Ao ler este diálogo,  entendi que o Mal é a ausência do Bem, como a doença é a falta da saúde e a escuridão é a ausência de luz. Compreendi, então, que o diabo não é uma existência, mas uma ausência de Deus.

Dá-me a tua mão. O que sentes?

Agostinho respondeu: - Sinto a sua mão.

Então, o bispo de Milão retirou a mão e perguntou ao jovem:

- E agora o que sentes? -

Sinto a falta da sua mão.

Aguardo o comentário de vocês.

Beijo...Nyl

 

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Muito bom, Nizomar!!

Claro e bem analisado.

Obrigada

Nyl

Nizomar Sampaio Barros disse:

O problema do Bem e do Mal seria melhor compreendido se entendêssemos o paradigma da evolução humana.

Deus e o Diabo, Anjo e Demônio, Micael e Satã, como representantes dos sentimentos antípodas do Bem e do Mal são apenas figuras simbólicas. Pode chocar a alguns se eu disser que o egoismo é a primeira Lei da evolução, pois o homem, após individualizado, precisa, em primeiro lugar, construir o seu centro egóico, ou seja, a sua individualidade, para se tornar um ser com características próprias, a semente de um novo Logos uno com a Essência Criadora, para depois ascender na evolução pela transmutação do carma gerado em suas ações, que lhe trarão consciência, poder..

O carma é o resultado de todas as ações praticadas pelo indivíduo, nos três planos de experimentação (físico, emocional e mental) e não somente o resultado das más ações, como sói geralmente ser considerado. Algumas pessoas que acreditam no Bem pretendem que o Espírito recém individualizado saia praticando a caridade.

Todavia, o egoismo é a primeira lei da evolução, porque o corpo causal desenvolvido apenas rudimentarmente no arco ascendente da evolução animal, só responde aos estímulos dos pensamentos superiores, dos quais não são capazes os seres humanos no início da evolução. As religiões existem com a missão de deter os excessos, pela fé no Onipotente e medo do Opositor. E assim a idéia de Deus e o Diabo como potestades antípodas cumprem as suas missões. Depois, como filosofia, passa a ser contestada.    

O universo segue um plano predeterminado. O que não estiver em sintonia com suas leis cria o mau carma, sentido sob a forma de sofrimento.  O que estiver em sintonia cria o bom carma, sentido sob a forma de harmonia. Nada se omitirá da Lei, conforme disse Jesus. O sofrimento gera consciência e consciência gera evolução.  

Até que a Mônada, a deidade manifestada no Homem, esteja liberta da cadeia do egoismo, não haverá verdadeiro livre-arbítrio, existindo a sensação do Bem e do Mal, que é como o Espírito humano compreende as reações do universo. Deus e o Diabo encarnam essas qualidades opostas. Deus e o Diabo não são individualidades, são arquétipos mentais na consciência humana, o primeiro representando o ideal da Perfeição, o segundo o oposto.

Todas as religiões formais tendem para este maniqueísmo, necessário nos primeiros degraus da evolução, para conformar as suas doutrinas. A idéia de Deus inspirando a busca por atos bons (alta frequência quântica) e a do Diabo induzindo, por medo, a não praticá-los. Todos os estereótipos das figuras que representam o Diabo estão baseados nas linhas de baixa frequência da involução (o caminho para baixo), a sombra de Jeová, o espírito do egoismo.

Libertar-se do egoismo é uma batalha que exige muito esforço e determinação, que não é desejado pelo Espírito antes  que se aproxime, geralmente pela Dor, dos pórticos do saber. Uma vez desenvolvido o corpo causal, estabelecem-se canais com a Consciência Superior do universo, cessando o antagonismo do Bem e do Mal.

Porfém, toda vez que o Ego (o deus interno no Homem), descer à Matéria, por qual motivo for, ele encontrará esta luta em si mesmo, pois é da essência do Eu inferior, que representa a Matéria, buscar os arquétipos de baixa frequência para se desenvolver. Desenvolvido, porém, o Espírito tem o domínio da sombra de Jeová ou seu Eu inferior.

