A Libertação do Ego


Se olharmos com bastante atenção para nós mesmos chegaremos a mesma conclusão que os Grandes Mestres já tentam nos ensinar há milhares de anos, somos seres ilimitados aprisionados num ego limitado.
A percepção que geramos sobre as experiências que vivemos e sobre nós mesmos é limitada pelos sentidos. Já é cientificamente comprovado que os nossos sentidos são limitados, a nossa visão só consegue captar uma parte do espectro de luz, assim como os sons que a nossa audição é capaz de perceber, assim também com os demais sentidos. Da mesma forma, é limitada a capacidade cerebral de processamento de todas essas percepções.
Portanto o que enxergamos não é a realidade, não é o Absoluto, mas sim uma percepção relativa acerca dos fatos e da existência. É por isso que não podemos crer nessa ideia que criamos sobre quem somos externamente. Aquilo que somos externamente nada mais é do que a representação de papeis com o objetivo de gerar as provas ou o karma que necessitamos para compreendermos o que realmente somos: Ser Ilimitado.
O karma que vivenciamos permite a possibilidade da nossa mente gerar a ideia do prazer ou da dor, e nosso aprendizado é o de não nos identificarmos com essa ideia que é criada pelos nossos pensamentos. Essa é uma ação íntima, é a possibilidade de vivermos de uma forma diferente diante do karma que nós, enquanto espírito, precisamos vivenciar. Quando nós nos identificamos com os padrões criados pelos pensamentos, nós entramos num aprisionamento mental que gera o sofrimento, pois nos ligamos àquilo que é relativo e impermanente. Ao passo que quando ativamos o nosso ser testemunha capaz de observar tais padrões e conduzir nosso íntimo a aceitar as experiências, que nada mais são do que provas e não a realidade absoluta, sem nos envolvermos com elas, saímos do ciclo -prazer-dor- ou -ganhar-perder- e alcançamos um estado de paz e plenitude, pois atingimos um ponto mais perto da união com o Todo, com a Consciência Ilimitada e Suprema.
Essa nova forma de viver não nos modifica enquanto egos, pois o ego e as provas que ele gera são necessárias para que possamos mudar a maneira como lidamos com elas. Libertar-se do Ego, portanto, não é modificar o Ego ou as dores ou os prazeres que ele gera, mas vivenciá-los de forma diferente, tratando-os como relativos e ilusórios e nos posicionando no lado do Absoluto e Real. Esse processo não é automático, o grande Mestre Jesus já nos ensinou "Orai e Vigiai" constantemente. Isso exige um esforço contínuo a cada experiência vivida, aceitando as provas que chegam, enxergando-nos como seres espirituais vivenciando experiências humanas e, portanto, transitórias.
A liberdade do Ser passa pelo caminho interior, através de ações íntimas capazes de gerar uma reforma interna. Só assim conseguiremos nos libertar do sofrimento de estarmos ligados às experiências externas tomando-as como reais e absolutas. Como diz Pai Joaquim de Aruanda, o ser humano é viciado em viver o exterior. E é esse vício que precisamos combater, por meio da vigilância íntima e constantes orações.
Jardim dos Girassóis

Exibições: 45

Responder esta

© 2017   Criado por Henrique.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Política de privacidade  |  Termos de serviço

Free counters!