fases

Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec, Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo 17, item 4).

Dentre as muitas necessidades existentes na sociedade moderna, que exigem de nós esforço para serem supridas, surge em nosso ser o imperativo da espiritualização.

Os sofrimentos pelos quais passamos na vida, as dificuldades que enfrentamos em nossa jornada, o esforço que fazemos para conseguir algo de nosso interesse, a “aparente” injustiça que ocorre em determinadas situações sociais e individuais, tudo isso faz crescer em nós a sensação de que nos falta algo mais substancial para entender o mecanismo da vida.

As doutrinas espiritualistas tentam suprir essa nossa necessidade de entendimento, lançando propostas que nos fazem refletir sobre tudo o que acontece dentro de nós, tomando por base a idéia de que o espírito é a nossa essência, nossa identidade, e é totalmente desvinculado do nosso corpo físico (fragmento temporário do universo, que se descompõe quando o sopro do espírito se extingue).

As diversas religiões, quando bem interpretadas, entendidas e praticadas, são caminhos que a Providência de Deus nos oferece para que saciemos o ímpeto de sermos mais voltados para o ser espiritual que habita em nós, que na verdade é a nossa identidade.

Mas, para que o indivíduo chegue a se espiritualizar, ele passa por algumas fases, que exigem do pretenso aprendiz esforço para supera-las.

1ª fase – DESINTERESSE – É o estágio inicial de nossa jornada interior. A completa indiferença do ser em relação ao mecanismo da vida faz dessa fase uma das mais perigosas para a existência do indivíduo e da sociedade. Em casos mais extremos, o desinteresse espiritual faz com que algumas pessoas passem a viver saciando seus instintos primitivos, em atos totalmente desregrados e sem um direcionamento moral adequado, o que culmina, em determinados casos, em situações de barbárie completa. Geralmente a dor, o sofrimento, a dificuldade como consequência de seus defeitos e imperfeições, empurra o indivíduo para a próxima fase;

2ª fase – SIMPATIA – Nessa fase nós começamos a nos agraciar com aspectos de determinada doutrina espiritualista, que nos chama atenção em razão da sensação de conforto e bem estar que sentimos ao entrar em contato com tal conhecimento. É uma fase inicial na prática espiritualista, tendente a ser o caminho para a etapa seguinte. É importante ressaltar que muitas pessoas, inclusive eu, já nasceram aprendendo determinado conhecimento espiritual, que nos foi imposto por nossa condição familiar. Assim, podemos ter simpatia pelo conceito espiritualizado que recebemos de “herança”, o que não impede o crescimento de nossa simpatia por outra definição de espiritualização;

3ª fase – ESTUDO E CONHECIMENTO – É o aprofundamento no conhecimento doutrinário com o qual simpatizamos. A frequência constante em reuniões doutrinárias, cultos, missas, círculos de jovens da igreja, grupos de estudos, novenas, quaisquer práticas exteriores a que a religião de dedique, demonstra a nossa intenção de conhecer mais profundamente o aparato espiritual com o qual sintonizamos, desejando saciar a sede espiritual que, mais cedo ou mais tarde, crescerá em nosso ser;

4ª fase – REFORMA ÍNTIMA – A mais importante fase de nossa espiritualização, e o ponto de chegada de todo e qualquer entendimento religioso. Baseada no aprimoramento próprio, na busca pelo “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, a reforma
íntima tenta barrar as más tendências existentes em nosso ser, que muitas vezes nos leva ao sofrimento, à dificuldade, como consequência de nossas ações erradas e equivocadas. Tem por conceito ideal a máxima “Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem”. É a aplicação prática do que simpatizamos, estudamos e conhecemos, com o objetivo de conquistar a paz interior e a plenitude da vida.

O modelo proposto acima pode ser encarado como o caminho mais comum para se chegar a uma atividade espiritual que direcione o nosso modo de viver em busca de nossa paz e equilíbrio interior. Reflitamos: Em qual fase estamos?

Seja qual for o entendimento religioso a que você aderiu, pratique-o de forma intensa e renovadora, porque Jesus disse imperativamente que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21), indicando assim que a 4ª fase deve ser o nosso objetivo ao tentarmos direcionar a nossa vida espiritual, seja qual for o caminho a seguir.

Paz a todos!

Sementes da Razão

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