Sabedoria Teosófica Está Presente na Tradição Cristã
 
 
O Teosofista
   
 
 
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O texto a seguir foi publicado inicialmente
na edição de março de 2008 do boletim
eletrônico mensal “O Teosofista”, sob o título
“Jesus Ensinou Sobre Carma e Reencarnação”.
 
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A filosofia  teosófica constitui uma chave para desfazer a Torre de Babel que parece separar as diferentes tradições culturais.
 
Vista em profundidade, a sabedoria cristã, por exemplo,  tem grande quantidade de pontos em comum com as outras religiões. Existem no Novo Testamento inúmeras passagens pitagóricas, budistas e confucionistas.  Nos Evangelhos,  Jesus ensina sobre a lei do  carma e sobre a reencarnação.  A idéia da “ressurreição na carne” corresponde à metempsicose ou reencarnação, mas foi deturpada pelo cristianismo tardio. Em um artigo ainda inédito em português, intitulado “Sobre a Pseudo-Teosofia” (“On Pseudo-Theosophy”), Helena Blavatsky escreveu:
 
“... Não há nada, na crença em reencarnação, que entre em choque com os ensinamentos de Cristo. Ao contrário, nós afirmamos que o grande Adepto de Nazaré claramente  ensinou sobre  reencarnação. O mesmo fizeram Paulo e os evangelhos sinóticos.  Quase todos os primeiros Pais da Igreja, com  raras exceções, a aceitavam, e alguns de fato a ensinavam”.
 
E a criadora da filosofia esotérica moderna  acrescentou: “Jesus, o Adepto em que nós acreditamos, ensinava as nossas doutrinas orientais, principalmente CARMA e REENCARNAÇÃO.  Quando os chamados cristãos tiverem aprendido a ler o Novo Testamento nas entrelinhas, os seus olhos estarão abertos  e ― eles verão.”
 
Poucas linhas mais adiante,  no mesmo artigo pioneiro publicado em 1889,  H.P.B. afirma que está feliz porque vê  “um belo vento assoprar sobre o cristianismo”  e impulsar o pensamento ocidental “cada vez mais para o Oriente”. [1] 
 
H.P. Blavastky decodificou  a mensagem dos Evangelhos mostrando que eles encerram profundos ensinamentos esotéricos,  e também que narram, simbolicamente,  a caminhada de um discípulo avançado pelo caminho das grandes iniciações.  Os Evangelhos não são, portanto, uma narrativa literal da  vida de Jesus.  Eles constituem, isto sim,  uma lenda com muitas lições.  Não há registros históricos sobre o Jesus dos Evangelhos. O Jesus real teve uma vida muito  diferente do indicado nos Evangelhos e viveu um século antes da Era Cristã. Seu nome é  Jeshu (ou Jehoshua) ben-Panthera.  Nasceu no ano de 120 antes da era cristã, e foi morto no ano 70 da era cristã, segundo a “Guemará” do Talmude babilônico, em seu tratado sobre o Sabath, 67-104. Considerado um grande adepto por H.P.B., Jeshu ben-Panthera foi  iniciado nos mistérios egípcios em Alexandria. [2]
 
Qual a relação, na realidade,  entre o Jesus do Novo Testamento, ou  mesmo Jeshu ben-Panthera, e a Igreja de Roma,  ou as igrejas protestantes?   Não há relação alguma. Nem o Jesus do Novo Testamento, nem o Jesus histórico, Jeshu,   fundaram qualquer “igreja”  ou adotaram algum ritual.
 
Toda a montagem teológico-imperial em torno do nome de Jesus  ocorreu  em uma  época muito posterior, como parte de um esquema de poder associado aos restos do império romano decadente. É neste processo que  os ensinamentos sobre reencarnação foram arrancados do Novo Testamento, de modo que hoje sobram deles apenas poucos indícios. Os ensinamentos sobre carma que continuam presentes naquele livro também passaram a ser subestimados. O principal objetivo tem sido estimular a obediência aos sacerdotes e aos rituais. O cristianismo do futuro, porém,  saberá resgatar as suas boas origens e perceber a sua irmandade essencial com o que há de melhor nas outras religiões.
 
 
NOTAS:
 
[1] “On Pseudo-Theosophy”, texto publicado em “Theosophical Articles”, H.P. Blavatsky, Theosophy Company, Los Angeles, 1981, vol I, 511 pp. A primeira  citação está na página 172.  A segunda, na página 175.
 
[2]  “A Word With ‘Zero’ ”, em “Collected Writings of H.P.Blavatsky”, The Theosophical Publishing House, Adyar,   Chennai, India, volume IV, pp. 361-362.
 
 
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Artigo publicado originalmente em www.Filosofiaesoterica.com .
 



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Comentário de Alan Momteiro Alan em 15 dezembro 2012 às 19:19

em tdos os tempos em todas as camadas raciais,existem ''doutores'' q explicam avinda do messias.

mas a verdade é q ele não veio dar valor aos poderosos ou aos DRs,veio para os desvalidos e desamparados;olhai e vigiai,e ouçam o q tem ouvidos,tu es filhos das estrelas e irmão das arvores.sois filhos do universso;e teu pai é o pai do messias;;;;ame o teu próximo o pois ele é filho de DEUS;

Comentário de evaldo berwig em 15 dezembro 2012 às 18:42

Valdemar, Nadyr,

 

Obrigado. Sem dúvida, a visão antroposófica tem alguns pontos em comum com o ensinamento teosófico de onde ela se originou. As origens de Rudolf Steiner são teosóficas.

