defender as doutrinas cristãs, que o que ele professava refutar era sempre a doutrina que ele queria inculcar.  M. Renan, que é severo com Vanini, pensa que essa interpretação do “Anfiteatrum” não era um discernimento querido pela Inquisição.  Eles achavam que ele era culpado de ateísmo, e por isso, como seu irmão padre e filósofo, foi queimado na estaca.

Vanini foi seguramente o mais desafortunado dos homens.  Nenhum autor parece ter tido uma palavra de simpatia por ele; ainda que a ciência tenha tido raramente um devotado melhor; ou a teologia, um estudante mais zeloso.  Quando um jovem homem da Universidade de Florença, pensou em combater com os mais duros da pobreza, ele não estava contente com o que aprendera, que era simplesmente necessário obter ordens, mas devotar-se à física e às ciências naturais.  Antes ele era do tempo que admitia o clero, ele reconectou no ser, “o doutor de ambas as leis.”  Ele viajou através da Europa, defendendo a fé católica contra todos os “ateístas, infiéis, protestantes e outros hereges.”  Mas o próprio Vanini era supostamente acusado de heresia.  Entre os doutores da Sorbonne que tinham pronunciado seu grande trabalho, em grande desenvoltura de argumento e de um tipo muito proveitosamente realizado,” a Inquisição o condenara.  Quando os inquisitores examinaram suas propriedades eles acharam entre seus pertences, um cristal de vidro contendo um sapo vivo.  Isso não só demonstrava, como também, provava que ele negava a existência de Deus, mas que ele estava ligado com outras existências.  Nenhum protesto de ortodoxia; nenhuma confissão de sua fé poderia convencer seus inimigos.  Eles o trataram com insulto, clamando sua hipocrisia confessa.  Ao julgamento onde perguntava-se o que ele pensava da existência de Deus, Vanini respondera: “Eu acredito com a igreja em um Deus em três pessoas e que a natureza evidentemente demonstra a existência da divindade.” Vendo um tufo de palha no chão, ele o pegou e continuou a se pronunciar aos juízes, ele disse: “Essa palha me obriga a confessar que há um Deus; “ e depois de um longo e bonito discurso sobre a Providência, ele acrescentara: “A grama se dissemina sobre a Terra, aparece em primeiro lugar, para ser destruída, mas rapidamente, se torna verde, e forte, insensivelmente crescendo pela Terra.  O orvalho assiste a primavera e a chuva a faz aumentar.  Ela é sustentada como a espiga dos cereais, que é visitada pelos pássaros.  O tronco surge e é coberto com leveduras.  Ele se torna amarelo e cresce alto.  Depois logo ele cai e morre.  É debulhado e a palha é separada do milho, o último, servindo para o alimento do homem e o primeiro é dados aos animais que o homem cria para seu uso.”

 

Livre tradução do livro Pantheism and Christianity de John Hunt, 1884 . Capítulo IX . A Renascença Italiana . Outros filósofos italianos

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