Enquanto o Espírito evolucionário não tiver equilibrado perfeitamente o seu carma (terceira iniciação planetária, o arquétipo dos magos) ele estará sujeito às seduções da Matéria, às quais tem de dominar para não gerar carma negativo. A partir da quarta iniciação, o Eu inferior torna-se um instrumento e não um senhor. Na quinta iniciação o Ego (Individualidade) torna-se um Mestre de Sabedoria..

Concluindo, falando esotericamente, no início da evolução, Satã é necessário a Micael para que não se perca nas alturas e Micael é necessário à Satã para que não se perca nas profundidades. Quem puder compreender isto, é porque já terá desenvolvido 'olhos de ver'.

Um abraço.

Nizomar. 

 

Concordo somente em parte, pois não concebo esta tricotomia citada pelo Waldemar. Cristo não está no meio 'entre Lúcifer e Arimã', porque Lúcifer é o intelecto humano desenvolvido sem o aporte do conhecimento superior, criando a ilusão de um falso conhecimento da Verdade. Cristo, porém, é o ideal que representa a luz da verdadeira sabedoria, o conhecimento da razão intuitiva, axiomática, essência da dimensão que conhecemos com o nome de plano búdico, uma dimensão acima da humana. É nessa dimensão que cessa o antagonismo entre o Bem e o Mal, necessário, evidentemente, nos degraus inferiores da evolução.

Nossa mente só pode discernir entre o certo e o errado, aquilo que está ou não conforme a vontade do Logos Criador, quando recebe em si mesma os reflexos de suas ações. Não pode fazer mais do que isso no início, pois tem o seu interesse voltado quase exclusivamente para si mesmo, caminhando primeiramente para o exterior, a fim de sentir as vibrações da Matéria, até que, por evolução espiritual, reconheça o verdadeiro Caminho.

Quando o centro egóico está completamente formado e a Individualidade não deseja conquistar mais nada de material, então começa a grande jornada para o interior. Milhões de anos serão gastos em trilhar esta perigosa jornada. O Eu inferior resiste e o Espírito, a Individualidade existente no Homem, deve tomar cuidado com os ouropéis do intelecto, símbolo da gnose de Lúcifer.  

Aqui vai um conhecimento esotérico. Há Espíritos com idade sideral nas trevas da inconsciência do Bem, os quais aprisionaram o Ego com suas inteligências, contentando-se em viver no reflexo da Luz,  opondo-se ao Cristo. O Cristo do qual falamos não é Jesus, mas Aquele do qual falou Jesus (Mat. 23-5:10).

Os Senhores da Face Negra exploram os baixos sentimentos humanos para continuarem a viver na Matéria, onde têm poder. Porém, não têm continuidade e talvez sejam esmagados. O que acontece com a engrenagem pequena que se opõe ao movimento da engrenagem principal?

Como paradigma da evolução humana, cada homem e cada mulher que cedem aos instintos mais baixos fortalecem o poder das trevas. Quando emergem pela dor ou sofrimento do torpor da consciência e passam a realizar o propósito do Bem (pensamentos, sentimentos e ações de alta frequência espiritual), enfraquecem o centro de poder da vida inferior.  

Aí está a explicação por que Jesus afirmou que o príncipe (poder da matéria) deste mundo já estava julgado. Justamente porque a Dor, como limitação ou sofrimento, é inalienável da luta humana, estando na raiz da própria encarnação.

Os Senhores da Face Negra (feiticeiros, magos negros, arquidemônios) tentam forrar-se à lei da reencarnação, a fim de não se submeterem na superfície à troca compulsória de energia acima das frequências mais baixas. Estão, também, sempre dispostos a atenderem todos os pedidos dos incautos humanos, quaisquer que sejam, pois, isto aumenta o seu potencial energético para continuarem vivendo nas sombras como desejam.   