 

Convido os amigos à leitura do texto de Elipas Levi, “Jesus Segundo o Talmude”:

 

“Talvez os cristãos tenham primeiro glorificado a fé de maneira a fazer crer que renunciavam à razão. É por isso que, em relação a nós, os judeus transformaram-se em severos guardiões das tradições antigas e protestam eternamente contra todas as idolatrias. São adversários que nos vigiam, que nos advertem e que reconciliaremos um dia ao lhes provar que toda dissidência que os separa de nós repousa sobre um mal-entendido. “ 

 

Diz ainda:

 

“A vida de Cristo estava toda em sua doutrina, e, sobretudo para seus discípulos, sua existência devia ser inteiramente moral. O que dizia, fazia-o no domínio do espírito; é por isso que os livros evangélicos contêm o dogma e a moral em parábolas, e frequentemente o próprio Mestre é o sujeito das narrações alegóricas de seus apóstolos. [1]

No Espirit book: 

http://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/jesus-segundo-o-talmude-1

 

Em www.FilosofiaEsoterica.com :

 

[1] Jesus segundo o Talmude – Eliphas Levi - http://filosofiaesoterica.com/ler.php?id=887

 

Abraço, Evaldo

Comentário de Nadyr João Mozzini em 15 dezembro 2012 às 14:45

Concordo plenamente com os comentários do sr Valdemar W. Setzer!

Entendo que não há nenhuma relação entre Jesus, "o Cristo de Deus", com Jeshu (ou Jehoshua) ben-Panthera.

Jesus, filho de Maria e de José, não veio para ser iniciado. Ele já era um "espírito superior" e veio com a finalidade de ensinar, de mostrar ao homem uma nova ordem moral, já que Moisés tinha disciplinado um povo, com suas leis rígida, para que Ele viesse mais tarde. 

O Novo Testamento relata sua curta passagem pela terra, aonde transmitiu seus ensinamentos em forma de parábolas para que sua  pregação ficasse eterna. Concordo, também, que Ele não veio para criar uma nova religião e, sim, para mostrar que o crescimento do homem deve ser individual,  tendo a reencarnação como instrumento. "O plantio é opcional, porém a colheira é obrigatória." ou "A cada um será dado conforme suas obras.", confirmam isso e mostram que a crença vigente na época de Jesus era a reencarnação.  Para se acreditar na reencarnação, basta ler a história e ver em que momento ela foi retirada do meio cristão. Isso ocorreu no V Concílio de Constantinopla II, 553 dC, convocado pelo imperador Justiniano, com a discordância do Papa Virgílio, que foi aprisionado para que não se opusesse.
A partir daí, a Igreja Católica Apostólica Romana, criada pelo Imperador Constantino (313 dC, Edito de Milão), que já exercia o poder religioso, político e econômico, tendo em sua hierarquia superior, políticos travestidos de religiosos, desvirtuou os ensinamentos do cristianismo primitivo, cometendo o martirológio em nome de Jesus, tendo como exemplos, "as cruzadas"e o "Santo Ofício" . Em outras palagras, os cristão, que eram perseguidos, a partir desse momento começaram a ser perseguidores.
Mas como Deus não dorme e não tem pressa, possibilitou que a a ciência  avançasse o suficiente e, hoje, a rencarnação está sendo estudada nos laboratórios da ciência, trazendo de volta os ensinamento de Jesus, na sua forma primitiva. 
Nadyr João Mozzini
São Paulo / SP

 

Comentário de Valdemar W. Setzer em 15 dezembro 2012 às 9:45

Olá a todas/os,

Preciso colocar alguma coisa sobre a contrapartida da visão antroposófica sobre Jesus e o Cristo.

Em primeiro lugar, O Cristo Jesus não foi um "adepto", um iniciado nos mistérios da antiguidade. Quem o confunde com outros que podem ser chamados de "adeptos" não entendeu o que ele era. Rudolf Steiner cita explicitamente essa questão do "adepto" em seu livro "De Jesus a Cristo"  (Editora Antroposófica).

Em segundo lugar, Ieshu ben Pandira realmente viveu uns 100 anos antes do Cristo. Mas os evangelhos descrevem o Jesus e o Cristo e não Ieshu ben Pandira.

Em terceiro lugar, o conceito de reencarnação tinha que desaparecer da humanidade, pois em caso contrário ela não teria podido cair no materialismo e portanto desenvolver a liberdade e a autoconsciência. Nesse sentido, a Igreja Católica e as protestantes fizeram um grande bem. Agora está na hora de compreendermos a reencarnação e o carma, e não simplesmente acreditarmos neles.

Em quarto lugar, de fato o Cristo não quis fundar nenhuma nova religião: ele quis renovar as antigas, inclurindo o judaísmo, o budismo, o hiduísmo e o zoroastrismo. E indicar que o desenvolvimento individual da percepção espiritual agora deveria ser feito por cada um, e não seguindo um mestre, um guru, ou num local secreto de mistérios (por isso estes tiveram que desaparecer). Ele também indicou que para uma percepção correta do mundo espiritual era e é absolutamente essencial haver também um desenvolvimento moral, o que não é considerado por muitas correntes espiritualistas. Seguir um mestre pode levar a uma dependência, o  que hoje em dia iria contra o desenvolvimento da liberdade. Desenvolver uma percepção espiritual sem um desenvolvimento moral leva necessariamente a aberrações como o egoísmo e a soberba. Sobre esse desenvolvimento moral, veja-se

http://www.sab.org.br/antrop/artigo-disposicoes-animicas.htm

aaaaaaaaaaaaaaaa, VWS.

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