Na gênese das enfermidades físicas e psíquicas, temos como fator preponderante a lei de
causa e efeito. Particularmente, nas patologias de largo porte são inevitáveis as
ocorrências dessa lei, que remontam às experiências malogradas em reencarnações
transatas.
O homem e a mulher reencarnaram-se sob os condicionamentos e conseqüências dos
próprios atos, que se tornam responsáveis pelo patrimônio de que se fazem portadores.
A incidência dos distúrbios no comportamento, como nas expressões psíquicas, resulta
da interferência dos equívocos graves que o ser se permitiu, gerando os profundos
desajustes e enarmonias dos equipamentos nervosos e cerebrais.
Da mesma forma, as energias dissolventes que fazem parte da realidade espiritual,
mediante o perispírito, facultam receptividade às vidas microbianas degenerativas, que
permitem a instalação de doenças graves, ou assinalam fortemente o corpo, produzindo
deformações que se expressam como anomalias da mais variada catalogação.
Os indivíduos são, por conseguinte, o suceder do se3u pretérito, assinalando a
vilegiatura carnal com as conquistas positivas ou perniciosas de cada reencarnação.
Nesse contexto, surgem as interferências de natureza espiritual perturbadora que, por
vários motivos sob os quais se ocultam, produzem lamentáveis processos obsessivos,
que estilam milhões de vidas, aturdem os sentimentos, desarticulam a razão, levando a
estados de alucinação e suicídio aqueles que lhes experimentam as injunções.
Os processos obsessivos respondem por cobranças morais, nas quais os litigantes
desencarnados, fixados na própria inferioridade, dão campo aos sentimentos mórbidos,
ensejando oportunidade aos processos degenerativos de interferência psíquica ou física,
colocando plugs vibratórios nas tomadas dos hospedeiros humanos, que lhes são as
culpas fixadas no adito do ser.
As obsessões são enfermidades graves e quase desconhecidas, mesmo por aqueles que
se dedicam ao seu estudo e terapia.
Variando em caráter, tipo e profundidade, conforme as razões que as estabelecem,
exigem cuidados muito especiais e pacientes, de todos os quantos se dedicam à sua
erradicação.
Tarefa complexa essa, exige perseverança e humildade, especialmente de quem lhes
sofre a intercorrência.
A recuperação não libera, porém, as vítimas, de responsabilidades em relação aos seus
algozes e ao seu próximo, antes, pelo contrário, amplia-lhes a compreensão em torno da
vida e do comportamento, que devem alterar-se para melhor, assim gerando novos
fatores de saúde, que irão agir nas fontes celulares, produzindo futuros resultados ou
harmonizando os implementos neuroniais, os sistemas nervosos, respiratório,
circulatório e tornando-se equilíbrio que produz harmonia.
Dentre as várias manifestações obsessivas, uma passa quase despercebida, sendo, por
isso mesmo, de alta gravidade, pela razão de raramente chamar a atenção, graças às suas
sutilezas e características especiais.
Referimo-nos às obsessões intermitentes.
Elas são freqüentemente variantes, isto é, apresentam-se voluptuosas e destruidoras em
determinados períodos, para desaparecerem quase completamente em outros.
Suas vítimas experimentam injunções cruéis, vivendo sob verdadeiras espadas de
Dâmocles, prestes a terem ceifadas a paz, a saúde, a vida...
Aqueles que sofrem as ações dos espíritos perversos – e no caso em tela, muito lúcidos
e cruéis – passam períodos de otimismo e realizações edificantes para, subitamente,
derraparem em paixões sórdidas, depressões sem causa aparente ou exaltação de
violência...
Durante a incidência da perturbação, esses seres chegam às raias da loucura, perdendo o
discernimento e a lucidez, permitindo-se comportamentos esdrúxulos, atitudes
surpreendentes e estados desequilibrados da alma.
Isto, porque, os seus adversários espirituais, que os conhecem, identificam os seus
defeitos e sabem quais as suas imperfeições, graças aos quais têm preferências
estranhas, permitindo-se licenças morais que se tornam campo propício à penetração e
assimilação pelo paciente da energia obsessiva.
Esse fenômeno perturbador ocorre, como é natural, porque o enfermo cultiva os hábitos
viciosos que procedem de outras existências, ou que são adquiridos mais recentemente,
a cujo exercício de prazer se entregam inermes. Têm a mente enriquecida de
extravagâncias e comportamentos defeituosos, não se esforçando por liberar-se em
definitivo dos instintos primários nem das paixões selvagens.
As pessoas que sofrem obsessões intermitentes marcham sob sombras que necessitam
ser desbastadas com a luz da conduta nobre, da ação edificante e da prece inspirativa...
Mantendo-se vigilantes, preservando o equilíbrio no trabalho do bem, conseguem
despertar a simpatia dos Mentores Espirituais e libertar-se da psicosfera propiciadora da
vinculação com os antigos comparsas, ora tornados inimigos.
Quem, periodicamente, experimente as alternâncias de humor, de estados emocionais e
físicos, sem causas imediatas, certamente está sob a pressão de obsessões intermitentes,
necessitando de coragem para o auto-exame, o enfrentamento das inferioridades e a
elevação moral, entregando-se ao bem que possa fazer e fruir, no qual a saúde se torna o
estado ideal que todos aspiram.
No memorável diálogo entre Jesus e Pedro, a que se refere o evangelista Mateus, (*) o
discípulo tornou-se médium inspirado de Deus, o momento de responder ao Senhor,
para logo depois, vítima de perturbação espiritual, tentar amedrontá-lo, a fim de que Ele
não descesse a Jerusalém, onde seria maltratado e levado à Cruz... Posteriormente,
acovardado e pusilânime, voltou a sintonizar com as mentes perversas do Além-Túmulo
e negou o Amigo por três vezes...
Pedro, não obstante a sua dedicação ao Mestre, sofria de obsessões intermitentes,
liberando-se, completamente, quando se resolveu abraçar a Mensagem e entregar-lhe a
vida, tornando-se, desse modo, um modelo para os outros pacientes semelhantes que
viessem a surgir no futuro.


MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA
(Antologia Espiritual)

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