Resistir ao Mal, sob qualquer de suas formas, é, metafisicamente, optar por um incremento de energia quântica no campo superior da consciência, aumentando o poder espiritual do ser humano e reduzindo o potencial das trevas . 

 

Olá a todas/os,

Nizomar, você escreveu "Concordo somente em parte, pois não concebo esta tricotomia citada pelo Waldemar. Cristo não está no meio 'entre Lúcifer e Arimã', porque Lúcifer é o intelecto humano desenvolvido sem o aporte do conhecimento superior, criando a ilusão de um falso conhecimento da Verdade."

Sem o "aporte do conhecimento superior" o intelecto é baseado na matéria, no mundo físico. Segundo a Antroposofia esse é o reino de Árimã, não de Lúcifer, muito bem representado pela ciência e pela filosofia materialistas.

Como eu disse já aqui, é fundamental reconhecer-se que existem entidades divinas que atuam como o Mal na humanidade. Eu já disse que o Mal não é a ausência do Bem, como queria Santo Agostinho.

Um outro grande problema para a humanidade é a falta de compreensão da divindade Cristo, e como ela incorporou-se na corporalidade física e não física do Jesus. Depois do batismo no Jordão, quando Jesus fala, na verdade quem está falando é o Cristo, por isso ele afirma "Eu e o Pai somos um" (João 10:30).
Aliás, deixem-me dizer que pelas minhas andanças em correntes espiritualistas, não há nenhuma que descreva a entidade Cristo e sua incorporação em Jesus com a clareza e a profundidade como na Antroposofia. Por exemplo, a incompreensão por parte da Teosofia foi tão grande, que a Annie Besant e o Cel. Olcott declararam que o jovem Krishnamurty, então com 9 anos, era uma encarnação do Cristo, o que mais tarde ele próprio negou. Rudolf Steiner mostrou cabalmente que não havia possibilidade de haver uma nova encarnação física do Cristo; para começar, o preparo para ela foi imenso, como por exemplo o desenvolvimento do povo judaico imposto por Jeová (por isso os evangelhos de Lucas e Mateus se dão ao trabalho de mencionar as duas genealogias, aliás em grande parte completamente diferentes; esse mistério foi revelado por Steiner. O reconhecimento correto da entidade Cristo e como ele continua atuando a partir do mundo espiritual é essencial para se evitar e redimir o Mal.

Quanto a Mat. 23:8-10, parece-me claro que o Cristo estava falando de si próprio.

aaaaaaaaaaaa, VWS.

Para os que estão acompanhando este debate.

Sou obrigado a corrigir o Waldemar. Sei que não agiu de má fé, mas mal informado. Disse ele: " Por exemplo, a incompreensão por parte da Teosofia foi tão grande, que a Annie Besant e o Cel. Olcott declararam que o jovem Krishnamurty, então com 9 anos, era uma encarnação do Cristo ". 

Na verdade não foram Annie Besant ou o Coronel O. S. Olcott, mas,  Charles Leadbeate que descobriu o jovem Jiddu Krishna, oitavo filho de uma família brâmane na Índia, quando trilhava sozinho as areias de uma praia. O jovem ostentava uma aura tão bela que impressionou Leadbeater, que passou a se interessar por sua educação moral, intelectual e espiritual, conseguindo levá-lo para Londres com a permissão de seu pai.

Annie Besant e o próprio Leadbeater, líderes da Sociedade Teosófica, tomaram para sua responsabilidade a educação do adolescente Jiddu Krishna, cujo sobrenome foi mudado para Krishnamurti, que quer dizer "veículo de Krishna" e não a encarnação do próprio Krishna. O objetivo, portanto, era estabelecer um canal com o Bodhisattva, o Instrutor do Mundo, que, entretanto, não poude se concretizar devido à resistência de Krishnamurti em seguir as orientações dos instrutores, preferindo seguir um caminho próprio.

Houve, na verdade, quase 13 séculos de preparação para que a descida vibratória de uma divindade como o Cristo fosse possível. 

