Carta A Um Amigo Na Terra

Caro companheiro.
Você quer saber algo de sua verdadeira situação na Terra.
Compreendo.
Quando a pessoa entra nessa grande colônia de tratamento e
cura, é convenientemente tratada.
A memória deve funcionar na dose justa.
É natural.
A permanência aí poderá ser longa e, por isso mesmo, certas
medidas se recomendam em favor dos beneficiários.
Atende às instruções do internato e não se preocupe, em
demasia, com os problemas que não lhe digam respeito.
Não se prenda aos seus apetrechos de uso e nem acumule
utilidades que deixará inevitavelmente, quando as autoridades
observarem você no ponto de retorno.
Se algum colega de vivência estima criar casos, esqueça isso.
Não vale a pena incomodar-se .
Ninguém ou quase ninguém passa por aí sem dificuldades por superar.
Viva alegre, com a sua consciência tranqüila.
Em se achando numa estância de refazimento, é aconselhável
manter-se fiel à tarefa que a administração lhe confie.
Procure ser útil, deixando o seu lugar tão melhorado quanto
possível, para alguém que aí chegue depois.
Quanto ao mais, considere você e os demais companheiros de
convivência e necessidade simplesmente acampados, unidos
numa instituição de tratamento oportuno e feliz.
Aí você consegue dormir mais tempo, distrair-se na sua faixa
temporária de esquecimento terapêutico, deliciar-se com
excelente alimentação, compartilhar de vários jogos e ensaiar
muita atividade nobre para o futuro.
Aproveite.
O ensejo é dos melhores.
Descanse e reajuste as próprias forças porque o trabalho pra
você só será serviço mesmo, quando você deixar o seu uniforme
do instituto no vestiário da morte e puder regressar.

Livro: Vida em Vida
André Luiz & Francisco Cândido Xavier

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