Sabemos que Lúcifer ('portador da luz') é símbolo do conhecimento concreto obtido através da Matéria. Esotericamente, seu brilho pode confundir a mente. Entidades há de idade sideral, detentoras de grandes conhecimentos metafísicos, que, por uma questão de livre-arbítrio, seguem um caminho de oposição ao Logos Solar. São potestades, mas não podemos considerá-las divinas. É contrasenso. 

Finalizo dizendo que, quando num silogismo a premissa maior está errada, a conclusão será sempre errada, embora a premissa menor possa até estar certa. Portanto, aconselho o caro Waldemar a inteirar-se melhor da Teosofia ( e não somente da Antroposofia ), antes de emitir suas críticas. 

Timeo hominem unius libri

Nizomar

Olá a todas/os,

Discordo que Lúcifer é um símbolo, como o denominou o Nizomar. Ele constitui-se em uma classe de seres espirituais, da hierarquia dos anjos (daí a expressão tradicional "anjo caído"). É muito importante reconhecer que o Mal não é um símbolo, mas provém de entidades espirituais existentes, e que são sobre-humanas

O Nizomar corrigiu-me em relação ao Olcott, chamando a atenção para o fato de que quem descobriu o Krishnamurty foi o Leadbeater, o que é verdade. Mas eu não falei sobre a descoberta do Krishnamurty. Falei sobre a declaração de que ele era a reencarnação do Cristo, o que ele próprio negou mais tarde. Achei que tinha sido o Olcott pois durante um tempo ele dirigiu a Sociedade Teosófica junto com a Annie Besant. Porém, tanto faz quem fez a descoberta e quem declarou que o Krishnamurty foi uma reencarnação do Cristo, o que, aliás, não está claro. O importante é que esse engano da reencarnação foi feito em nome da Sociedade Teosófica. Meu ponto foi que isso representava uma incompreensão em relação ao Eu Cósmico, o Cristo.

Preciso corrigir o Nizomar, quando ele afirmou: "Finalizo dizendo que, quando num silogismo a premissa maior está errada, a conclusão será sempre errada, embora a premissa menor possa até estar certa. Portanto, aconselho o caro Waldemar a inteirar-se melhor da Teosofia ( e não somente da Antroposofia ), antes de emitir suas críticas." Em primeiro lugar, não foi uma crítica, foi uma observação de um fato.

Em segundo lugar, o que fiz foi uma asserção, e não um silogismo. Houve uma asserção que tinha uma parte que talvez estivesse falsa: "Annie Besant e Olcott declararam o Krishnamurty como uma reencarnação do Cristo".   Assim, o pequeno engano de trocar o Leadbeater pelo Olcott, se é que isso realmente ocorreu, não invalida a segunda parte da asserção, apesar de, realmente, se A é falso e B é verdadeiro, A e B é falso: até onde eu sei, Krishnamurty foi declarado, dentro da Sociedade Teosófica, uma reencarnação do Cristo, e que ele negou isso quando se tornou adulto e se libertou da Sociedade Teosófica. Isso é, até onde sei é um fato. A denominação World Teacher talvez fosse algo mais palatável para o mundo do que falar abertamente que ele era considerado uma reecarnação do Cristo. Vejam que não sou só eu que sei:

http://gnosticteachings.org/books-by-samael-aun-weor/fundamental-no...

onde se conta exatamente a minha versão da reecarnação do Cristo no Krishnamurty. Conta, além disso, que essa teoria provocou várias cisões na Sociedade Teosófica -- eu só conhecia a separação que levou á criação da Sociedade Antroposófica. (Eu só fiquei conhecendo essa página agora.)  Aliás, note-se que o autor do artigo não é antropósofo, apesar de, sem preconceitos, admirá-lo. Usei esse caso como sendo resultante da incompreensão da entidade cósmica Cristo, que foi  e é fundamental para o desenvolvimento da humanidade.

aaaaaaaaaaaa, Val.

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